O João-Conguinho também conhecido como Japim, vivia nos encantados de Tupã.
Como um Príncipe senhor de todas as melodias,
seu canto era um canto arrebatador.
De melodia envolvente e de uma harmonia perfeita.
Outra coisa o Japim não sabia fazer,
a não ser proporcionar alegria a todos.
Um dia lá na “Terra de todos os males”,
uma doença estava a dizimar todos os índios.
Ninguém sobrevivia. Crianças, jovens e adultos.
Tupã apiedou-se daquele povo e enviou João-Conguinho
para trazer a cura com seu canto xamânico.
Cantando aqui e acolá a alegria voltou a reinar.
Era tão prestigiado por todos o garboso Príncipe, que junto com o povo quis ficar.
Mas a empáfia envenenou seu coração.
O orgulho subiu a sua cabeça.
Da floresta achou-se o senhor absoluto.
Iludido, julgava que era o melhor de todos. Inigualável.
Os outros pássaros por zombaria passou a humilhar.
Tupã viu. Sentiu a aflição das outras aves no ar.
Era muito vexame e desavença por toda a floresta.
A João-conguinho fez três advertências para ele com aquilo parar.
E como sua insolência continuou Tupã por fim sentenciou:
De hoje em diante, perderás o teu admirável canto mágico
e para sempre irás imitar como corretivo, o cantos de outras aves.
Continuarás sendo o guardião das florestas,
mas seu canto mágico nunca mais cantará.
E assim foi que Japim perdeu seu canto original!
Por arrogância e desobediência ao Deus Tupã...
E para perpetuar sua espécie sempre faz seus ninhos.
Ao lado das colméias de vespas e abelhas ferozes.
Onde as outras aves não têm coragem nem de aproximar.
jbconrado*
E assim foi que Japim perdeu seu canto original!
Por arrogância e desobediência ao Deus Tupã...
Obs: Poema-conto inspirado na Lenda do Japim.
É muito interessante a aproximação com o lendário indígena. Gosto muito - e sempre - das imagens.
Abraços, alerta
Comentário de Raul Ruas · Rio de Janeiro, RJ 27/3/2011 15:31
Que beleza esse texto!
Nos faz voltar às raízes de nosso próprio habitat onde dividimos tamanho espaço com criaturas tão especiais e belas.
O desfecho é triste... Parece (ou é, de fato?) uma lenda indígena muito interessante.
Gostei muito!
Abraços!
NA DIVINA CANÇÃO DA VIDA VEJO UM PASSARO SE TRANSFORMAR, LUZ QUE BATIZA E FAZ O MEU CORAÇÃO PULSAR, NA SUA VÓZ SINTO DOÇURA, FORÇA E AMOR, PASSARINHO QUE ENCANTA A DOR, ALEGRA MESMO COM TANTAS REPETIÇÕES ESTE POVO GUARNECIDO NOS MISTÉRIOS DE SUAS MATAS, ENTRE VESPAS E ABELHAS JÁ MAIS SE ESQUEÇA DO PAI TUPÃ, AUTOR UNIVERSAL DA BELEZA QUE INSPIRA O SEU CANTAR!
ABRAÇOS DO SEU IRMÃO!
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