Dias Comuns
05:38 h.
O cérebro do indivíduo desperta o corpo.
Como se numa mistura de sonho e realidade, as
informações vão se processando dentro da cachola até
o momento do abrir dos olhos, e a verificação das imagens.
O despertar por inteiro. O corpo todo reage, o sangue começa circular mais rápido nas veias. O corpo todo recebe estímulos. O indivíduo se mexe, levanta-se, dá uma boa espreguiçada colocando todas as conexões da carcaça mais ou menos no lugar, e ossos estralam se encaixando. Olha no espelho, não sente vontade de se pentear, procura sua
escova de dente e não a encontra. Uma irritação matutina
começa a se manifestar no indivíduo. Depois de alguma bagunça tentando se alimentar e se arrumar, pega uma camisa amassada com uma bermuda desbotada, calça uma meia branca/ suja/ encardida e sai pro trabalho. De casa até
o ponto senta-se um pouco relaxado com o movimento do começo da manhã: sons de pássaros, vento, sol brilhante e não tão quente.
Entra no ônibus e começa um ritual de leitura em coletivos, talvez para escapar dos olhares incomodados com seu
visual nada convencional. Nada tira a sua atenção da leitura.
7:45 h.
O ônibus atravessa o trânsito caótico, uma avenida muito movimentada. Toda atenção dos passageiros é direcionada para fora do coletivo. O indivíduo percebe toda movimentação e também entra no clima de curiosidade do ônibus lotado.
Olha para o lado esquerdo, o da janela, e percebe fardados em formação ao redor do ônibus. Ele ouve o som das portas se abrindo. Volta-se para a direita, a porta se abre e aparece um homem/ soldado/ máquina/ adestrado; usando um uniforme azul anil, cinto de guarnição, rádios, revólveres e cassetete, e lhe dá gentilmente a ordem:
--- Queira descer do ônibus por favor? Coloque sua bolsa longe de você, levante as mãos à cabeça.
Realizado o ritual de revista diante os quase 60 passageiros do ônibus e toda uma população transeunte do horário de pico, o PM diz:
--- Pode voltar ao seu lugar. Bate na lateral do ônibus e manda seguir viagem.
A vinte ou trinta metros do acontecido o indivíduo desce na sua parada, caminha mais uns quinze metros, cruza com uma babá e uma criança de 2 a 3 anos. A criança percebe o cabelo alvoroçado , a camisa amassada, passos e comportamento inquietos e diz ao indivíduo:
--- Oi, oi. Bom dia! O indivíduo olha numa confusão de sentimentos e pensamentos e retribui a gentileza da criança com também um oi e bom dia.
E o dia continua como outros dias.
08:12 h.
(Wndrground)
Caramba wndrground, que crônica boa que cê tem...
Bia Marques · Campo Grande, MS 12/3/2007 17:17Para mim é uma honra seu comentário Bia.Sou apenas uma criança no grandioso mundo das letras, mas me senti muito atiçado e à vontade com o overmundo e os overmanos.Bjão gigante...
wndrground · Cuiabá, MT 12/3/2007 17:32
welcomes and bebes, meu bom! divirta-se nesse lugar e brinde a gente com teu verbo, sempre e mais!
Bia Marques · Campo Grande, MS 13/3/2007 10:25eita... que sincronia .... além de cotidiano .... eu acordei com vc fui pro ponto de onibus e dei xau pra criança ... rsrsrsrs .. t+ a tb perdi minha escova de dente ... kkkkkkkk
Livia Vianna · Cuiabá, MT 15/3/2007 22:35Valeu Adroaldo, valeu Livia.Um pouco desajeitado no cotidiano, mas como diz meu amigo ali em cima no fio e afiado.Ah, e tem sempre uma criança a minha volta que me recarrega de pureza e de alegria para suportar os dias comuns das batalhas contantes. Abraços!
wndrground · Cuiabá, MT 16/3/2007 10:40
Wnderground essa sua crônica é, simplesmente, o nosso cotidiano, a nossa realidade que você pinta com cores realistas.
Maravilhoso.
Ô, certamente Marcio Rufino.É nóis, no requebra da ralação diária. Abração!
wndrground · Cuiabá, MT 21/3/2007 23:28Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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