Os OLHOS CLAROS da esfinge no BAILE de MÁSCARAS
E a correnteza das águas levando um carro desligado...
Uma tempestade, um carro desligado à deriva, uma aflição quanto a
manter o controle da direção e a atitude de ligar o motor, EU e a
ESFINGE no esconde-esconde dos sentimentos tortos e
perturbadores, e a escapada do perigo para as sombras do BAILE
de MÁSCARAS. E os OLHOS CLAROS da esfinge. Essa aparição da
esfinge, beirando a perdição total, cravou em mim uma consciência
de pressentimentos, aqueles que chegam de jeito inesperado para
trazer à tona o que no fundo se sabe perfeitamente bem, mas não
boiou na consciência como um peixe morto na superfície de um
lago de águas aparentemente estáticas. A visão em movimento
mexeu com os meus nervos e o meu olhar. Impossível ignorar as
aparições do oráculo, seus avisos enigmáticos, as tabuletas na
porta do meu templo particular. Um carro desligado sendo
engolido pela voracidade das águas de uma tempestade inesperada,
violenta, assustadora. Implorei ajuda, pedi com todo o desespero
dos dias possíveis desmoronando às nossas costas, mas a recusa
passiva me atingiu como um golpe no estômago. Mesmo com o
carro desligado, os braços cruzados ante o que me devorava
também por dentro e pelas beiradas, assumi a direção daquele
veículo morto, como quem toma um remo frágil às mãos de um anjo
atônito para duelar com as águas de um Posseidon de mau humor e
que encontrou a diversão de um brinquedo momentâneo.
Estranho, lembro agora, girei o volante à esquerda e já bem no
centro das águas bravias assumi sozinha o risco do caminho mais
perigoso, conscientemente o mais difícil... À esquerda, o caminho
do coração. Não sei como, um cicerone estranho, familiar, surge
do nada, após a turbulência, e faz uma estranha condução para o
BAILE de MÁSCARAS. Uma movimentação lenta e sombria dominava o
cenário e o espaço daquele inusitado salão, seres seminus
transitavam incógnitos, com uns olhos que comiam fundo uma fome
existente e transbordante no meu coração. Presságios, aflições e
um desassossego antigo de ver e sentir o que não compreendia, o
que não aceitava, mas contaminava a claridade dos meus dias à luz
do SOL. Os OLHOS CLAROS da esfinge assumiram o controle do
BAILE, e travestiram-se em um corpo familiar, ambíguo, numa
simbiose perfeita para me dizer o NOME, com a casca e o miolo da
compreensão. Os OLHOS da esfinge pousaram dentro de mim como
os olhos de um predador altivo, acordando os enigmas dos meus
dias possíveis de paraíso para a antítese do que julgava o correr
tranqüilo do rio da minha vida. Às vezes sinto aquele BAILE, com
todos os seus simbolismos, linguagens cifradas e enigmas,
rodopiando dentro de mim e nos dias que seguem no remanso.
Aqueles OLHOS que gritaram como um enigma de resposta óbvia
dentro da esfinge ronda mais que os meus pesadelos, minhas
convicções e certezas. Os OLHOS me mostram as sombras da
claridade dos meus dias, a ausência, os cortes, as fugas, o não
existente, os não-movimentos que circundavam as minhas procuras.
Aqueles OLHOS lançaram uma centelha de inquietação que havia
esquecido, ou pelo menos tentado esquecer. E essa minha
inquietação duela com os OLHOS da esfinge, todos os dias. Difíceis
OLHOS de alcançar o cerne da visão que diz TUDO. O ímpeto é
chegar lá, arrancar esse olho profundo e deixar vazar o LAGO que
me contempla dentro dos OLHOS, com os seres que às vezes bóiam
e me contam partículas do MISTÉRIO que também dorme dentro do
meu olho que vê e perscruta as grutas atrás de cada fenda...
Cida, estou lendo esses diálogos, confesso, com olhos de encantamento.
Porém, quero juntá-los todos e me sentar ali no quintal para degustar, como produto de perfeita safra que são.
beijos
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