Do alto da montanha...
Sigo para o meu lugar,
A chave deixo onde está,
Caminho com o vento,
Assalto as esferas do pensamento,
Tranco-me por dentro,
Ouço apenas o som áspero do concreto,
Vejo apenas as copas e os tetos
Estou chegando,
(A vida traz, a vida leva)
Permaneço com a mente e as mãos abertas,
Sonho acordado, retardo a quizila
Do barco, afasto-me
Rumo a minha ilha
Guardo o retrato,
Apresso o olfato
Volto aos meus laços
No meu próprio encalço
Torno de onde nunca parti por completo
De mim mesmo
Do meu próprio desassossego
Ainda é cedo,
Extraio de mim o orvalho
( as pedras, o lodo, os cascalhos)
Junto retalho a retalho,
Cada passo
Refaço a minha história,
Entrego-me a minha própria memória
Sou novamente inteiro.
Marcos,
Mesmo sem nunca ter ouvido/lido sobre quizila, achei o poema muito bom.
Abçs. Benny.
Queria eu ser inteira.. ao me desfragmentar durante minha existencia toda! .... Versos belos versos! Parabéns
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 27/8/2007 04:32
Benny, Patricia e Sérgio, muito grato!!!
abração aos três,
Vivo a me refazer... mas nunca por inteiro... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 28/8/2007 10:24
muito obrigado, Nydia.
( de fato, se refazer por inteiro é complicado, mas temos de tentar, e para mim, cada vez que tentamos, um simples "quase" pode significar muito!!!)
grande abraço,
"Sou novamente inteiro",maravilhoso!Isto é importante!Belo poema!Abraços.
linney · Canoas, RS 29/8/2007 09:15
Torno de onde nunca parti por completo,
De mim mesmo...
Profundo e pra muitas reflexões...
Bonito poema!
Abcs
obrigado, Linney, Agenor e Guilherme.
grato mesmo!!
abração aos três,
Marcos.
Na verdade estamos sempre refazendo nossa vida. A cada amanhecer, a cada sol poente. Num incessante buscar de cartas que escrevemos para nós mesmos e que, desavisados, deixamos espalhadas pelas calçadas, ao sabor dos ventos bons ou contrários, ao alcance de muitos passos insensíveis, indiferentes, que não se interessam pela nossa vida, pela nossa história.
Fantástico, Marcos.
Abraços
Noélio
muito obrigado, noélio.
grande abraço,
"Sou novamente inteiro"
"junto retalho a retalho"
Marcos,
tudo lindo, maravilha!
Abçs de Betha.
muitíssimo grato, Betha.
abração,
marcos,
subir nas montanhas é uma metáfora precisa pra um reencontro consigo mesmo, ou como um religamento com energias superiores. há mesmo livros de contexto espiritual que explicam as subidas de cristo às montanhas como uma metáfora para subir à consciência mais elevada, para orar. é um prazer ler novamente algo teu!
abraços,
r
obrigado, Renato.
de fato, a metáfora foi bem precisa.
abração,
Num mundo de identidades esvoaçantes para quê ser inteiro? Finalmente legitimaram a nossa esquizofrenia! Que delícia!
Guidinha · Portugal , WW 30/8/2007 16:12
Marcos,
Essa imprecisão da vida que te fez delirar nos versos também nos presenteia com momentos mágicos de poesia, e a ela louvamos.
Parabéns!
Guidinha,
penso que quanto mais" esvoaçantes" forem as identidades, maior a necessidade de uma integralidade em outros campos. a identidade é apenas um dos aspectos da nossa personalidade. você pode ter mil identidades dentro do overmundo, mas apenas uma personalidade REAL. E apenas uma identidade real. ( aliás, como eu disse num comentário acima, não há uma premência de ser integral- a QUASE inteireza já é um passo adiante - mas BUSCAR a integralidade , ao meu ver, é uma virtude...)
abraços,
Lígia,
bom que voltou a comentar minhas poesias!
teus comentários sempre são muito bem-vindos.
obrigado.
abração,
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