Despedida em Alguns Atos.

1
Dora Nascimento · Olinda, PE
9/5/2008 · 150 · 16
 

Sinto.
Sinto que o amor
enraizou meus sonhos
dentro do sonho de poder te ter.
Sinto que os caminhos eram azuis,
e que havia pedras nestes caminhos...
Mas o amor me cegou,
e não vi pedras, vi sonhos.
Eu sinto,
que o caminho de pedras azuis
eu não trilho sozinha.
eu sinto que o amor
mesmo imaginário,
encontrou caminho
por entre os azuis
que contornam teu mundo,
cheio de caminhos
em que trilhas, sozinho,
sobre pedras e sonhos... azuis.

****************************** *********************** **********************
Eu amo você.
É um amor real....?
É dúbio, é louco,
É platônico e carnal.
É o céu todo,
bordando em tons
mundos azuis,
mares verdes, profundos...
Eu amo você.
E esse amor, é pura imaginãção...?
É raso e abissal,
é corpo e coração,
é fúria e mansidão.
Eu tenho meus medos,
eu tenho minhas vontades,
mas eu não tenho segredos.
Eu sou de alardes.
Sinto muito se já é tarde,
meu amor ecoa e arde,
entôa e eclode,
danifica e explode,
eu não luto
contra essa loucura,
que é muito, muito,
mais do que eu saiba narrar.
Eu mergulho,
eu sonho, eu naufrago,
eu sinto um teu afago
quando imagino um teu abraço,
quando imploro
em silencioso grito,
desejo contrito,
"Me abraçe..."
E eu sinto...
É assim....
Simples, louco, belo,
Reconfortante, etereo...
Ás vezes sufocante.
Assim.
E eu nego-me a omitir esse amor,
de você,
e muito menos de mim.
Não fique confuso,
não se assuste,
não tema,
não me condene,
se puder, entenda,
se não aceitar,
respeite.
Eu amo você...
E não precisa responder.

)()()()()))(()()()()()()()()()()()()())()()()()()()()()()()()()()()

Mais um dia opacamente iluminado,
Ar puro soprando paz,
Cai uma luz sobre o (a)mar verde,
Assim como uma canção
Cantada quase em silêncio
Entoando os sons da emoção.

Assim, essa manhã
Zunindo nossa distância
Unindo-se à desperança
Lapidada, azul e sã...

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||


Me dá um sorriso,
daqueles verdinhos,
soando como um carinho,
como a mão por dentro da roupa...
Só mais um apelo,
deixa eu tocar teu cabelo,
e te roubar um beijo,
e te colorir o sorriso,
e dizer-te tolices,
e te cantar uma bossa,
e te beber num café,
e te comer num petisco,
e te ler mais um verso,
e te dizer adeus.
Dá mais um verdinho
sorriso de mão-carinho
passeando por dentro da boca.

ddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd

São tantos perfis

Que de ti me dizem

Não mais que tuas palavras

Loucas, tolas, e boas palavras.

Mas me dizem muito também.

Tu me silencias,

Tal qual uma fotografia.

E em alguns dos teus lares,

Vejo que é dentro do teu olhar

Que estão os teus mais remotos

E secretos lugares.

Teus olhares são tantos,

De tons, e risos, e encantos,

Que quando saio

Dos teus lugares

Quase já não sei me achar.

E quando de volta

Em mim caio

São tuas mãos

Que em doces rosas de maio

Não me deixam

Cair abruptamente

Na realidade,

Não me deixando

Com os pés tocar muito o chão.

Tuas mãos

Deixam-me flutuar, e aos poucos

Teu corpo libera

Minha alma

De tão bom devaneio...

São tantas as tuas bocas,

Em diversas linguagens,

Boca porta de estalagem...

Boca gosto de apetite,

Boca porta fechada,

Boca de excessos.

Boca de vícios.

Boca sabor-delicias...

Boca carne-carícia,

Boca que se abre

Dentro do que sinto

Sinto... Sinto...

Boca teor-abissinto...

Boca em que te sinto

Homem em carne velada,

Com a tua boca

De perigosos sorrisos

Em passeios

Libidinosos

Pelos meus seios...

por meu umbigo,

tua boca de perigo.

Boca que cala

A minha boca

Seca, árida, perdida,

Em miragem

Da tua boca oásis,

Para a minha língua

Tão sedenta da tua saliva.

Eu poderia te traduzir

Em cada tua imagem

Que me levam à viagem

De te seduzir

Com uma poesia por dia.

Acho bom que saibas de ti

E que gostes de saber de ti,

O suficiente para gostares

De te mostrares em virtuais espelhos.

Porque assim

Tu te dás todo,

Sem te doares inteiro.

E me chegas,

E em mim entras,

Tirando-me dos meus lugares,

Para dentro dos teus espelhos.
E teus perfis,

E teus olhares,

E tuas bocas,

Trazem-me sutis

Sensações vulgares,

Destes teus lindos lugares,

Que me deixam

Cada noite,

mais apaixonada

e louca.



0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-


"Não
Nau,
Flagra não
o meu
naufrágio
no mar
intenso
destes teus
imensos
mundos
em presságios
de
A
B
I
S
M
O
S
que
me
atraêm...


(Eu queria me trancar em mim...)


Sobre a obra

Então...
Estou, daqui há 47hs
solicitando a desativação
do meu perfil.
Essa é a minha despedida
de todas as pessoas belas
que encontrei aqui.
Um forte abraço, e saudades.

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Saramar
 

Dora, intensa e doce aDor(á)vel poeta, seus versos de amor e entrega, abertos aos ventos, aos furacões do amor que tanto atormenta enquanto dá a vida e as flores, são emocionantes e belos.

São tristes suas palavras de partir.
Queria ter força para impedi-la, mas só posso pedir: não se vá. Não nos deixe sem você e sua desatada alegria, sem a beleza da sua poesia.
Por favor.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 7/5/2008 15:21
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clara arruda
 

Um lindo abismo de atrações.
Voltarei

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 7/5/2008 15:22
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Marcos Pontes
 

Uma pena que esteja de despedida justo na hora em que a conheço. De uma doçura, misto de saudade, presente e esperança. Lindíssimo poema.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 7/5/2008 17:48
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alcanu
 

Acho que você não deveria misturar as estações.
Abandonar o Overmundo é fechar as portas da amizade comigo e com centenas de pessoas que amam você !
Alcanu !

alcanu · São Paulo, SP 7/5/2008 19:08
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Dora Nascimento
 

Era outubro do ano da Graça de dois mil e seis,
e ela sequer pensava em escrever Fábulas.
O mais próximo de fábulas que ela ja havia criado,
Tinha sido uma historinha para narrar o nascimento
De uma Menininha da Lua.
A sua escrita sempre fora viceral, sarcástica e irônica,
Apesar de nunca abandonar um romantismo quase
Piegas, ou fútil, ou medíocre...
Entrou nesse mundo de universo dinamicamente
Expansivo e aliciante carregada pelas lânguidas
mãos de um anjo que escrevia poesias e romance,
e usava paleta com chumbo,
enquanto bebia café forte e amargo, para
Depois acender um cigarro.
Ele disse, "Vai ser bom para você".
Abriu a primeira porta, ela botou um nome fantasioso,
Emitiu um passaporte, mas não se interessava em abrir
Janelas, ou atravessar paredes.
Apenas passou a
Constar, a existir - quase como um fantasma - a ser
Mais um "link".
Até que um dia uma amiga a aconselhou a procurar
Portas literárias, criar sua própria porta, e deixar
ali suas crias.
Mas ainda preferia escrever cartas em papeis
Coloridos e temperados enviando-as aos seus
Destinos usando o recurso tradicional,
Os amigos a chamavam de "romantica".
Nao que não apreciasse o novo, o prático, o estantâneo.
Mas o mundo ali ainda lhe soava friamente estranho
E distante, e complicado. Ela sentia-se absolutamente
Inadequada e despreparada tecnicamente para estar
ali, naquele mundo feito de muitos portais, e janelas,
E janelas, e janelas...
Mas, ousada e incentivada pela curiosidade que foi
aos poucos aflorando, tal qual como uma criança
que descobre uma nova aventura dentro do seu
próprio mundo, seguiu entrando dentro daquele
Universo.
Um dia, resolveu procurar uma porta onde pudesse
Deixar suas crias, sem ter que abandoná-las,
Mostrando-as ao mundo sem abrir mão delas.
Era fascinante.
Como não tinha noção de por onde começar, foi
Entrando em portais pessoais, em alguns se demorava,
Em outros apenas olhava suas paredes em busca das
Informações que ela queria.
Foi assim que ela chegou num portal muito estranho,
E, como sempre fazia, olhou as paredes laterais, e ali
Viu um aviso em neon, e apertou seu dedinho sobre ele,
e caiu num quarto de uma grande casa.
Como o quarto pertencia ao dono do portal por onde
Ela havia entrado, e lá, nada a interessou, ela seguiu
Rapidamente para a sala de estar, e ficou eufórica,
Ela enfim havia encontrado o seu mundo dentro
daquele universo quase assustador de tão novo.
Entrou toda errada, cometeu gafes, mas não quis sair.
Foi ficando, errando, errando, até acertar.
Ela agora também tinha um quarto, uma sala, e um quintal.
Foi deixando crias antigas, porque estava na
Esterelidade que a acometera desde que o amor
se ausentara do seu coração, naufragado em
mares de poetas em bossas, reverenciados por
Um Cristo e muitas vias crucis.
Então um dia, deixou na sua sala uma cria nova,
E o dono do estranho portal, visitou o seu quintal.
Coisa rápida e tchau.
Em março ela descobriu que a estranheza dele era de
uma sencibilidade ímpar, e se emocionou.
Então fez o caminho de volta, entrou no portal dele
por um quarto escuro, e o amou.
E escreveu.
Depois de alguns meses, ela viu os olhos dele pela
Primeira vez, ai ela enlouqueceu, se apaixonou, e
Escreveu.
E o recriou, e se recriou, e era para ser um segredo,
Mas ela ousou.
Ela quis aprender a escrever fábulas, a aprender a
existir dentro daquele universo ao qual ele pertencia
desde a sua mais tenra idade.
Ela seguiu suas pegadas, abriu suas portas e janelas,
E quis ter uma casa apenas sua, onde ela pudesse dizer
a ele, claramente, sinceramente, honestamente, tudo
o que ela sentia, e o que não conseguia, transformava
em poesia, e deixava na sala da grande casa, como um
presente para todos os amigos que já fizera ali dentro.
E quase todas as crias que ela ali exibia, eram para ele.
Ela o seguia.
Deitava versos à porta dele, pensando que ali, seus
versos apenas parasitavam como heras verdejantes.
Um dia enfim, ela quebrou o segredo em carta
Eternizada, e enviou para ele...
Ai ela fez com quê ele a visse, e ele a viu...
Mas nunca a deixou saber com clareza, o que sentiu...
Ela ousou mais, e mais, e mais, até não poder mais.
Aí ele a calou...
Ela pensa que talvez não tenha entendido direito como é que
se vive dentro deste universo paralelo habilmente
criado para ser aliciante e encantador.
Um universo onde o encantamento é uma questão
de ponto de vista.
E o amor precisa ser cauteloso, omisso, medroso e disfarçado.
Onde tudo pode ser salvo ou excluído, convidativo
Ou repugnante... ou constrangedor...
Ela precisa abandonar a casa, apesar de ser uma
Casa muito grande, com muitos outros moradores,
Lindos, estranhos, esquisitos, belos, fascinantes...
No entanto, as amizades ficam, e há sempre a possibilidade
de um retorno.

Dora Nascimento · Olinda, PE 7/5/2008 19:35
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Branca Pires
 

Dora, pq estás sempre partindo?
Eu sei que como toda linda (an)Dorinha) estás empre voando de porto em porto...
Mas fique entre nós, voe sim, voe alto étereamente linda e azul, mas não se vá...
Pois sabes bem que o amor que habita em ti, te acompanhará por todo o sempre "portos" da vida.
Abração

Branca Pires · Aracaju, SE 8/5/2008 07:53
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Aepan
 

Excelente.
Airton
Estrela-RS

Aepan · Estrela, RS 9/5/2008 13:57
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BETHA
 

Dora,
que lindos seus textos, seu amor, sua nudez poética.
Vai, querida, mas volta!
Abçs de Betha.

BETHA · Carnaíba, PE 9/5/2008 21:05
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Robert Portoquá
 

Não entendi o porque.
Não sei porque.
Há de haver um porque.
Por quê?
Não Sei...
Não vá.
Se vais, leve um beijo...
E lembre-se ...
"no mundo há alguém que te ama"
Beijos.

Robert Portoquá · Adamantina, SP 9/5/2008 21:20
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victorvapf
 

Dora , belo trabalho, não sei o que dizer, não sou bom em despedidas, beijos

victorvapf · Belo Horizonte, MG 9/5/2008 23:25
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Benny Franklin
 

Querida, Dora!
- Sinto que tenha que deixar o Overmundo.

Apenas lhe peço que quando se for,
pense que o amanhã recarrega fôlegos
e nos manda de volta.

Volte, amiga!

Forte abraço,

Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 10/5/2008 12:10
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Carol~marimon
 

:O

Carol~marimon · Cuiabá, MT 11/5/2008 02:01
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Francinne Amarante
 


ah nem.. Dora!

não senhora!!!
tudo que é dor é foda..
até demora..
mas essa de ir embora?! (...)
pô! o que seria do poeta sem a dor?
sem o tal brilho do amor?
sem os desassossegos das idas e vindas?
sem as horas de silêncio e gritaria?
ousemos estar em movimento!
os ciclos passam
a dor também
e vamos celebrar a vida
tãobem!
levanta! apruma! anda!



beijo meu, viu?

Francinne Amarante · Brasília, DF 19/5/2008 01:31
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Adroaldo Bauer
 

Que faço eu, o coração ainda torto de um achaque forte, agora abalado e febril por esse teu postado que só hoje encontro, talvez já tarde, quando te procurei no teu quarto (no perfil), para um recado, para te dizer que vou me aranjando com meus medos e me recuperando?
Que faço eu que conversei contigo em um tempo atrás sobre estar aqui e gostar de estar aqui?
Que faço eu que recebi uma carta tua, uma longa, gentil, estimulante, fervorosa e gostosa carta tua sobre uma novela minha, que ainda não quisestes postar aqui e, se fugires de nós, sim: se fugires de mim e de nossos amigos, eu vou publicar aqui para que outros mais te conheçam ainda mais, que eu já a publiquei em meu blogue e, estando lá, está no mundo, não apenas em uma gaveta minha, porque ela é também minha, a tua carta.
Que faço eu?
Eu, Dora, que tanto te amo e tanto fiz para que recebesse também tu o meu amor, em verso, em prosa, em comentários aos teus versos, em resposta a teus gnerosos comentários em meus postados.
Sim, eu sei, isso aqui não é um sítio de relacionamento, mas que faço eu, Dora, que vou perder o convívio de uma alma que verseja e vicejando nos encontra em poesia?
O que eu posso fazer é pedir que deixes esse canto escuro, que te deste de castigo e volte iluminada, já!, a nosso convívio, para que o azul esteja aqui de novo.
Um beijo a_DORA_da.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 19/5/2008 16:01
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
wam nick
 

Deliciosos seus textos. Parabéns. se cuide.

wam nick · Recife, PE 21/6/2008 23:32
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wam nick
 

Votado. De quebra ainda vai para os meus favoritos, lugar para poucos.
Abração .

wam nick · Recife, PE 21/6/2008 23:34
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