Foto: Christian F. Bernal /Flickr/Creative Commons
(Depois de as lágrimas cessarem desoladas...)
1 - Que sejam expulsas todas as covardias dos dizeres;
Que sejam eliminadas todas as inconsciências em eterna ebulição;
Que sejam exorcizadas todas as nervuras das carnes estigmatizadas;
Que sejam dulcificadas todas as bolhas do café com leite,
Sobretudo aquelas bolhas em forma de touceiras
Endeusadas pela contra-execução de morte.
Ao contrário da vagina cubana,
Da iraquiana,
Da americana,
A chinesa é repleta de bala,
De contêineres e expiação!
.......................
2 - Lembro-os! Houve um tempo
Em que o mundo se resguardou de ir à forra.
Recusou-se a suplantar a prova dos nove,
Recusou-se de ir às novenas das terças.
Houve um tempo
Em que o homem se banhou em sangue, borra e curra;
Tostou-se à fé tal qual embriague da laqueadura.
Lembro-os! Não era agradável de ver o homem em fogosas lágrimas:
Porque acossado pela baioneta, espada e fuzil,
Porque acometido de tétano, náusea e sofreguidão,
Porque compadecido dos loucos medos semi náufragos,
Ficou impedido de desusar a sentença de morte
Que, ao contrário da israelense,
Da inglesa,
Da italiana,
A mexicana é repleta de angina,
De narcotráfico e culhão!
.......................
3 - Lembro-os. Houve um tempo
Em que podíamos comer fruta,
Beber do sexo, gozar na maniva -
E desmascarar plumea solidão!
Lembro-os. Houve um tempo
Em que podíamos beber da chuva
Ler a Bíblia, comer russa ogiva -
E ainda urinar na escuridão!
Lembro-os. Houve um tempo
Em que envelhecíamos poeta,
Pateta, alça de maleta puída, ereta,
E acordávamos penetrado de egípcia
Rapariga de seios e pernas alienígenas.
.......................
4 - Mesmo eu,
Sem ser poeta, pateta,
Troço de goma e papeleta, exegeta,
Lembro-os que não se podia morrer desmerecido à luz da escopeta,
Porque ante a gala que o vento inseminou-me á madrugada,
Eu lembrá-los-ia de que do seio direito da ogiva,
Incidiu-vos as colheitas fúnebres do tempo.
Mesmo eu,
Que soterrasse o poema
Ao som dos guarás, das cornetas
E das carnes maneiras.
Mesmo eu que,
Ao invés de silenciar-me ao som das caneletas,
Ao lamento das picaretas oriundas das pepitas fritas mercurizadas,
Eu berrá-los-ia que o mundo e as vaginas parisienses
Hão de ser só minhas!
.......................
5 - Mesmo eu,
Que pudesse - isto sim! - Enternecer-me de céu,
Que pudesse beber do mel que se resta estirado na esquina
Tal qual indigna flor do nascente em eterna ebulição:
Que pudesse sobreviver sem borra de café, sem leite,
Sem curra, sem dor.
Mesmo eu,
Que não seja reenviado à dor.
Que não borre a cor cristalina da algema fácil
- Este estigma do iletrado escombro.
Mesmo eu,
Que não desnude a pele verbal,
Que não deixe – isto sim! - De gozar na súbita vazão do teorema.
Que não anule a inspiração deste magro poema,
Ou a razão!
Benny Franklin
Magnifíco!
Tempos da dor, da guerra que matam outros do amor, do gozo, do céu dentro dos olhos.
"Os homens são o lobo dos homens", lembra-se disso?
beijos, volto.
Benny
Nobel ou Oscar....
Tal qual indigna flor do nascente em eterna ebulição:
Que pudesse sobreviver sem borra de café, sem leite,
Sem curra, sem dor.
Mesmo eu,
Que não seja reenviado à dor.
Que não borre a cor cristalina da algema fácil
- Este estigma do iletrado escombro. Somos mesmo assim..mesmo nada, mesmo tudo, mesma merda, mas mesmo pão...
abçs.
Beijos e bom fim de semana Benny.votado.
OS HF
Benny,
O que nos trará o futuro, depois das lágrimas e dos silêncios...
Abçs.
Nydia
Mais uma Obra consagradora.
Merecedora de toda exaltação.
Maior orgulho ser do Overmundo pra gente poder um trabalho desses louvar.
Extraordinário e esta em lugar Certo.
Parabéns por sua genial inspiração.
Receba um grande Abraço.
Benny, meu fim de semana será teu, dedico-te.
Houve um tempo...
Bjs e um ótimo fds prá ti gozando bem o feriado de segunda.
Bjs
Benny.
Fantástico, parceiro, simplesmente fantástico.
Abraços
Noélio
Benny,
Muito legal, as bolhas do café com leito estão ótimas!!!
Grande abraço e votado!
Obs.: recebeu a carteirinha?
Benny, parabéns mais uma vez. Você me transporta para um mundo surreal.
Sempre admirada, sigo aqui no Over, conhecendo poetas assim como você: Extraordinário!
Abraço.
Ja vi e ja votei, e que meu comentario nao saiu...achei exelente trabalho, Parabens, o meu voto ja foi dado!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 27/10/2007 21:10
Benny...
Ao lamento das picaretas oriundas das pepitas fritas mercurizadas,
Eu berrá-los-ia que o mundo e as vaginas parisienses
Hão de ser só minhas
Quero sempre mais...Mandei e mail da capa
Realmente, um grande poema!
Gostei e votei!
abrs,
Benny,
Reminiscências de belicosidade insuspeita quando pranteias pelas memórias já derramadas. Uma insalubre nostalgia contraposta pela certeza de que esteves lá e desembainhastes tuas vontades, e quando já perto do fim se utiliza das forças exauridas para defender o teu périplo testemunhal. Um coquetel agridoce de uma outrora decantada com o seu talento de sempre. Abs do amigo e fiel escudeiro da tua prosa.
Um registro...Um alerta... Um grito... Um sussurro... Um testemunho... Um dossiê...?
Um poema!
Olá Benny!
Abçs.
Grande Benny!
é um dos poemas mais aterradores que li - obra prima.
saudações dos pantanais
A úteros possíveis de parir a vida
preferiram dar luz à morte
e ao silêncio a voz das tumbas
---
beijin, Benny
Meu Grande Poeta - (soberbo: pedinte; sublime: atróz)
- Houve um tempo sim, que nestas terras do Brasil, comia-se almoço de letras do menu francês; gastava-se fortunas peles histórias das vaginas (das) frncesas, sim;
_ Houve um tempo sim, que de sangue e dor da vida da pessoa africana; ouviu-se urros de homens (nobres) e sussurros de mulheres (negras) no amassar do clitóris brilhante e sintilante qual jaboticaba, de cujo caldo de cultura forjou esta Nação, ainda com a cara da dor.......
Todo este esforço para te dizer parabens, que mais.....
um abraço
andre.
Olá Benny,
gostei deste teu poema. Acredito ser um esporro, que por muitas vezes fica trancado dentro do ser e só é ouvido com magnitude quando é escrito com paixão e com uma construção desbravadora como essa.
Parabéns!
o teu grito de libertade ecoou o cariri inteiro!
a-mei! parabéns pelos belos versos em concreto chão.
abraços, amigo benny.
candice
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