Sempre que estou abrindo minha caixa postal eletrônica, recebo mensagens com a mais prosaica das naturalidades de pessoas querendo aumentar o tamanho do meu pênis. E eu não sei porquê! Tais pessoas não me conhecem, nunca me viram, desconhecem minhas aptidões, minha anatomia, minhas inclinações e minha pauta cognitiva, mas, sabe-se lá Deus porque, querem aumentar o tamanho do meu pingolim. Enviam-me diariamente dezenas de mensagens com títulos canhestros, tais como Aumente seu membro, Penis enlargement!, Monster Penis! Seu OSM será magnífico, e You can have a giant penis! (as traduções ficam a cargo dos interessados na pauta). Sou curioso e não consigo deixar de ler o que me enviam, e, pronto!, lá estava eu a ler propostas que me prometiam o porte de um membro viril descomunal e irresistível para as mulheres —será que as mulheres gostam tanto assim de falos imensos? Lidas as mensagens, eu as mando pro lixo eletrônico —mas ultimamente tenho pensado muito no assunto. Tão logo o faço, ponho-me a praticar meu passatempo dos momentos de solidão: devanear e especular acerca de absurdos argumentativos tão díspares como a importância da mandioca nos churrascos, sobre a escalação da seleção brasileira, o ministério do Nosso Grande Líder Lula da Silva, o preço astronômico dos péssimos serviços da Enersul, e, claro, o aumento do tamanho do pingolim. Isso me desespera. Por isso, imploro: deixe o meu pingolim em paz!
Tamanhos e tamanhos
Aumentar o tamanho do pênis sempre foi preocupação nas mais diferentes culturas. Indianos sanhus, peruanos cholomecs, por exemplo, usavam pesos para atingir um aumento peniano na ordem de 30 cm a 45 cm (vixi!), apesar dos órgãos se tornarem disfuncionais. A questão estética para este grupo era a mais relevante. No Brasil, no século XVI, os topinamas utilizavam veneno de cobra em seus órgãos sexuais com objetivo de aumentar o pênis, apesar do relato que dizia que a dor durava cerca de seis meses. Este povo suportava tal sofrimento para agradar suas parceiras. Da mesma forma, tribos africanas acrescentam anéis metálicos no pescoço das meninas para que estas tivessem uma fronte mais longa e bela. A tão complexa sexualidade humana hoje é vista com maior naturalidade. Atualmente, muitos indivíduos que sentem uma inadequação relacionada ao tamanho do pênis buscam os consultórios para o milagre do aumento peniano. Uma ressalva, especialmente para quem mantém relacionamentos heterossexuais: a vagina tem a profundidade variável que vai de 9 cm a 12 cm. A maioria dos receptores sensitivos se encontram no intróito vaginal (orifício) ou na região bem próxima a ele. Muitas mulheres sentem algum tipo de desconforto quando, na transa, ocorre o contato do pênis com o colo do útero. E a relação sexual é mais do que o contato: tem a ver com o clima, desejo, grau de excitação e “habilidade” do parceiro. Portanto, pingolim descomunal nada tem a ver com prazer.
Luca Maribondo
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Muito bom, Luca!!!!
Eu nem queria saber do seu pingolim, mas voce convidou pra ver: estou aqui!
Achei pequeno. Aliás, o comentário tá quase do mesmo tamanho.
E o tamanho não interessa a ninguém!
O que vale é a qualidade!
PS - Estou falando do texto...
Muito bom!!!
Medo da cobrança feminina
Tanto na área psíquica, como na questão sociológica, a vaidade é sem dúvida nenhuma um dos pontos individuais mais reforçados em nossa era, não sendo mais exclusividade do universo feminino há muito tempo. Assim como o tamanho dos seios ou outro aspecto estético da mulher, o homem atual, paralelamente tem desenvolvido uma preocupação quase que obsessiva em relação ao tamanho do bimbo. Por isso há uma proliferação criminosa inclusive via net, de cirurgias ou aparelhos que prometem o aumento do bilau, com sérias conseqüências para a saúde do indivíduo. Além da questionada eficácia de tais técnicas, temos de perceber o aspecto ético no contexto citado. Tanto a medicina, como qualquer profissional da área da saúde não podem contribuir para a alienação ou coisificação da sexualidade humana. O sexo sempre teve uma conotação política, devido ao caráter de influência e poder sobre outra pessoa. Apenas para a personalidade narcisista e ambiciosa a grandeza em qualquer setor é importante. O problema maior é o complexo de inferioridade decorrente das disputas sociais apontadas. Nossa era (da sociedade do espetáculo) impede a descoberta das verdadeiras necessidades pessoais, nos tornando seres gregários e amorfos, na busca da aceitação do meio. O tamanho do órgão ou da conta bancária é a condição que se coloca para sermos amados, e todos partem para tal corrida insana. Infelizmente todos estão à busca do que é valorizado em termos sociais, abrindo mão da maior dádiva humana: o poder pessoal. Se pensarmos em sexo, o poder sempre estará presente, e alguém que o delegou para uma "imagem coletiva", certamente sofrerá as conseqüências dessa escolha. Discutir o tamanho do pau não passa de um escapismo do verdadeiro problema psicológico e cultural: o medo terrível que o homem possui de uma cobrança feminina em relação à sexualidade, já que culturalmente esta última foi treinada para nunca reclamar.
Luca Maribondo
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