0:13 min – Do alto da laje não se percebe a reverberação lunar, nem os flamejantes astros celestiais, vê-se apenas o panorama geral de um diminuto universo litorâneo.
Do seu espaço privilegiado, um jovem suburbano observa a pracinha na penumbra: as lembranças de infância passeiam pelos bancos hoje velhos e quebrados, pela escorregadeira em forma de bota que há muito tempo não está mais lá, pela carroça de quebra-queixo e paçoca e pela igreja de Nossa Senhora do Ó. No campinho, onde costumava bater os seus “babasâ€, na infância, um grupo acende suas brasas tranqüilas. Um trem de carga passa lentamente , seguindo o destino da sua viagem, só se percebe as luzes vermelhas de alerta e o barulhento e redundante sino .
Deitado na lona áspera do velho vagão, ele passeia pelos caminhos obscuros da noite suburbana: admira as silhuetas de árvores centenárias, observa os casebres de avarandados semi iluminados por lâmpadas amareladas e carregadas de mosquitos, as luzes frias e opacas desnudam porções de salas silenciosas, sofás vazios e tv`s desligadas.
Silenciosamente, o jovem, perdido em seu pequeno universo, testemunha os igarapés transbordando suas águas por debaixo da ponte de ferro e cimento cru, desaguando os seus dejetos lÃquidos num imenso breu. E se ele descesse do grande vagão e caminhasse até o final daquele silêncio, aonde chegaria ? teria algum alento, alguma resposta ou voltaria tão vazio quanto quando se aventurou na jornada, e no final perceberia que não há resposta nem no céu, nem na terra, não existe alento, nem dentro, nem fora dele , apenas contemplação e ilusionismo, pois as estrelas cadentes não trazem respostas, o silêncio não trás respostas, a madrugada fria não trás respostas, só vazio, só um silencioso breu que apenas aguça as dúvidas existenciais. Os porquês não necessariamente precisam ser respondidos e só resta ao suburbano conjecturar altiplanos deÃficos para aplainar os interrogatórios mentais que se multiplicam e transbordam no negrume silencioso da noite.
As questões da existência continuam perturbando a sua consciência: Aonde levaria aquele rio? Seguiria até o deságüe ou não cessaria enquanto existisse o último fio de energia? E, quando esta última gota de energia cessasse, o rio continuaria seguindo, seguindo, seguindo até não encontrar o seu destino ou sucumbiria engolido pelas águas salgadas de um mar sem fim?
Sim senhor Jair!
gostei.
Veleu Pedro. Quando tiver textos no site, sinalize!!!
Abç
jair,
Muito bom mesmo!
Marluce
Ok Marluce!!! Essa busca pelo sentido da vida às vezes nos angustia tanto, que é bom escrever um pouco para atenuar a ansiedade!!!
jair · Manaus, AM 17/5/2007 17:36
jair,
BelÃssima colocação, sou adepta dessa tese...
Marluce
Muito bom este teu texto, Jair, parabéns.
Carlos Magno.
Valeu Carlos. Tentei exprimir uma visão intimista do pobre, que foge um pouco da regra geral, que pinta a periferia com a cores da violência visceral. Tento falar um pouco da violência existencial, de estarmos num mundo sem propósito, sem objetivos, sem saber os porquês...E esses questionamentos atingem pobres e ricos, pretos e brancos, em Manaus ou no Rio de Janeiro.
Abraços
É, Jair, este teu texto nos leva a uma profunda reflexão sobre as questões das difererenças sociais que tem atingido principalmente as classes inferiores desse paÃs. O pior é que nós ainda não encontramos nenhuma perspectiva para solucionar este problema. Continúe fazendo trabalhos como este texto maravilhoso que você escreveu que é sem dúvida uma bela contribuição. Mais uma vez, parabéns, Jair.
Carlos Magno.
OLÃ, Jà VOTEI. TAMBÉM PRECISO DO SEU VOTO NO RAPP DO INDIVIDADO. OBRIGADO. TAMBÉM ESTOU NO www.YOUTUBE.COM.
HUMURISTA.
ABRAÇOS ZÉ DO CÓRGO.
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