“Deveriamos ser todos K-Paxianos ?”

k-pax.com
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andremartins · São Paulo, SP
29/4/2008 · 44 · 3
 

“Deveriamos ser todos K-Paxianos ?”


“"What kind of world is forming now, beyond this winter of war and sorrow, of poverty, pollution and death?”

Dadi Janki,

Qual é o caminho que o mundo está tomando? Uma pergunta simples que, com toda certeza, não possui uma única resposta, pois ninguém é capaz de construí-la sozinho. Mas não é por ser difícil que não devemos – diria necessitamos – pensar a respeito. Todos nós, sejamos novos, mais velhos, ricos, pobres, doutores em universidades ou autodidatas da vida, cada um de nós quer, no fundo de seu coração, apenas uma coisa: ser feliz. A busca da felicidade é o resumo da história humana, e, paradoxalmente, traz à tona histórias de guerras, sacrifícios, mortes, dores. Em nome da felicidade, o homem mata, aniquila, destrói, corrompe, vilipendia, usurpa, sendo capaz de ir ao extremo da ganância e do orgulho com seu próximo.

Atualmente, dentro do mundo corporativo, hi-tech e totalmente online, as guerras e o derramamento de sangue mudaram, ao menos um pouco, de foco. Hoje homens e mulheres lutam pela manutenção do poder, pela imposição econômica, pela exploração dos recursos em nome de uma vida moderna, uma vida mais “feliz”.

Recentemente, eu assisti a um filme que, não somente tem uma história bacana e excelente direção, mas coloca a cabeça para funcionar… O nome do filme é “K-Pax”, uma produção recente co-estrelada por Kevin Spacey e Jeff Bridges. Spacey é “Prot”, que aparece literalmente do nada e é encaminhado para um hospital psiquiátrico, onde Bridges atua como médico. No desenvolver da história, um a princípio mentalmente problemático Prot mostra-se um dos seres mais lúcidos e incrivelmente inteligentes que o psiquiatra já encontrou. Com uma filosofia original, libertária e não–padronizada, Prot sempre está escrevendo um tipo de relatório, apontando as esquisitices e peculiaridades do homem moderno e seu mundo “normal”.

Um dos comentários mais contundentes que Prot faz é “a quase completa falta de habilidade (ele usa exatamente esta palavra) que os seres humanos têm de perceber, de entender, de pensar no que eles estão fazendo ao seu próprio planeta, colocando-os na borda da extinção”. Sob uma visão de um ser extra-terrestre, Prot consegue ver, mas não consegue entender, como nós, seres humanos, habitantes deste planeta, conseguimos acordar, ir trabalhar, estudar, consumir, produzir e estragar, todos os dias, os recursos naturais, todos eles “esgotáveis”… por mais que pareça que a água potável, o petróleo, o gás natural, os minérios, os peixes, enfim, por mais que tudo isso e muito mais pareça inesgotável, que nunca irá acabar, tudo isso está, exatamente agora, enquanto eu escrevo estas palavras, chegando perto do fim.

Nunca estivemos tão perto disso. Seja a camâda de ozônio, seja pássaros raros, animais em extinção, seja água, minérios, energia natural, tudo está sendo (ab)usado pelo homem no seu limite, para a produção de bens, para a construção de mais e mais coisas, a manufatura de mais e mais carros, relógios, celulares, iPods, Blackberry´s, para o consumo de mais e mais bateria móvel para mover, ligar e fazer funcionar toda essa tralha, para manufaturas caixas, embalagens, sanduíches, enfim, tudo se move em um ritmo frenético, alucinado, contagiante.

Você sempre precisa ter algo que antes não usava, não existia, mas agora é completamente necessário, ao menos pelos padrões da indústria. Não estou me esquivando, tirando a minha culpa não. O estilo de vida em uma cidade como São Paulo, onde moro, é alucinante, e o consumo idem. Mesmo com muita atenção, escolha e cuidado, você sempre acaba comprando algo que é totalmente descartável, desnecessário, algo que irá em breve para o lixo, acumular mais plástico não-reciclável, mais papel, mas lodo.

Outra constatação de Prot que é irretocável: em determinado momento do filme, ele coloca sob a luz a afirmação de que o mundo moderno trata como “loucos” aqueles que resolvem viver somente o momento, o hoje. Prot afirma que todos os seres vivos do planeta, com a única exceção do ser humano, vive o momento atual, vive o presente, sem preocupar-se com o passado nem com o futuro. Prot finaliza uma passagem tecendo um comentário incrivelmente perspicaz sobre as escolas modernas, onde “robôs ensinam robôs”, e são apresentadas lições de “vida”, como: é perfeitamente natural matar e comer outro ser vivo, ou usá-lo para todo o tipo de trabalho ou outra finalidade qualquer; que a história do homem é costurada por guerras; que o dinheiro não somente é necessário, mas que o capitalismo é o único sistema que deu certo, que necessariamente funciona; que o seu país é o MELHOR país do planeta… E, incrivelmente, Prot fica estupefato em entender que as escolas NÃO ensinam aos jovens seres humanos: que preservar a natureza, acabar com a deterioração e destruição do planeta irá acabar com todo e qualquer tipo de vida no mesmo; que a vida de outros seres vivos, mesmo não sendo ‘humanos’ vale ser preservada, respeitada e compreendida; da necessidade de entender o próximo, de resolver possíveis conflitos com respeito e aceitar as diferenças; que a ignorância não é um objetivo de vida; que violência somente aumenta a própria violência, fazendo o outro acreditar que seu ato violento tem justificativa.

As palavras de Prot, seus comentários simples e pacientes, são um verdadeiro alívio para a alma. Leio e releio alguns destes comentários, e paro um pouco, somente alguns minutos por dia, para refletir, para pensar sobre elas. E você, o que acha disto?

Sobre a obra

reflexão......

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Autoria
Andre Martins
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clara arruda
 

abrindo sua votação.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 29/4/2008 13:47
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Tita Coelho
 

André,
bom já havia comentado contigo que adorei teu texto! Sabe qual a impressão que tenho? Que existem pessoas no mundo que não se tocam que fazem parte dele, entende? Tipo, não sou ecoxiita nem nada, mas sei que faço parte do mundo e que tenho que colaborar!
Não assisti ainda esse filme, achei interessante a tua visão sobre ele!
A dita felicidade, deveria ser simples de se atingir, mas não é bem por aí! Vem de novo a questão do se colocar no mundo... É muito bom ter uma vida rica e tal? Mas depois? Morremos e não levamos nada! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk É clichê, mas vale sempre

Beijos meus ótimo texto!

Tita Coelho · Porto Alegre, RS 29/4/2008 14:19
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MAXXIMA
 

Lendo seu texto relembro o filme citado, e me vem na cabeça será que ele era humano um um alienigena, será que a inteligência vem da humanidade mesmo, ou será que nos foi dada e agora foi transformada por nós e infelizmente chegamos na fase terminal onde procuramos nos destruir, nos acabar?
Vi na uol a contagem que marca os homicidios em Recife e volto a me questionar isso.
Adorei seu texto amigo.
Com louvor ganha meu voto.
Beijo

MAXXIMA · São Paulo, SP 1/5/2008 04:21
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