não me basta essa cova rasa
estreita e tão habilmente aberta...
esse aperto sisudo de espera
não me assiste nesse trago
porque o que te parece ousadia
é anarquia dentro de casa
e porta afora descaso
fracasso ambulante
trajado de filosofia barata
não busco elos
não quero versos paralelos
quero a laje tumular
fria, tal qual o tolo pediria
numa insana prece...
não me basta o eco romântico,
há uma dimensão incontida
no meu canto tântrico
sinto varado como fome
o vazio que me consome
na carne a febre que me gasta
sutil como o laço que se desata
escorre tão lento quanto me afasta
cobre minha boca gelada
entreaberta na palidez do calafrio
estatelada no chão e no teto
dane-se parecer com o velho perfil
dos novos desregrados
pobres ululantes deserdados
baixa a terra sem afeto
esquecido, caro Prometeu
tal qual aqui viveu...
sobre a obra
Nessa poesia optei escrever em letra minúscula inclusive o início de cada verso (como uso em outras). também me desobrigo da pontuação, usando somente acho que é indispensável.
Angélica,
vens funesta e no rito exequioso, carrega o defunto nas letras, qual é o defunto? Arrisco no desafeto, no desencanto, nas coisas não-ditas.
Acho que eu viajo demais em seus poemas...rs
beijo Cristiano Melo · Brasília (DF) · 29/8/2008 09:54
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Que bom ouvir isso, acho que é uma honra quando viajam nos nossos poemas. De certo modo vc está certo, mas aí vai também um pouco da porção da mulher, da pessoa humana na pele do Prometeu, que depois de roubar o fogo segue castigada. Uma visão heroína da pessoa descrita no poema que se deixa morrer.
Obrigada pelo carinho, sempre. Beijokas Angélica T. Almstadter · Campinas (SP) · 29/8/2008 13:25
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Olha, a minha admiração pela forma que escreve é bem razoável. Considero-a uma mestre. Hideraldo Montenegro · Recife (PE) · 29/8/2008 20:41
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Menos Hideraldo, bem menos, sou uma eterna aprendiz que de vez em quando consegue fazer uma coisa bacana. Obrigada pelo carinho. Angélica T. Almstadter · Campinas (SP) · 30/8/2008 14:15
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Angélica, como sempre sua poesia é grande, ampla. Vc escreve à vontade. E tem sabor, corpo e cor.
Pode pedir "menos". Gosto de elogiar qdo me afeta.
bjos
CD Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 30/8/2008 19:51
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Obrigada Marques e obrigada CD, se minha poesia tem sabor corpo e cor, sinal que fiz direitinho o que me propus. Jokas Angélica T. Almstadter · Campinas (SP) · 30/8/2008 20:18
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kIKA,
Saudade de ler vc!
Sabe o quem mais gosto na sua poesia?
O encadeamento do abstrato.
Vale voto.
Beijo Lílian Maial · Rio de Janeiro (RJ) · 30/8/2008 20:21
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Lili!!!!!!!!!!!! Coisa boa te ver aqui. Vc é mais que bem-vinda. Realmente o overmundo tá ficando bom! Obrigada amiga. Beijokass Angélica T. Almstadter · Campinas (SP) · 30/8/2008 20:29
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Angélica T. Almstadter · Campinas (SP) ·
dêem-me exéquias
Um texto muito bem feito de uma expressáo muito forte.
Gosto muito do Chico Buarque e até lembrou ele.
...não me basta o eco romântico,
há uma dimensão incontida...
Impressionante e agradável de ler.
Usa muito bem as palavras.
Parabéns, ficou muito bom.
Muito merecimento e talento.
Abração Amigo.
PS-(Meu micro náo tem til, cedilha e acentos, quando náo acho náo uso). azuirfilho · Campinas (SP) · 31/8/2008 08:10
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Obrigada Azuir pelo carinho. Beijokas Angélica T. Almstadter · Campinas (SP) · 31/8/2008 19:43
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Angélica
este poema
parece um grito contra as crueldades.
Prometeu e os abutres.
bjsssss Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 31/8/2008 23:25
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Um lindo trabalho assim só poderia estar no banco de cultura , posso dizer que está. Parabéns . Bjs... delen · Cotia (SP) · 1/9/2008 00:53
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Angelica
Ausente no fim de semana,
mas não poderia deixer de ler este poema
Um abraço EdimoGinot · Curitiba (PR) · 1/9/2008 09:56
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