Foto: Damselfly58/Flickr/Creative Commons
Eu, grão sem fava.
Que, antes de viver,
Nascesse pó de diamante aquartelado.
Que, antes de vomitar,
Pudesse se comparar aos rés-de-chão;
Aos corpos adulterados,
Às lâminas desvirginadas.
Que, pudesse se caldear à fala
De outra face: comprometida.
....................
Eu, chão batido.
Que, antes de viver,
Pudesse me esvair em palavras: a tempo
De me considerar um homem desmedido.
Que, antes de o sol morrer,
Pudesse me desviar do jorro da gala.
Que, a ti, me doasse como
Pedra polida
— Coágulo inteligente...
....................
Eu, verbo ferido.
Que, antes de viver,
Fôsse um membro viril escalando o cimo do jambú.
Que, antes de enfartar,
Gozasse sobre a boca da morte,
Ou ingerisse chá de ânimo martelado
Como sendo mistura de alho mastigado:
— De que me valeria beijar
O sexo das entranhas de tristes galas,
Se, delas, não a congemino?
....................
Eu, pão sem trigo.
Que, antes de morrer,
Nascesse lasca de pedra afiada.
Fôsse como um temporal de garimpo,
Cataputa de queijo.
Que, bebesse da vinha em profusão
Como sendo antítese de parreira
Esquartejada...
....................
Eu, vinho cubano.
Que, antes de congelar,
Pudesse me tornar perfeito teorema.
Pudesse me atar à montaria paroquiana,
E, além, tivesse que ser a porta entreaberta
— Sangue maçante!
Que, se grudasse, ao esparadrapo
Dos fêmeos hieróglifos e das cabaças femininas.
Que, tivesse de suplicar, em pranto:
Oh! Náufragos de vida!
"Leiam os meus poemas!"
- De que me valeria contemplar
O sorriso da prostituta,
Se, a ela, sou como carniça
De fim de feira?
....................
Eu, baralho cigano.
Que, antes de embaralhar,
Ou antes de prever:
Tivesse de tornear o beiço
De florida roseira.
Fôsse como vizeira de inexorável fingimento.
Fôsse como escravo de beira de leira.
Fôsse apenas o delator
Que me diz, então:
Eu, panis et circense!
Somente eu e eu, masturba-se.
Já que a lua é ela!
— Rainha do fim...
....................
Eu, o ator.
Que, pudesse dizer, então,
Que ela é ela e eu sou eu!
Que, pudesse, apenas, ser
Um rei morto;
Voraz pateta
— Senão eu!
Que, fôsse, apenas, o curandeiro
De enchida retreta
— Senão eu!
Que, galasse, do nada,
O febril poema.
E sob o coito da palavra,
Além-vida, fôsse a chama
Tornada violeta:
— De que, então, me valeria
As perdoáveis brochuras
Dos esplêndidos benjaminzeiros
De mim?
Benny Franklin
Tu... grão sem fava; chão batido; verdo ferido; pão sem trigo; vinho cubano; ator e Mago das Palavras!
Tim-tim! Flores pra ti, Poeta @>--
Benny, voce ja esta lapidado...victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 29/9/2007 16:42
Que, bebesse da vinha em profusão
Como sendo antítese de parreira
Esquartejada...
....................
Eu, vinho cubano.
Que, antes de congelar,
Pudesse me tornar perfeito teorema.
Pudesse me atar à montaria paroquiana,
E, além, tivesse que ser a porta entreaberta
— Sangue maçante!
Poeta diamante...
Todas as palavras?
sem palavras
ou cem palavras?
Todas.
bjus.
Oh! Náufragos de vida!
"Leiam os meus poemas!"
Beijos e voto com alegria...
Benny,
Tu estás me fazendo voltar a ler e reler como quando menino lia os livretos de cordel. Ler por cima não basta e para acompanhar teu raciocínio estou a reler-te, com prazer,
um abraço andre.
Benny,
Sou um desses "náufragos" desaparecidos do overbarco. Mas ao boiar no overmar, vejo-te marinheiro intrépido da palavra, vejo-te o trigo, o chão, o verbo, a salvação poética paraense.
Dê-me, pois, uma cabaça-salva-vidas e estarei salvo para galar o verbo.
Poesia profunda, onde se escondem diamantes.
Parabéns.
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