Devaneios Suburbanos

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jair · Manaus, AM
17/5/2007 · 79 · 9
 

0:13 min – Do alto da laje não se percebe a reverberação lunar, nem os flamejantes astros celestiais, vê-se apenas o panorama geral de um diminuto universo litorâneo.

Do seu espaço privilegiado, um jovem suburbano observa a pracinha na penumbra: as lembranças de infância passeiam pelos bancos hoje velhos e quebrados, pela escorregadeira em forma de bota que há muito tempo não está mais lá, pela carroça de quebra-queixo e paçoca e pela igreja de Nossa Senhora do Ó. No campinho, onde costumava bater os seus “babasâ€, na infância, um grupo acende suas brasas tranqüilas. Um trem de carga passa lentamente , seguindo o destino da sua viagem, só se percebe as luzes vermelhas de alerta e o barulhento e redundante sino .

Deitado na lona áspera do velho vagão, ele passeia pelos caminhos obscuros da noite suburbana: admira as silhuetas de árvores centenárias, observa os casebres de avarandados semi iluminados por lâmpadas amareladas e carregadas de mosquitos, as luzes frias e opacas desnudam porções de salas silenciosas, sofás vazios e tv`s desligadas.

Silenciosamente, o jovem, perdido em seu pequeno universo, testemunha os igarapés transbordando suas águas por debaixo da ponte de ferro e cimento cru, desaguando os seus dejetos líquidos num imenso breu. E se ele descesse do grande vagão e caminhasse até o final daquele silêncio, aonde chegaria ? teria algum alento, alguma resposta ou voltaria tão vazio quanto quando se aventurou na jornada, e no final perceberia que não há resposta nem no céu, nem na terra, não existe alento, nem dentro, nem fora dele , apenas contemplação e ilusionismo, pois as estrelas cadentes não trazem respostas, o silêncio não trás respostas, a madrugada fria não trás respostas, só vazio, só um silencioso breu que apenas aguça as dúvidas existenciais. Os porquês não necessariamente precisam ser respondidos e só resta ao suburbano conjecturar altiplanos deíficos para aplainar os interrogatórios mentais que se multiplicam e transbordam no negrume silencioso da noite.

As questões da existência continuam perturbando a sua consciência: Aonde levaria aquele rio? Seguiria até o deságüe ou não cessaria enquanto existisse o último fio de energia? E, quando esta última gota de energia cessasse, o rio continuaria seguindo, seguindo, seguindo até não encontrar o seu destino ou sucumbiria engolido pelas águas salgadas de um mar sem fim?

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Autoria
Jair Chagas
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Pedro Monteiro
 

Sim senhor Jair!
gostei.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 16/5/2007 23:44
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jair
 

Veleu Pedro. Quando tiver textos no site, sinalize!!!

Abç

jair · Manaus, AM 17/5/2007 12:07
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Marluce Freire Nascasbez
 

jair,

Muito bom mesmo!

Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 17/5/2007 16:21
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jair
 

Ok Marluce!!! Essa busca pelo sentido da vida às vezes nos angustia tanto, que é bom escrever um pouco para atenuar a ansiedade!!!

jair · Manaus, AM 17/5/2007 17:36
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Marluce Freire Nascasbez
 

jair,

Belíssima colocação, sou adepta dessa tese...

Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 17/5/2007 18:21
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carlos magno
 

Muito bom este teu texto, Jair, parabéns.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 19/5/2007 19:18
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jair
 

Valeu Carlos. Tentei exprimir uma visão intimista do pobre, que foge um pouco da regra geral, que pinta a periferia com a cores da violência visceral. Tento falar um pouco da violência existencial, de estarmos num mundo sem propósito, sem objetivos, sem saber os porquês...E esses questionamentos atingem pobres e ricos, pretos e brancos, em Manaus ou no Rio de Janeiro.

Abraços

jair · Manaus, AM 21/5/2007 10:08
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carlos magno
 

É, Jair, este teu texto nos leva a uma profunda reflexão sobre as questões das difererenças sociais que tem atingido principalmente as classes inferiores desse país. O pior é que nós ainda não encontramos nenhuma perspectiva para solucionar este problema. Continúe fazendo trabalhos como este texto maravilhoso que você escreveu que é sem dúvida uma bela contribuição. Mais uma vez, parabéns, Jair.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 19:02
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tatto
 

OLÃ, Jà VOTEI. TAMBÉM PRECISO DO SEU VOTO NO RAPP DO INDIVIDADO. OBRIGADO. TAMBÉM ESTOU NO www.YOUTUBE.COM.
HUMURISTA.
ABRAÇOS ZÉ DO CÓRGO.

tatto · Valinhos, SP 26/3/2008 23:15
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