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DE VOLTA A 2009 - PARTE 3 – FORNALHA CÓSMICA

Lauro Winck
1
LAURO WINCK · Rio Pardo, RS
11/1/2010 · 9 · 7
 


Um playboy internacional não era bem o que eu tinha em mente, mas Rehna tomara o cuidado de conseguir uma identidade que tivesse o meu primeiro nome, assim evitaríamos algum deslize. Passei então a chamar-me Rodrigo Souto. Um especialista em aplicações e investimentos financeiros dos quais eu não entedia nada, mas servia para o que tinha em mente.
– O avião está decolando!
– A voz de Rehna me tirou de meus pensamentos e tínhamos que alçar vôo de encontro ao avião. Rehna voava ao meu lado e reduzia sua velocidade para acompanhar-me, pois eu carregava o peso extra do meu corpo material.
– É um jato executivo e dirige-se para leste, se seguirmos em linha reta o alcançaremos logo.
Eu havia me colocado alguns décimos de segundo a frente no tempo e Rehna viera junto, numa prova de que não conseguiria me livrar dela mesmo que quisesse, mas eu não queria. Em pouco tempo emparelhamos com o avião. Transportar-nos para dentro da aeronave era uma barbada.
– Você o identifica? Perguntei a Rehna.
– Claro, está sozinho sentado em um banco lateral atrás da cabine. Os dois homens armados estão atrás da cortina que separa o local da fuselagem.
Como estávamos invisíveis simplesmente entramos direto onde estava Keller, ou agora Álvaro Mathias. Remove-lo para fora da cabine seria uma coisa fácil, mas por breves instantes precisaríamos estar em seu espaço-tempo. Rehna permaneceria invisível para eles. Isto era uma vantagem. Ernest keller, levou um bom susto ao perceber minha presença, fiz sinal de silêncio e falei.
– Segure-se em mim, vamos sair daqui.
– Como? Balbuciou meio incrédulo. Ele obedeceu e nos transportamos para fora da aeronave.
– Gostaria de ver a cara dos seqüestradores quando se derem conta disso. Falou Rehna agarrada ao meu braço esquerdo. Eu sustentava o velho Keller, gordo e bastante pesado e ele assustado virou-se e comentou.
– Puxa, você pode voar de verdade? Como faz isso? E como sabe quem eu sou?
– É uma longa história, primeiro vou cuidar de sua segurança.
Voamos direto para o Hotel Plaza. Keller, não escondia o espanto e a curiosidade com o que estava acontecendo. Descemos direto no setor de garagens e como já estava escuro. Não fomos notados. Subimos para minha suíte e coloquei keller à vontade.
– Você toma algo? Perguntei.
– Uma cerveja, se possível, com este calor... Mas, me diga quem é você e como surgiu do nada dentro do avião? Contei-lhe então quem eu era e porque estava ali. Lembrei-me então que na versão que Rogério me passara, o roubo e o assassinato de Keller seriam executados por uma tropa de elite do exército americano. Nós o tiramos do avião em que fora seqüestrado apenas por 2 homens. Alguma coisa estava muito errada.
– A fórmula, o antídoto está com você?
– Que antídoto? Perguntou Keller. Estas palavras gelaram meu sangue, estava acontecendo algo muito estranho.
– O veneno, a contaminação da água do planeta! O plano para reduzir a população do planeta.
– Senhor Rogério, não sei de que está falando. Eu estava sendo levado, meio a força, concordo. Mas ia para uma reunião em que se discutiriam planos para amenizar a poluição no planeta.
Pela primeira vez eu estava sem saber o que fazer e não atinava com o que estava acontecendo. Era Ernest Keller, mas nada encaixava com a história que eu tinha.
– Você é agora Álvaro Mathias? Perguntei.
– Álvaro, Mathias? Não sei do que está falando. A esta altura, pedi licença para me retirar. Precisava pensar e tentar um contato com Krol que era o parceiro mais próximo. Keller ficou a vontade sorvendo a cerveja gelada e fui para o quarto. Rehna estava visivelmente preocupada e eu fazendo um esforço para controlar o sistema nervoso. Tentei várias vezes um contato com Krol, mas nada aconteceu, tentei Rogério, Adan 7, nada. Não havia contato. Tentei testar a comunicação telepática com Keller, não funcionou. E o pior ainda estava por vir. Tentei erguer-me não consegui. Parecia que minha última façanha desfrutando dos poderes herdados de Ariel, havia se extinguido.. Rehna apenas me olhava com os olhos arregalados. Voltei para a sala e vi pela janela que pelo menos a Ferrari estava estacionada onde havíamos deixado. Pedi então a Keller que me acompanhasse e depois de um pedido formal de desculpas, eu o levei ao aeroporto e fretei um avião que o levaria a sua reunião em prol da ecologia do planeta, já tão ameaçada. De tudo sobrara apenas a companhia de Rehna que eu não sabia por quanto tempo persistiria. Agora eu não podia voar, teria que voltar para a caverna com Rehna, como qualquer outro ser humano. Felizmente eu ainda contava com Rehna, ela podia deslocar-se sem problemas e parecia que não havia sido afetada pelos acontecimentos. Então paguei a conta no hotel e rumamos para o pé da serra do mar. Ela sobrevoava o carro e me orientava sobre os atalhos para encurtar o caminho. Depois de horas de viagem conseguimos chegar ao local e descer até a base da cratera, foi uma tarefa exaustiva. Finalmente ao chegar, minha nave estava no local. Estranhamente estava no mesmo espaço-tempo e não onde eu a deixara. Tive um pressentimento de que algo terrível deveria ter acontecido. Abri o mapa estelar e mostrei a Rehna as coordenadas em que se encontravam os planetas Xkarpa, Anul e Nova Terra.
– Seus truques ainda funcionam? Perguntei a Rehna.
– Acho que sim eu ainda consigo voar e parece que continua tudo igual.
– Você consegue ver o futuro, tente chegar a 2046 o ano em que saí de Nova Terra e me conte o que vê. Mostrei a data da partida, 11 de junho de 2046. Mas eu quero que vá um ano adiante, 2047. Ela concentrou-se por um bom tempo e depois me olhou com os olhos arregalados.
– Rodrigo! Não há nada!
– Como assim?
– É como se eu estivesse em um lugar completamente escuro. Um negro intenso, não há nada lá.
– Tente voltar um pouco mais. Ela obedeceu e virou-se para mim estarrecida.
– Rogério! As estrelas estão lançando ondas de fogo que estão engolindo os planetas em sua volta. Está tudo sendo torrado.
– Meu deus! Será que estamos sonhando?
– Espere, vejo agora pessoas, muitas, caminhando e juntando-se umas as outras, estão nuas e parecem buscar refugio entre si. Rodrigo! É o fim do multiuniverso! Está se auto destruindo, vejo isso agora de maneira clara. Tudo está sendo engolido por ondas de chamas. Por isso não vi nada em 2047. Não haverá nada!
Ficamos em silêncio! Aí estava a explicação. Estávamos na velha Terra no ano de 2009 e o final dos tempos ocorreria dali a 36 anos. O tempo que eu dispunha para viver como um cidadão qualquer e enfrentar o final dos tempos. O dia do juízo final? Ou o fim completo de tudo. A morte do multiuniverso e tudo o que há nele? Lembrei-me que Einstein estava certo quando dizia que futuro passado e presente ocorrem simultaneamente. Afinal o universo ou multiuniverso nunca passou de uma sopa de partículas doidas que formam um átomo que se combina com outros para criar uma ilusão. Nós existimos mesmo? Ou não passamos de uma ilusão que cada um carrega dentro de si? Um Neutrino atravessa a mais espessa barra de chumbo, sem nada que o detenha. Então tudo o que vivemos é o nada absoluto? Talvez Deus tenha se cansado de sua obra imperfeita e resolvido acabar com tudo.
Resolvemos então eu e Rehna que continuaríamos vivendo em nossa caverna até o fim. Eu aplicaria o dinheiro da missão abortada pelas forças da natureza e contaria até quando fosse possível com sua capacidade de resolver as coisas. Não teríamos mais como nos adaptar a vida em sociedade tão fora do que tínhamos vivenciado. Na verdade éramos de certa forma dois Zumbis e como tal nos amaríamos esterilmente e apenas aguardaríamos o fim do fim. Estamos agora em 2010 e não sabemos se o que estamos vivendo é a continuação dos acontecimentos que nos uniram ou se apenas geramos um novo universo paralelo. Afinal o futuro muda todos os dias, quem sabe neste universo as coisas não acabem assim. Só Deus sabe!

Ω;Ω;Ω;

Sobre a obra

O fim dos tempos pode acontecer daqui a 36 anos... Dará tempo?

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Autoria
Lauro Winck
Ficha técnica
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kfarias
 

Que previsão mais desastrosa, mas a vida continua, o grande problema e saber quando tudo vai acontecer, acaba-se o mistério.
Aguardaremos...
abraços
kfarias.

kfarias · Águas de Lindóia, SP 11/1/2010 10:44
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Cintia Thome
 

Um mundo de loucos só pode enlouquecer, adoecer...estamos no fim
mas quando? é o mesmo que a morte...
Belo texto


abs

Cintia Thome · São Paulo, SP 11/1/2010 12:00
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Doroni Hilgenberg
 

Interessante...e complexo!!!
Seria bom mesmo um plano para reduzier a população do planeta. Mas não atravez da contaminação da água...
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 11/1/2010 14:44
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Doroni Hilgenberg
 

Interessante...e complexo!!!
Seria bom mesmo um plano para reduzir a população do planeta. Mas não atravez da contaminação da água...
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 11/1/2010 14:46
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azuirfilho
 

LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
DE VOLTA A 2009 - PARTE 3 – FORNALHA CÓSMICA


Retrata um pouco o nosso mundo louco de pouca realização, todo mundo só se preocupando com a sexualidade o consumo e a ostentação e o resto afundando na desumanidade.
Um mundo onde ninguém é estimulado ou educado para ser amigo ou irmão, todos só são formados para quererem é lucrar.
É uma Lição
E o que vale é a Lição.
Nem tudo esta perdido neste Teatro, verdadeira Fornalha Cósmica.
Parabéns.
Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 11/1/2010 14:55
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joe_brazuca
 

Boa ficção, Lauro !

abraços futurísticos !

joe_brazuca · São Paulo, SP 11/1/2010 21:49
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Greta Marcon
 

Ainda bem que até lá eu já estarei morta... do jeito que vão as coisas,
eu não duvido que o fim não esteja longe...
Beijos

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 12/1/2010 03:59
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