O que fica, depois de uma noite em crise
é a expectativa de um dia novo
e sem rugas na testa.
Algo como uma festa com música lenta,
uma sopa que revigore,
a copa de uma árvore na qual se sobe.
Que o dia seja, além de tudo, um teste.
Que se prove à contra-luz o sabor da vida.
Que o dia seja vivo.
Se espera também que a jornada contenha:
prazer
lazer
fruição com bom tempero
tempo para o ócio
leitura desenfreada daquele grande anti-clássico
um Leminski, uma Alice, um Raduan, uma Hilda.
E, assim, feito o prato de letras, uma rede, um balanço, folhas murmurando histórias da relação com o vento, sol liqüefazendo suores e gelos, gestos singelos, beleza etérea.
No ar, falta apenas a vibração sonora plácida de uma cítara onírica.
Na terra, o germinar de uma semente bem quente.
No céu fiquem os anjos, e que, caso caiam, tenham asas pra subir de volta ou pás pra fazer uma viagem ao centro da Terra.
parabéns, felipe!!!
abraço,
Obrigado, Marcos. Abraço também.
Felipe Obrer · Florianópolis, SC 28/2/2007 11:47Bela fotografia e mais belas ainda as imagens poéticas, algumas sublimes. "E, assim, feito o prato de letras, uma rede, um balanço, folhas murmurando histórias da relação com o vento"... Que essa fruição seja não só contra-luz mas em plena luminescência da poética da vida que paira sob o Sol a pino. Parabéns!
Cida Almeida · Goiânia, GO 28/2/2007 12:24
Muito bom, grande Felipe!
Abraço!
Cida, teu comentário é obnubilante. Obrigado.
Carlos, como sempre, a gentileza em pessoa. Valeu!
Abraços.
Êpa, mas não quis escurecer nada.
Cida Almeida · Goiânia, GO 28/2/2007 17:45
Cida, não é bem isso que eu quis dizer... foi um jeito que encontrei de expressar minha sensação com a tua escrita, mesmo num comentário, sempre tão bem cuidada. Abraço e valeu mais uma vez.
Teu texto me embala
"como uma festa com música lenta".
Que bom poder em alimentear
desse "prato de letras".
Muito bom...
Pedro, obrigado pelo reconhecimento da nutrição. Abraço grande.
Gostei Felipe!
Só quisera que os anjos ficassem mais por aqui.
Bj
Roberta, gostei do humor do comentário. Abraço.
felipe,
tenho um grande amigo que me disse certa vez: mastiga tua crise. ele se referia ao fato de que, pra um artista, e pra um ser humano em última instância, os momentos de crise são, deveras, os mais importantes, pois deles podem decorrer as belezas mais sinceras, as visões mais audazes. tua prosa poética aqui, plena de um sabor inconfundível, para mim e para tantos, confirma esta teoria, numa despretensiosa receita de vida. parabéns.
abraços!
r
Renato, não que seja necessário ainda que eu tente definir ou adjetivar teu comentário, mas gostei da elaboração. É legal quando o retorno se dá de uma maneira reflexiva, e não apenas como elogio (sem desmerecer o simples elogio, que aliás pratico com freqüência aqui no overmundo).
Fico contente mesmo de ter uma "audiência" tão qualificada quanto a tua. Bom... sobre a crise: também li um cara que me influenciou muito que considera as emoções uma sabedoria da natureza. Digamos assim: ao surgir o desconforto, tenho um impulso pra me ver confortável outra vez, e pra isso posso ter que trabalhar, quebrar pedras, mergulhar no mar ou... escrever poesia. Fico em geral com a última opção. Também é verdade que de vez em quando varro o chão, lavo louça, mas prefiro a escrita como válvula de reencontro.
Abraço e obrigado pela visita.
felipe,
acerca de comentar, tenho algumas direções básicas - e particulares. também compartilho da opinião de que não há mal nenhum em apenas elogiar... mas a mim mesmo imprimo uma disciplina de feedback, baseado no raciocínio simples de que gostaria que fizessem o mesmo comigo. creio que muitos (não faço idéia de quantos) estão cá a publicar trabalhos no overmundo não apenas atrás de lisonjas, mas de diálogos que favoreçam o amadurecimento em seus processos criativos. não sei se sou uma "audiência qualificada", felipe!... talvez minha única qualificação (e que não me diferencia de ninguém, a priori) é a de ser um ser humano. ;)
abraços,
r
Renato, tuas palavras confirmam a tua qualidade (humana).
Abraço.
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