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DO CADÁVER À FLOR!

Flickr/Creative Commons
1
Benny Franklin · Belém, PA
5/9/2007 · 102 · 11
 

Foto: Flickr/Creative Commons

1 - Ai Poema...
Há poesia também no silêncio.
Só vós sois o torniquete da palavra,
O purgatório longitudinal
Sob o qual se mofa o quadril do escapulário recorrente;
Só vós impelireis ao gorar da plenitude das frontes,
O que se repousa ingênuo
Sobre a maledicência do inseto coagulado:
Este ulterior desvelamento analgésico
Que, a cada braguilha entreaberta, se contorce de letargo
Como se o Poeta, ao cuspir néctar tosquiado,
Pudesse extrair do estômago manietado,
O que melhor têm a colher do intrépido pedregulho,
À gêmea calçada inútil;
Do cadáver à flor...

2 – Ai Poema...
Tu anseias o pós-parto da expiação humana.
A pusilanimidade do esterco destrói teu segredo;
Arqueias-te ao corte raso do olhar mentolado,
Execras corpos roendo tímidas gramas
Tal como duas arandelas de rosas bestiais
Bocejando moléculas de pano,
Sob tosco sol niquelado.

3- Ai Poema...
Como faz o barro cru e a aurora possuída
Que fogem de si e das lágrimas torpes e estéreis...
Hei de lembrar que Tu te foste de mim
Qual consciência mastigada sob prima diligência,
De maneira que, um dia, retornarás como ferro
De abocanhar cemitérios, sem gemer preceitos;
E pelo escarro do frouxo olhar,
A gosma do pecado
Há que desaparecer-se incolor como o nada,
Sem galar vergonhas...

4 – Ai Poema...
Só vós sois o ópio da fala,
Que os porcos se alimentam em última hora;
Só vós sois a carne que os invernos se depauperam
Em cruciante desvelo;
Só vós sois o verdadeiro mistério
Sob o qual as agulhas irresponsáveis da abstração
Resguardam-se da morte:
- Oh! Vida,
Quem se atreverá desmentir visões
A cerca daquilo que não contesta existir?

5 – Ai Poema...
Só vós sois o divisor de águas insolúveis,
O coador de sóis renegados,
O mantenedor de geleiras humanas,
Só vós sois -
In
Digna
Nação - A dor!
Porque meus semi-rumos consagrar-se-ão remidos;
Meus sentidos excomungar-se-ão como monótonas carnes.
Meus gametas, porque subalternos e irreais,
Alimentar-se-ão das frestas e das retinas
Como fazem os símiles bebês de proveta...

6 – Ai Poema...
Se, só vós sois a insígnia do não
- O odor! -
Por quem vós morreríeis de sexo,
Na medida em que não o percebesse
O tempo gemer imperturbado
E sob o rufar dos vossos pusilânimes bocejos
Empalidecêsseis desusados?
- E o que’que é vida e morte,
Senão a (dês) complacência,
De o simples renavegar?

Benny Franklin

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Benny Franklin
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Marcos André Carvalho Lins
 

muito bom, Benny!!! ( pra variar rss)
gostei mesmo.
abração,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 3/9/2007 18:32
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Lígia Saavedra
 

Suspeita para elogiar aguardo a votação
Bjs

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 3/9/2007 19:10
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Cintia Thome
 

´Benny
Há poesia no silêncio..no olhar..
Lindo
E eu que tenho estoque hein?
bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 3/9/2007 20:03
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tarokid
 

Só vós sois o ópio da fala,
Que os porcos se alimentam em última hora;



Olá Benny!
Muito louco o seu poema! Crei que podemos chamá-lo de poema estilo fantástico. A sua maestria de usar palavras de sentido multiplo e, com situações que beiram o filme "A morte do Demônio", do diretor Sam Raimi, são de deixar o leitor sem fõlego. Valeu. Que tal um poema sobre o "Vodu" ?

até mais

tarokid

tarokid · Machado, MG 3/9/2007 23:54
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tarokid
 

Benny, eu coloquei o fanzine episódio cultural N5 para ser baixado. Aproveite e d~e uma olhada, ok?

valeu

tarokid

tarokid · Machado, MG 3/9/2007 23:55
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Rynaldo Papoy
 

Esse deu até tesão.

Agora virou necessidade fisiológica passar aqui no Benny para ler seus poemas todos os dias.

Rynaldo Papoy · Guarulhos, SP 4/9/2007 00:24
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Caio Mário
 

"Porque meus semi-rumos consagrar-se-ão remidos..."

Benny,

O consciente não é o mesmo depois deste magnânimo poema...
Poesia Bennyana!

Um forte abraço,
Caio Mário.

Caio Mário · Castanhal, PA 5/9/2007 16:40
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Adriana Costa
 

Há poesia inquieta no teu silêncio, Benny! Poesia ímpar!
Flores sempre @>--

Adriana Costa · Brasília, DF 5/9/2007 16:48
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Nydia Bonetti
 

Ai Poema... Que bom que são tantos, diversos, reais ou fantásticos, lúcidos ou loucos, concretos ou abstratos, agressivos ou doces... ... ... ...
"Quem se atreverá desmentir visões
A cerca daquilo que não contesta existir?"

Nydia Bonetti · Campinas, SP 5/9/2007 17:02
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Letícia L. Möller
 

Benny,
Sempre gosto de ler teus versos, sempre instigantes,
ainda que pense não os compreender por inteiro.
Importa navegar nas palavras.
Importa atribuir sentido, a tarefa de cada leitor.
Ou buscar desvelar o sentido oculto do poeta.
Abraços.

Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS 6/9/2007 03:06
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Cintia Thome
 

Anndo perdida..meu Deus...
Sorry. Estou sendo franca mesmo...mas tá votado...
Agora que me liguei como achar todos do PA...assim é melhor..rs
Bom fim de semana...

Cintia Thome · São Paulo, SP 8/9/2007 16:47
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