BALBINOS
Saiu na Folha de S. Paulo (quando, em minha cabeceira, dormia a voz popular desse encantado Bandeira – o poeta de Pasárgada):
“… dados disponíveis (…) descartam
a ocorrência de homicídio doloso desde a
fundação da cidade, no dia 30 de dezembro de l953.
(…) A cidade tem um núcleo paulistano de
habitantes, chamado, informalmente, de
Vila São Paulo.
(…) Balbinos terá duas penitenciárias
compactas, para 1536 detentos.
A cidade tem 1339 habitantes.
(…) Para o prefeito, além de empregos,
as penitenciárias vão trazer dinheiro para a
economia do município”.
Gilmar Penteado – Folha de S. Paulo – rep. local – l8.12.05
Segundo a reportagem, a cidade (paraíso de urbanóides descontentes) não é tão longe de São Paulo; o que fez este paulistano, fiel e não menos desencantado, usando a voz de um dos presos, insistir em reenCantar:
Vou-me embora pra Metrópole
Cá sou ameaça ao sossego
Balbinos nem me conhece
Mas não quer me ver por perto
Vou-me embora pra Metrópole
Vou-me embora pra Metrópole
Cá pareço livre e contente
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que os mano das boas boca
Que dão bala pra as crianças
Vêm a ser minhas lembranças
Dos versos que nunca escrevo
E como farei assaltos
Andarei de carro-forte
Abrirei passagem a tiros
Montarei em patricinhas
Tomarei banhos de paz!
E quando já estiver morto
Levanto e volto pra cá
Mando chamar o prefeito
Pra poder agradecer-lhe
Por ter me deixado preso
Perto da Vila São Paulo
Vou-me embora pra Metrópole
Na Metrópole tem de tudo
É outra comparação
Tem um processo seguro
De impedir compreensão
Tem armamento automático
Tem munição à vontade
Tem pederasta indecisos
Pra a gente maltratar
E quando eu estiver muito louco
Mas louco de me cortar
Quando de noite meu dedo
Resolver me masturbar
Cá sou ameaça ao sossego
Balbinos nem me conhece
Mas não quer me ver por perto
Vou-me embora de Balbinos.
Wancisco Franco
dez/2005
...em minha cabeceira, dormia a voz popular desse encantado Bandeira – o poeta de Pasárgada!
De manhã Balbinos...
E quando eu estiver muito louco
Mas louco de me cortar
Quando de noite meu dedo
Resolver me masturbar
(...)
Vou-me embora de Balbinos.
Sei como é. as vezes da vontade de ficar alienado mesmo, né?
mas como jornalista q sou, meu poeta, não dá. Tenho q acordar e piblicar "nojeiras" como essas q vc mencionou. Ossos do oficio.
imprensa marron. sabe como é, né?
adorei sua critica severa e poetica.
e se vc me convidar... irei com vc, rsrsrsr.
bjssssss ;)
Quantos pensam desse modo, não é? Pensam, planejam e agem.
Muito bom. Ivette G M
Legaaaaaaaaaaaaaaallllllllllll, aplauso de pé, volto para votar!!!
valeu!!!
belíssimo um trabalho impar, depois eu volto.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 8/2/2009 09:56
Gostei. Mas vou mesmo no sentido contrário, pra onde ainda tiver horizonte. E você não falou das enchentes.Abraço.
Vasqs · São Paulo, SP 8/2/2009 13:19
É, as vezes dá mesmo uma vontade de colocar o mundo na marca do pênalty, contar até três e chutar...ou talvez nem contar...
Mas...uma andorinha não faz verão...e na vida, fazemos muito mais coisas que não gostamos do que coisas que gostamos...
Ossos do ofício, como disse a Claudia!
Mas o seu texto é muito bom!
Bjs
Wancisco franco,
As vezes o paraiso está tão perto e não conseguimos enxergar, deve coisa do destino.
Abraços
wancisco franco · São Paulo
DEU NA FOLHA
Tem tudo a ver com tudo e nada foi perdido.
Muita criatividade e beleza foi uma conteporanizacáo da Obra Pasárgada, do poeta Bandeira .
Ficou extraordinário com o mesmo tom solene e heróico.
...Mando chamar o prefeito
Pra poder agradecer-lhe
Por ter me deixado preso
Perto da Vila São Paulo
Vou-me embora pra Metrópole...
Parabéns.
Abracáo Amigo
Azuir!
Seu comentário muito me conforta.
Embora apreciáveis e entusiasmantes, os comentários acima vinham passando-me a impressão de que não fui capaz de deixar clara a rasgada intenção de parodiar o clássico/popular poema de Bandeira.
Sou meio entusiasta da paródia (quando respeitosa e bem cuidada) como gênero literário.
No caso, procurei usar tal gênero como instrumental poético de crítica ao conteúdo reportado pela Folha.
Obrigado por suas palavras e as dos demais colegas.
Valeu!
Citadinos de Balbinos, a paulistanos unidos, farão a transformação do cárcere em privada. E as casas de mansão, vão virar as malocas queridas... saudosas, degradeadas, eletrificadas, casamatadas, amentrancadas de metralhas e cãozaradas de sair de lá de helicóptero pro céu.
Balbinos cairá sem tiros, feito Maginot... imagina?!
Não há mais rei pra ser amigo.
wancisco franco · São Paulo (SP
DEU NA FOLHA
Amigo Querido eu ví isso que voce respeondeu.
O que eu falei ser uma conteporanizacáo, eu quis dizer a sua interpretacáo, a paródia em Sí (náo tem nada a ver de Musical).
Quando eu falei que nada foi perdido eu, quis dizer que a nobreza do texto foi respeitada po nós dois..
Náo Desonramos nada, por isso que falei solene e heróico.
Muito belo o seu trabalho e o Original do grande Bandeira.
Nós Poetas amamos muito e entáo é fácil de respeitar.
Valeu demais.
Quero e conservar para sempre essa sua táo nobre Amizade
Meu amigo querido, receba um abracáo Fraterno.
Claro que vc foi capaz de parodiar
Não conheço Sampa,mas vejo pela TV os acontecimentos
Beijogrande!
W.Franco agradeço aqui sua visita ao meu poema.
Agora sobre o seu texto;
“Sugar do nosso mundo real palavras sólidas e poéticas não é tarefa fácil. Um poema calcado em Bandeira muito menos, um alicerce e tanto, construindo um edifício linear e seguro. Mais pelo visto quem nos passa essas letras conhece o terreno em que pisa”.Belo poema W.F. Volto.
abç
AUT!
Wancisco, gostei da "crueza" das palavras, um retrato de cotidiano das grande metrópoles, se bem que até as cidades menores já estão sofrendo com as incertezas que adveem da violência. Votado!
Gilbson Alencar · Brasília, DF 9/2/2009 11:01Wancisco, é o cotidiano retratato na poesia. Votado. Parabéns
su angelote · Jaboatão dos Guararapes, PE 9/2/2009 11:59
corra, corra, w. franco! Balbino não te pertence...
muito bom, muito bom!
abraço,
ótima critica, impressionante!
mais uns votinhos...
parabens.
beijos
votando em sua inspiradissima parodia critica e social.
bjssssss ;)
Basturbar-se com dedo? Ś;ó se for com o dois que dá.Um só não é possível tá!
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 9/2/2009 15:27
VOTADO, COM VIEEMENCIA, DIGA-SE DE PASSAGEM...
ABÇSSSSS
Balbinos fica aqui perto de Bauru... Por que o prefeito não se rejubila com a construção de escolas, de casas populares, com a criação de novos empregos?
Você viu meu texto (Não o chame de poema, não) A Revolta dos Bárbaros? Foi motivado por essa mesma estupefação de que v. foi tomado. E que Deus nos ajude.
abs.
Oi Wancisco!
Tudo bem!
O mundo imaginário é profundo,
a vida real é imaginária e louca,
a poesia é o caminho entre ambos,
extremidade, ousadia, audácia
que liberta o espírito,
através do avesso mundo da arte.
Parabéns uma forte crítica.Votei!
Um abraço!
Dalila
o goso inteso dos humanoideis reamente nao da mais pra viver lá em pasargada hoje ter virado um metrópole e melhor ir empora mesmo votado muito criativo gostei mesmo um abraço
arnaldo cavalle · Jaboatão dos Guararapes, PE 12/2/2009 11:55
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