Damo-nos as mãos em troca de flores,
De um tempo a muito passado.
Que nosso amor releva quedas tão alto nos eleva.
Nesse tempo pouco, eu quase louco fiquei sem ti,
Teus desejos confessas ao vento e o martírio é nosso conviva.
Mesmo assim, querida, amada, desejada,
Esperada e acalentada de meus sonhos.
Dizes: “Seria um momento mais duradouro em meu corpo e alma, do que uma vida”.
O peito arfante aspira coragem, penso. Repenso.
Insisto comigo mesmo que devo dizê-lo:
E és tu quem fala, rindo de formoso modo.
Dizes: “quero fazer amor e viver amor com você!”
Apague o cigarro, já! Estás vestida. Dispa-se!
O cabelo preso, solta-os! As janelas fechadas, abra-as!
Deixa a brisa fresca entrar. Estarei contigo, já!
O ventilador do teto espreita meus pés tocar os teus,
Diminutos, assemelhados a delicados...
Repousas em meu braço.
Fecho os olhos, sinto o teu perfume... Inebria.
- você me deixa alucinada... doida.
Eu toco leve teus seios. Tímido. Sinto-os em frêmito sutil.
Eriçados os mamilos róseos.
Imagino que o desejo os move. Enternece a mim.
Sinto teu ventre afligir leve. Conforto a mão nele, trêmulo
Quero encontrar teus segredos mais íntimos.
Eu sussurro na tua orelha e brando roço lábios
E língua que me quer saltar da boca.
E agora nada me dizes?
Nada.
É chegado um outro cálice de vinho.
E também morangos.
E uvas e amoras...
“Senti teus toques, teus lábios quentes, tuas mãos em meus segredos, já tão teus...”
Arrepia tuas costas desnudas esse gelo que vai gotejando.
Desde o cálice que te alcanço e te eriçam o velo.
Penso se já não custa, muito tarde, beijar-te.
Enfim e longamente e deixar-me, tu, explorar tua boca.
O movimento ligeiro da língua. E lentos dos lábios e...
És já molhada de desejo...
[Casal em enlevo molha-se, sua o mesmo suor]
Cores esfuziam-lhes os olhos aos penetrarem-se os vãos todos
Dos corpos no modo de "amar sem metáforas, desenhos,
No vocabulário dos amantes...”
[São já, então, apenas um]
E aquele beijo tão ambicionado, quente.
Lábios macios, molhando os meus.
Empolgam-me a querer-te mais.
E mais querendo, sendo então
Um homem enfim feliz a abrir os olhos.
E percebendo teu sorriso manso
A esparzir beleza os lábios túmidos de prazer.
Os teus céus todos inflamados em gozo
O corpo em frenesi convulso a latejar...
As preliminares ao coito, suaves, preparavam as cadeias.
Para que pudesses sentir-te prendendo-me,
Sorvendo eu o teu bálsamo.
Acariciando tuas formas cobiçadas.
És agora em frêmito. Estás comigo em êxtase.
Nós nos movemos já em um único compasso...
Lento, ma non troppo.
Cerro os olhos novamente e estou nos céus
Exelente ilustração, exelente texto, e ótimas confissões ao vento! Pasrabéns
raphaelreys · Montes Claros, MG 8/2/2008 09:51
Que maravilha...Para que pudesses sentir-te prendendo-me,
Sorvendo eu o teu bálsamo.
Acariciando tuas formas cobiçadas.
Do que sabe o vento, nem queiramos terço saber Raphael. Grato.
Maravilha e prazer juntos é prefita tradução de supimpa. Fico todo pimpão, Sílvia. Agradecido.
Este retrato deixa agente sem saber o que apareceu primeiro: a ideia do texto se juntou ao retrato, ou vice-versa.
Esta tua singeleza e sutileza em estabelecer o diálogo é um verdadeiro aprendizado,
um abraço, andre.
Lindo Papá!
Parece-me colimada a ambição de Pã e Syrinx.
[ "Cedei, formosa ninfa, aos desejos de um deus que pretende tornar-se vosso esposo (conforme Ovídio)].
Sem labirintos. Reto e decidido.
E um grande e macio sonho fofo como as nuvens quase a se desfazer.
É uma brevidade intensa, porém.
Eterna, quase, se isso houvera.
Suave e gentil crença na possibilidade de aguardada oportunidade, quiçá já colimada, como mesmo tu dirias.
É uma deusa outra ela, a que te referes, ou suscitou em ti o sopro da ode flauta doce por empatia à distância tão pouco que impulsa o frenesi?
É assim que meu Papá sempre diz que deva ser e concordo com entusiasmo: intenso e suave.
Beijin com muito, muitíssimo amor.
Muito meigo teu comentário, Juli, querida. Vejo que nos contuinuamos amando muito. Meus respeitos. Agadecido.
Mestre André,
Desta feita a vênus me encantou antes. A ninfa da foto chegou-me depois, por acordos com as musas. Grato.
Vejo que nos continuamos amando muito... Agradecido.
(perdão)
oi... Seu Adroaldo há mt querer nos encontros, revelações do corpo feminino, intrincados labirintos,respingos sensuais, um desenho que lembra os outonos do filme que acabei de assitir em tela grande o Amante de Lady Chaterlley. Um poema de amantes. É isso. Agradecida pela visita.
analuizadapenha · Natal, RN 10/2/2008 21:17
Tem de que não, menina linda. Foi um bom momento no meu entardecer chuvoso. Grato.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 10/2/2008 21:37
O gozo de quem ama e sabe dos "labirintos" dos corpos em êxtase.
Maravilhoso!
beijos
Se maravilhaste, Saramar, em gozo resto. Grato.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 11/2/2008 08:33
que bonito, Bauer.
amor e tesão de mãos dadas é mesmo pura poesia.
bj
Prazeirosa a circunstância
em que a poesia concreta
a turgescência acalentada
[tá bem Frann. Mas, és ainda mais bonita também em teus poemas, como agora em Putz acabo de comprovar pela tricentésima-nona vez em menos de um ano (tá bem, tá bem, o número eu chutei, mas é um latífúndio fecundo o teu produzir a luzir). Terno abraço e grande beijo]
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