Um silêncio viciado desmonta as horas e o tempo
Percorre os espaços e enche de vazio os interiores
Cala as vozes ecoantes que dantes conferiam uma quietude atordoada...
Lago sereno ao luar...
O agora sempre eterno...
A coragem mais doce...
A ilusão transfigurada em verdade, convincente aos olhos e aos sentimentos...
Que venha a paz em forma de cegueira,
O alheamento ruminante da sabedoria...
Bem, se é pra ajudar, vamos lá: encurtar as frases longas e enxugar as reticências. Acho que com isso o texto fica mais agradável inclusive visualmente.
abraço
Olá, Thaty. Achei seu comentário pertinente. No entanto, no original, as frases que aqui aparecem longas na verdade são duas. Foram fundidas numa só porque o espaço cedido pelo site não comportaria todo o texto sem que o leitor tivesse de fazer o download do texto. As reticências querem dar uma idéia de pensamentos soltos. E confesso que nunca soube trabalhar muito bem com a estética das coisas. Obrigado por ter lido. Grande abraço.
Eduardo de Oliveira
Eduardo, beleza de prosa poética. Adorei as imagens, a fineza das imagens para falar do iniludível. Manuel Bandeira dizia que “a poesia é feita de pequeninos nadas”. E esses pequeninos nadas são as palavras. Existem palavras com maior carga poética que outras, mas isso só descobrimos burilando e vivendo o poema. É ele que, depois de feito, nos dá a direção da melhor lapidação. Nada contra as frases longas, pelas quais tenho a maior simpatia, ainda mais com a beleza das imagens que você nos traz: silêncio viciado que desmonta as horas e o tempo; enche de vazio os interiores; vozes ecoantes que conferiam quietude atordoada. E cada verso comporta um poema. Que beleza esculpida este: “Que venha a paz em forma de cegueira”.
Clarice Lispector, que também cometeu seus versos – embora aconselhasse aos escritores a prosa ou quando muito a prosa poética –, deixou uma lição interessante de pontuação, para a qual pedia o máximo cuidado. E a reticência, sem dúvida, afrouxa o texto. Mas alguns autores fizeram uso dela quase como uma assinatura de estilo. E se fosse pela pontuação, como explicar um Saramago?
E ao contrário do que está dito lá no seu perfil, o caminho que escolheu não é o mais fácil. Infinitamente é o mais difícil, mas sublime. E voltando ao Bandeira, ele também dizia que não existem poetas perfeitos, mas poemas perfeitos. Essa tem de ser a obsessão do artista, não a forma pela forma ou a arte pela arte. Nada disso, mas aquela busca da harmonia, da beleza rara e escondida, as infinitas possibilidades da palavra e seus movimentos, os caminhos subterrâneos, as fendas... E se um outro ângulo dessa beleza puder ser evidenciado por uma reticência bem colocada, que venham os três pontinhos. Mas isso é o inferno do poeta, uma outra história. (Con) viver com palavras é o bicho! Desculpa o comentário longo. E que o tema sempre me empolga.
Abração.
Eduardo
Amei teu poema. Também tenho problemas (?) com o uso excessivo (?) das reticências... Acho que faz parte do estilo.
abrçs.
O que seria de Álvaro de Campos e tantos outros sem as frases longas... Mas não se faz textos para agradar, apenas para que sejam lidos. Abraços...
Eduardo de Oliveira
"Lago sereno ao luar...
O agora sempre eterno...
A coragem mais doce..."
Trecho semelhante ao que trago na alma agora!
Parabéns!
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