Vibrei como criança que era com a conquista da nossa primeira Copa do Mundo de Futebol em 1958. Errê esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro.
Pelé foi a revelação e o jogador diferenciado daquela competição. Saía dos 16 anos e não era ainda garoto propaganda de qualquer produto. Aliás, se não me engana a memória, sequer a seleção tinha patrocínio, nem Aimoré Moreira recomendava aos seus pupilos mais que tratarem bem a bola, como a um prato de comida. Pra jogarem bem, se dedicarem com afinco à disputa.
Em 62, já com dez anos, ainda criança, lamentei quebrarem a perna de Pelé no início da competição. Aplaudiria Amarildo. Garrincha bagunçou tudo o que sabiam todos os demais sobre futebol. Aquele Anjo das Pernas Tortas" foi o atleta diferenciado da competição. Ninguém acreditava no que via. Assemelhava-se a nada do que possa ser entendido como futebol de habilidade e qualidade com efetividade hoje. E fazia gols. E dava passes exatos para gols de Vavá e mesmo de Zagalo, um miúdo e magrelo ponta-esquerda.
Em 66 fizemos vexame na Inglaterra. Portugal de Euzébio foi a tranqueira que nos barrou.
Em 70, fomos tri-campeões. Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino, mais Carlos Alberto, Brito, Piazza, Félix no gol, Clodoaldo e Everaldo, Jairzinho e Rivelino.
Isso de quatro copas três vitórias canarinhas deu às gerações futuras a idéia de que éramos mesmo os bons, os tais da bola.
Alguns exigiam que fôssemos imbatíveis, sem recordar que Garrincha perguntara ao técnico em 62 se a tática aconselhada havia sido combinada com os adversários. Parece que com os ingleses de Bob Charlton. Ou de que há três resultados possíveis na competição essa.
O tetra veio só uma década após a derrota do time perfeito de 1984.
Um horror, o adiamento da conquista do penta nos custou um eito... Acabou chegando só em 2002.
Evidência de mudança de tempos essencial: os negócios plantaram profundas raízes maiores que as do esporte nas arenas futebolísticas. Cartolas cederam espaços a empresários, que lavam uniformes de profissionais de seleções mundiais por milhões em moedas diversas.
As empresas de artigos esportivos negociam resultados e locações além de patrocínios, com a fúria só vista de um gurka na guerra das Malvinas.
Uma amiga reparou ontem e deixo gravado aqui: os atletas de antes de 1970 eram todos muito magros.
Lênin alertara que a cabeça acaba pensando conforme o ambiente em que a bunda senta.
Numa tradução livre, isso nos indica que um prato de comida já não é o principal atrativo de um jogador de futebol.
Um desses, ajeitando caprichosamente os meiões, zombara da miséria duvidando que alguém pudesse viver feliz gastando menos que 10 mil dólares... por dia.
Um outro comentarista do fiasco do comerciante de cervejas ontem chega a sugerir que cobraria, aos 50 anos, pênaltis melhor dos que os batidos pelos nossos milionários atletas.
Aos 58, tenho certeza de que acertaria o gol, embora não possa garantir que o goleiro paraguaio não defendesse o chute.
Mesmo naquele gramado furreca se espedaçando sob as chuteiras de grife.
Como goleiro amador de várzea, com 1m64cm, defendi pênaltis mal cobrados em goleiras de dimensões profissionais.
Sei, por ver, ouvir e raciocinar, que a hipótese aparentemente absurda de que os resultados foram vendidos, não está negada pela história e pode ser aventada até que nos convençam de outras verdades sobre o resultado furreca de ontem. Ninguém explica que um vendedor de quase-cerveja tire um trio articulado de habilidosos e efetivos atletas como Ganso, Neymar e Pato e os troque por sujeitos que vão jogar desarticulados os minutos restantes e desperdiçar pênaltis daquele modo de amador varzeano.
Excelente retrospectiva, meu amigo, eu era moleque na época, mas Copa mesmo pra mim foi só a de 1970, radicalizei, odeio futebol desde então...
Vibrei com a vitória do Paraguai, já havia achado injusto o gol masturbatório aos mais de 45 minutos do segundo tempo da primeira partida, dias atrás e o Brasil convencido que havia jogado bem !
Tem que haver mais humildade hoje em dia, sustentamos moralmente essa corja, mais jogam as meninas, ilustres desconhecidas, errar quatrto pênaltis é histórico, bicho e o vendedor de cerveja foi uma ótima sacada sua...
quem disse que o que vem de baixo, aew do Sul maravilha não nos atinge em cheio, tchê ?
Um beijo !
Mas o cara tenta nos vender a quase-cerveja e ainda sugere mudança. Vá de retro capataz!, como diria a Juli!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 20/7/2011 19:29
Bonito trabalho, meus parabens!!! boa tarde , um abraço.
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