É a que faz do homem mendigo, é a que faz o homem rastejar, é a que o faz sussurrar mesmo quando a razão lhe dá voz de grito, que sufoca e põe sorriso amarelo no rosto sofrido. É a que curva a coluna e acovarda o olhar em perspectiva de rã, é a que invade os sonos em pesadelos revoltos, é a que aspira, sufoca e evapora os sonhos convertendo a vida em a espera da morte. É a que não dialoga, que não respeita intelectualidade, nem cultura, nem nacionalidade. É a que faz o estado ser a boca aberta, é a que faz o olhar ser trêmulo e com uma ânsia de imediatismo. É a que faz da crença algo vacilante, é a que faz das promessas meras palavras soltas, é a que faz do silêncio o único e inevitável amigo, é a que faz vender a alma ao diabo por moedas, é a que faz de qualquer pão um banquete romano, é a que faz de qualquer olhar um consolo divino, é a que faz de qualquer palavra um elogio de amor supremo, que faz do toque um retoque de Deus, faz da beleza uma agressão, do sexo uma sobrevivência, que faz da alegria apenas um substantivo feminino primitivo, que faz das coxas de uma prostituta mais acolhedor que o útero materno, que faz de qualquer amor barato um romance histórico, que faz da escolha simples um luxo nobre. É a que faz da dignidade uma placa para pregar na parede junto a tantas outras coisas inúteis, é a que faz do amor próprio uma piada hilariante sem direito à risada, é a que faz de todas as ausências, hiatos, sedes, interditos e os cimas sua definição. É a que faz da ingratidão, da falta de ética, da desonra, da desmoralização seus filhos queridos e faz da humildade uma filha rejeitada. É a que se faz de indesejada e inconveniente por saber-se inevitável a todo ser humano, que quebra as cristas e esfrega os rostos na lama até gritarem sua designação, e que não relaxa a tortura enquanto não é aclamada em bom tom. É a que começa a partir esnobemente soberba quando o sujeito arrasado, sangrado, destruído e desesperançado confessa seu nome: necessidade!
Enigma, descubra quem é ela e sua proximidade, se puder, é claro
Edu França,
Você já disse quem é ela.
Não é mais necessário dizê-la.
Belo texto.
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Gratíssima.
É a que começa a partir esnobemente soberba quando o sujeito arrasado, sangrado, destruído e desesperançado confessa seu nome: necessidade!
Texto simplesmente demais!
já descobri seu texto. a necessidade de ler e reler foi consequência.
Maria... · Blumenau, SC 26/9/2008 12:57Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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