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de humores e filosofias vãs

Adroaldo Bauer
1
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
25/10/2009 · 5 · 2
 

Li que todo imperecível seria só figura.
Entanto, ainda, só o simbólico é perene.
O natural transmuda até mesmo em nada
Não mentem os poetas e as cartas jamais

São pessoas, com sentimentos
Mesmo vãos, baldados, espezinhados
Desprezados, sendo apenas poesia
Que mais um homem seria amando

O amor da amada almejando
Ah! Por quanto ainda a rejeição!
Interpõem-se amargura, rancores
Elevam-se ao altar os dissabores

O feminino em mim é rebeldia
Pela diferença maior e analogia
Quer, sim duma velha, a sabedoria
Denuncia o descrédito à inteligência

Ouve estrelas, como já ouvimos o mar
E são diversas falas as de amor
A nos dizer de alturas e profundidades

Amor igual pelo que há e se move
Pelo ar que nos inspira e alimenta
Não nos serve a natureza morta

Nem morrer por amar se ostenta
Mesmo o menor poeta acrescenta
Grande é a poesia, se há o poema

Verdade é o sonho que se realiza
Queiram não deuses e deusas
[se existam, em platitudes escuras]

Ama o sonho porque ama a amada
Nem menor, nem maior, só loucura
O coração o movimenta letal

Almeja modesta aspiração
Ama assim sem remissão
Não esmorece, inda sem fôlego,

De aspirar melhor porvir
Vem ele das profundezas do ser
Do sonho mais acalentado de amor

Não há alma pura nas possibilidades
Há vontades e responsabilidades
Sei de erros e dos lugares meus

Chamado duro e seco crustáceo
Ao lodo salgado comparado
de tudo do pântano a alma próxima.

Quer, sim, o homem ser amado
Julgando o poeta embaraçaram poema
poesia, os humores e a vã filosofia

Sobre a obra

nada no mundo é só meu
nem mais sou que ninguém
resto já o pó a que retornarei

sem tua licença te amei
sem teu perdão, te amo
por muito ainda te amarei

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Autoria
Adroaldo Bauer
Ficha técnica
versos livres
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alcanu
 

Você brinca nesse poema com o nosso bom senso, com o nosso sentimento, com o nosso juízo ou a falta dele...
e o resultado soa magistral !
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 26/10/2009 14:28
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Adroaldo Bauer
 

Grato, Alcanu.
Um beijo também pra ti.
Quem mais brinca nos versos é um dilacerado coração, em furtiva vingança à disparatada citação de um descrente alemão.
Nietzsche morou na filosofia. mas não entendeu a poesia.
Para ele, só não era mentira o que decretasse verdade.
Uma grossa besteira.
Por isso os versos combatem.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 26/10/2009 16:23
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