A fita métrica acusa 1,38m de altura. As pálpebras cansadas não diminuem a vivacidade dos olhos verdes e miúdos. O cabelo sem fios brancos à mostra e bem penteado é um dos poucos sinais de vaidade feminina. A fala é baixa, em tom de confidência, mas flui num ritmo que quase não dá brechas para a participação do interlocutor. Aos poucos, D. Dica deixa de lado o bordado na toalha de mesa confeccionada em patchouli e vai traçando uma história que já soma 86 anos. A artesã, modista e estilista Dica Frazão é uma personalidade de Santarém.
D. Dica Frazão e eu chegamos juntas ao Overmundo. Foi sobre essa artesã, radicada há mais de 60 anos em Santarém, no Pará, minha primeira colaboração por aqui. Na época, não sabia em qual seção poderia publicar o texto, e o incluí em Guia. E tive de reduzir substancialmente a história dessa paraense que transformou a própria casa num museu, que leva seu nome.
Também não consegui incluir fotos, apesar de tê-las, porque photoshop pra mim ainda era palavrão (não mudou muito!). Ao responder a um comentário do Benny Franklin, mocorongo dos bons, tive a idéia de trazer a artesã para o Banco de Cultura. É uma forma de dizer a D. Dica muito obrigada por ter compartilhado comigo, durante boas horas, sua história de vida.
Ave, Tetê!
Sua benção artística Oh! "Deusa do Patchouli"!
Que todos possam - através das palavras e do clique da mocoronga Tetê - conhecer esta pequena/grande mulher. Cujo talento foi-lhe dado diretamente pelos Céus.
Nada poderia ser mais justo do que esta publicação.
Talvez uma das poucas que conheço dedicada a esta excessão feminina.
Parabéns, Tetê.
Se antes eu já te admirava, agora é que nem se fala!
Bjs. Benny.
Corrigindo, em vez de excessão, quero dizer exceção.
Bjs.
Valeu, Benny! D. Dica é alguém muito especial mesmo.
E vc também é responsável por eu postar essa colaboração/homenagem aqui. Obrigada!
Abraço.
Tetê, fui ler o texto de estréia e vi o quanto você tem razão.
D. Dica se mede em outras medidas, da força e da coragem femininas, de uma certa condição que mais a aproxima das sacerdotisas da vida, mães, almas de dar e manter a vida.
Agradeço ao Benny que me indicou tal maravilha!
beijos
Vim aqui através de Benny. Que Deus multiplique Dicas Frazão nesta Terra de ninguém vindas de Santarém!
Salve!
Belo trabalho, Tetê!!! Encantadora a história de Dona Dica!
Flores e beijos @>--
Saramar, Cintia e Adriana, obrigada pela visitinha por aqui.
Saramar, acho que vc definiu muito bem D. Dica.
Cintia, eu também sou fã dela! Adriana, adorei a flor.
No mais, o Benny me surpreendeu com tamanha divulgação. Mas D. Dica merece, sem dúvida! :-)
Beijos.
Tetê,
no início da década de 1940 Gilberto Freiry, parte para o exilio e começa a escrever Casa Grande e Sensala, e teve enorme dificuldade por não encontrar referências escritas pela mulher brasileira e diz ele "creio que não há publicado, entre nós, um único diário escrito por mulher".
- O Brasil realmente está para começar e também começar a escrever sua História. Não pode ser uma História sociológica feita somente por homens. Ainda ha poucos anos Cora Coralina, deixa um referencial fantástico, agora voce faz o registro de D. Dica.. Dona Dica que por conta e risco, sendo dona de uma visão que o Brasil desconhece, por isto ignora, vai além de Alfredo Nóbel, por não ter recursos sobrando, entrega sua própria casa para guardar os registros do que pode construir.
-E creia voce, este escrito não é somente um registro curioso, ou coisa parecida. Não, é um dos poucos pilares da complementaridade da História Sociológica do Brasil.
feliz iniciativa, E parabens para D. Dica, beijos, andre
Agora vim pra votar.
Belo texto.
Dona Dica, sem palavras , vale a obra.
bjs
Meus votos (arma primorosa e iniqualável de nove dígito) deposito com Honra de Estado a você pequenina Dona Dica. Como forma de reconhecimento, gratidão, apreço e respeito... Que o povo mocorongo e brasileiro jamais te esqueça! Amém.
E a você Tetê, todo o meu carinho e consideração.
Lembre-se: hoje é para ela o reconhecimento que pleiteamos; amanhã, para quem de nós?
Bjs. Benny.
Só para complementar, na volta para votar:
mais conhecido no geral, temos ainda dois registros, dentre os comuns dos mortais, em fim de carreira, não importa, sem usufruto, salvo dos tantos abraços, (que é o que conta):
- Clementina de Jesus, tem sido alvo de busca e referência;
- Mãe Meninha, ídem;
- Mas recente Doza Zica da Mangueira, de Cartola, acho que Dona Zica está bem recepcionada, ande.
Dona Dica nessa máquina de costura me lembrou imediatamente minha avó...essa é a imagem mais forte que eu tenho dela. Vou ler seu texto pra conhecer melhor a Dona Dica!
beijos
Como eu já disse ou Tom Jobim rs
Ah Se todos fossem...Que maravilha é viver!
Votadissimo
bj
.
.
Pessego, vc me fez sair em busca do nome de uma outra mulher maravilhosa, que viveu nos tempos do Império ainda: Nísia Floresta. Outro dia, "passei" rapidamente por uma exposição sobre sua obra e fiquei fascinada pelo pouco que li.
Humberto, Maria, Natacha, Cintia, Márcio e Benny, valeu muito "levar" D. Dica até vocês. Natacha, sua vó deve ser uma fofa também! :-)
Abraços.
Oi Tetê,
Pessoas assim são Patrimônio Vivo.
Eu gostaria de ver mais fotos...
um gr abraço
puget
Esses olhos verdes, essa intrepidez, essa máquina a transformar idéias em bordados me lembram muito minha saudosa vó Conceição Frazão (Peteca), que tinha esses traços e hábitos e que me falava de uma irmã, Raimunda (Dica), que não cheguei a conhecer, pois deixei Belém ainda criança.
Fiquei alegre e impressionado de ver essa mulher com fisionomia que me é peculiar, como se ela fosse parte de mim.
Tia Dica era o nome de quem minha mãe, Luzia, sempre lembrava quando nos contava "causos" de Belém-Santarém-Capanema.
Como a vida é cheia de coincidências, esta me pegou de surpresa.
abraços, Tetê, obrigado.
Verdade, Puget - e que patrimônio!
Frazão, estou pasma com a coincidência e super feliz! Imagino que ela seja a irmã de sua avó mesmo, afinal D. Dica nasceu em Capanema e só mudou para Santarém após o casamento. Vc chegou a ler o texto original em Guia sobre ela (o link tá no texto) ? Lá conto mais detalhes sobre a família (quantos irmãos, os pais). Aí, se houver alguma dúvida ainda do parentesco, dá pra tirá-las, né?
Fico muito feliz mesmo de resgatar essa história pra vc. Só de vc falar com tamanha carinho de sua avó, Peteca (com esse apelido deve ter sido outra fofa!), já valeu a pena tê-lo tido como leitor aqui.
Sabe, essa "retomada" da história da D. Dica aqui no Overmundo, através dessa foto, foi uma grande alegria que tive. Foi a oportunidade que tive de compartilhar com vcs, mais uma vez, a história dessa grande mulher.
Abraço.
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