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DEPOIS DO SILÊNCIO!

Christian Frausto Bernal
1
Benny Franklin · Belém, PA
27/10/2007 · 204 · 22
 

Foto: Christian F. Bernal /Flickr/Creative Commons

(Depois de as lágrimas cessarem desoladas...)

1 - Que sejam expulsas todas as covardias dos dizeres;
Que sejam eliminadas todas as inconsciências em eterna ebulição;
Que sejam exorcizadas todas as nervuras das carnes estigmatizadas;
Que sejam dulcificadas todas as bolhas do café com leite,
Sobretudo aquelas bolhas em forma de touceiras
Endeusadas pela contra-execução de morte.
Ao contrário da vagina cubana,
Da iraquiana,
Da americana,
A chinesa é repleta de bala,
De contêineres e expiação!
.......................

2 - Lembro-os! Houve um tempo
Em que o mundo se resguardou de ir à forra.
Recusou-se a suplantar a prova dos nove,
Recusou-se de ir às novenas das terças.
Houve um tempo
Em que o homem se banhou em sangue, borra e curra;
Tostou-se à fé tal qual embriague da laqueadura.
Lembro-os! Não era agradável de ver o homem em fogosas lágrimas:
Porque acossado pela baioneta, espada e fuzil,
Porque acometido de tétano, náusea e sofreguidão,
Porque compadecido dos loucos medos semi náufragos,
Ficou impedido de desusar a sentença de morte
Que, ao contrário da israelense,
Da inglesa,
Da italiana,
A mexicana é repleta de angina,
De narcotráfico e culhão!
.......................

3 - Lembro-os. Houve um tempo
Em que podíamos comer fruta,
Beber do sexo, gozar na maniva -
E desmascarar plumea solidão!
Lembro-os. Houve um tempo
Em que podíamos beber da chuva
Ler a Bíblia, comer russa ogiva -
E ainda urinar na escuridão!
Lembro-os. Houve um tempo
Em que envelhecíamos poeta,
Pateta, alça de maleta puída, ereta,
E acordávamos penetrado de egípcia
Rapariga de seios e pernas alienígenas.
.......................

4 - Mesmo eu,
Sem ser poeta, pateta,
Troço de goma e papeleta, exegeta,
Lembro-os que não se podia morrer desmerecido à luz da escopeta,
Porque ante a gala que o vento inseminou-me á madrugada,
Eu lembrá-los-ia de que do seio direito da ogiva,
Incidiu-vos as colheitas fúnebres do tempo.
Mesmo eu,
Que soterrasse o poema
Ao som dos guarás, das cornetas
E das carnes maneiras.
Mesmo eu que,
Ao invés de silenciar-me ao som das caneletas,
Ao lamento das picaretas oriundas das pepitas fritas mercurizadas,
Eu berrá-los-ia que o mundo e as vaginas parisienses
Hão de ser só minhas!
.......................

5 - Mesmo eu,
Que pudesse - isto sim! - Enternecer-me de céu,
Que pudesse beber do mel que se resta estirado na esquina
Tal qual indigna flor do nascente em eterna ebulição:
Que pudesse sobreviver sem borra de café, sem leite,
Sem curra, sem dor.
Mesmo eu,
Que não seja reenviado à dor.
Que não borre a cor cristalina da algema fácil
- Este estigma do iletrado escombro.
Mesmo eu,
Que não desnude a pele verbal,
Que não deixe – isto sim! - De gozar na súbita vazão do teorema.
Que não anule a inspiração deste magro poema,
Ou a razão!

Benny Franklin

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Autoria
Benny Franklin
Ficha técnica
Poesia paraense.
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Saramar
 

Magnifíco!
Tempos da dor, da guerra que matam outros do amor, do gozo, do céu dentro dos olhos.
"Os homens são o lobo dos homens", lembra-se disso?

beijos, volto.

Saramar · Goiânia, GO 25/10/2007 12:20
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Cintia Thome
 

Benny
Nobel ou Oscar....

Tal qual indigna flor do nascente em eterna ebulição:
Que pudesse sobreviver sem borra de café, sem leite,
Sem curra, sem dor.
Mesmo eu,
Que não seja reenviado à dor.
Que não borre a cor cristalina da algema fácil
- Este estigma do iletrado escombro.
Somos mesmo assim..mesmo nada, mesmo tudo, mesma merda, mas mesmo pão...
abçs.

Cintia Thome · São Paulo, SP 26/10/2007 20:22
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Saramar
 

Vim votar e guardar entre os melhores.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 27/10/2007 10:23
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Cintia Thome
 

Beijos e bom fim de semana Benny.votado.
OS HF

Cintia Thome · São Paulo, SP 27/10/2007 11:24
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Nydia Bonetti
 

Benny,
O que nos trará o futuro, depois das lágrimas e dos silêncios...
Abçs.
Nydia

Nydia Bonetti · Campinas, SP 27/10/2007 17:32
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azuirfilho
 

Mais uma Obra consagradora.
Merecedora de toda exaltação.
Maior orgulho ser do Overmundo pra gente poder um trabalho desses louvar.
Extraordinário e esta em lugar Certo.
Parabéns por sua genial inspiração.
Receba um grande Abraço.

azuirfilho · Campinas, SP 27/10/2007 17:52
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Lígia Saavedra
 

Benny, meu fim de semana será teu, dedico-te.
Houve um tempo...
Bjs e um ótimo fds prá ti gozando bem o feriado de segunda.
Bjs

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 27/10/2007 19:29
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Noelio Mello
 

Benny.
Fantástico, parceiro, simplesmente fantástico.
Abraços
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 27/10/2007 20:29
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Marcos Paulo Carlito
 

Benny,

Muito legal, as bolhas do café com leito estão ótimas!!!

Grande abraço e votado!

Obs.: recebeu a carteirinha?

Marcos Paulo Carlito · , PR 27/10/2007 20:32
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anamineira
 

Benny, parabéns mais uma vez. Você me transporta para um mundo surreal.
Sempre admirada, sigo aqui no Over, conhecendo poetas assim como você: Extraordinário!
Abraço.

anamineira · Alvinópolis, MG 27/10/2007 20:51
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victorvapf
 

Ja vi e ja votei, e que meu comentario nao saiu...achei exelente trabalho, Parabens, o meu voto ja foi dado!

victorvapf · Belo Horizonte, MG 27/10/2007 21:10
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victorvapf
 

victorvapf · Belo Horizonte, MG 27/10/2007 21:46
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victorvapf
 

Benny eu nao estava logado, votei

victorvapf · Belo Horizonte, MG 27/10/2007 21:46
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Cintia Thome
 

Benny...
Ao lamento das picaretas oriundas das pepitas fritas mercurizadas,
Eu berrá-los-ia que o mundo e as vaginas parisienses
Hão de ser só minhas


Quero sempre mais...Mandei e mail da capa

Cintia Thome · São Paulo, SP 27/10/2007 21:55
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Rubenio Marcelo
 

Realmente, um grande poema!
Gostei e votei!

abrs,

Rubenio Marcelo · Campo Grande, MS 28/10/2007 04:07
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Marcelo Bretton
 

Benny,
Reminiscências de belicosidade insuspeita quando pranteias pelas memórias já derramadas. Uma insalubre nostalgia contraposta pela certeza de que esteves lá e desembainhastes tuas vontades, e quando já perto do fim se utiliza das forças exauridas para defender o teu périplo testemunhal. Um coquetel agridoce de uma outrora decantada com o seu talento de sempre. Abs do amigo e fiel escudeiro da tua prosa.

Marcelo Bretton · São Paulo, SP 28/10/2007 07:29
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Robert Portoquá
 

Um registro...Um alerta... Um grito... Um sussurro... Um testemunho... Um dossiê...?
Um poema!
Olá Benny!
Abçs.

Robert Portoquá · São Paulo, SP 28/10/2007 09:27
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arlindo fernandez
 

Grande Benny!
é um dos poemas mais aterradores que li - obra prima.

saudações dos pantanais

arlindo fernandez · Campo Grande, MS 28/10/2007 11:27
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Juliaura
 

A úteros possíveis de parir a vida
preferiram dar luz à morte
e ao silêncio a voz das tumbas

---
beijin, Benny

Juliaura · Porto Alegre, RS 29/10/2007 10:56
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Andre Pessego
 

Meu Grande Poeta - (soberbo: pedinte; sublime: atróz)
- Houve um tempo sim, que nestas terras do Brasil, comia-se almoço de letras do menu francês; gastava-se fortunas peles histórias das vaginas (das) frncesas, sim;
_ Houve um tempo sim, que de sangue e dor da vida da pessoa africana; ouviu-se urros de homens (nobres) e sussurros de mulheres (negras) no amassar do clitóris brilhante e sintilante qual jaboticaba, de cujo caldo de cultura forjou esta Nação, ainda com a cara da dor.......
Todo este esforço para te dizer parabens, que mais.....
um abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 29/10/2007 16:09
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Higor Assis
 

Olá Benny,

gostei deste teu poema. Acredito ser um esporro, que por muitas vezes fica trancado dentro do ser e só é ouvido com magnitude quando é escrito com paixão e com uma construção desbravadora como essa.
Parabéns!

Higor Assis · São Paulo, SP 29/10/2007 17:07
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Candice Gonçalves
 

o teu grito de libertade ecoou o cariri inteiro!
a-mei! parabéns pelos belos versos em concreto chão.

abraços, amigo benny.
candice

Candice Gonçalves · Crato, CE 29/10/2007 21:41
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