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Diálogos da esfinge (parte II)

José Afonso Viana
1
Cida Almeida · Goiânia, GO
7/3/2007 · 108 · 5
 



Entre pergunta e resposta, o mistério


O que se perdeu
entre pergunta e resposta
está perdido, partido...
Os meus sentidos cheios
de nunca mais
de uma metade que me falta
e me sufoca com ausência
ressentida...
O que se perde (ainda)
entre pergunta e resposta
vacila no silêncio
fora de mim
e eu ouço...
O que se perde
de tão perdido dentro de mim
já não me encontra
no balanço da gangorra
e só eu sinto...
O que se perdeu
O que está perdido
O que se perde ainda
Entre pergunta e resposta
Contempla a face da esfinge
Que sou EU
Que só EU
Que EU
No NUNCA mais
Da METADE que me falta
E era o TODO que me completava.
Entre pergunta e resposta
Vejo a metade ausência
Mesmo que ainda dentro de mim
O que se perdeu
O que está perdido
O que se perde ainda
Paralisa o tempo
Do meu amor dentro de mim
Do meu amor fora de mim
Entre pergunta e resposta
Entre não-perguntas e não-respostas
Um QUASE
Um QUANDO
Um AGORINHA mesmo
Do meu amor dentro de mim
Do meu amor fora de mim
O tempo todo a contemplar
Os mistérios de se perder
Os mistérios de se encontrar
A metade que me falta
Na face da esfinge
Murmura impassível
sem perguntas e sem respostas
A falta que me faz
Nesse silêncio
Aquilo que era só meu
Meu EU
O que se perdeu
O que está perdido
O que se perde ainda
É o que se cala
Nesse diálogo da esfinge...
E é um diálogo partido
Um DIÁLOGO partindo
Um diálogo me partindo
E o mistério é que me calo
Quase me parindo
Com minhas palavras
Embrulho os silêncios desse diálogo
E os deposito com cuidado
Aos pés da esfinge
Que CONTINUA...
Perguntas e respostas
Não-perguntas e não-respostas
Sem perguntas e sem respostas
A esfinge silenciosamente
Cala dentro de mim
O mistério partido
Da metade que me falta
E me COMPLETAVA.

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informações

Autoria
Cida Almeida
Ficha técnica
Diálogos partidos, partindo, parindo... Diálogos em busca da unidade, de uma idílica completude, enfim, COMPREENSÃO, ou tentativa de... Esses diálogos estão aqui numa ordem cronológica, que não diz muito. São como cartas de um baralho, embaralhadas pelas mãos hábeis de um mágico chamado insconsciente. Por mais que nos iludamos com o jogo, a arrogância de algum domínio, as cartas que estão na manga são misteriosas e movem-se segundo leis e regras desconhecidas. É o risco absoluto de se entrar num jogo sem regras definidas, pois elas não existem. Mas as palavras, as imagens, a escrita dançam com as sombras fundas numa noite longa e escura buscando um espelho de fugidios clarões... Por aí afora e adentro...
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Carlos ETC
 

Perfeito! Cartas embaralhadas mesmo!
Foi longe, Cida!
Abraço!

Carlos ETC · Salvador, BA 7/3/2007 10:30
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Gisélia Duarte
 

Apreciei o diálogo do diálogo também na imagem. Que venham os enigmas!

Gisélia Duarte · Goiânia, GO 7/3/2007 11:26
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Vitor Nina
 

Cida,

E mesmo o que se decifra devora, não? Sim, estamos mais onde não estamos, e esse é o corpo de nosso cais... Belo poema...

Vitor Nina · Belém, PA 7/3/2007 12:50
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Felipe Obrer
 

Pelamordedeus, Cida! "Pago pau", como quem diz, pra tua literatura. Muito bom! Ritmo, senso lingüístico, prumo emocional... tudo junto.

Abração.

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 7/3/2007 13:17
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Tacilda Aquino
 

"O que se perdeu
entre pergunta e resposta”
Seus escritos me lembram a afirmação de que a vida é uma arte que se pinta sem borracha. Diálogos doloridos, necessários, daquelas que fazem com que a gente se conheça cada vez mais e melhor. Me lembram também aquela frase sobre adquirir experiências e aprender com elas.Mas há ainda perguntas que foram feitas e não ficaram sem respostas. Nem sempre as respostas são aquelas que a gente quer ouvir. Ou não existem respostas. Ou respostas que foram mal-entendidas. Desculpe a confusão de pensamento. É que ando muito confusa e carente nos últimos dias. Talvez sentindo aquela saudade que dói. Não saudade do que já foi, mas saudade do que ainda é está ausente.
Comos e não bastasse, ainda estou ouvindo Nora Jones cantando I've been thinking about you. Eta musiquinha depressiva!!!

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 7/3/2007 15:10
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