“O que você sabe de cultura?” Essa era uma de várias perguntas à flor da pele que recebi por e-mail, por conta do artigo sobre o espetáculo “As Mulheres de Holanda”, apresentado recentemente no Sesc/RO. Antes de tudo, admito não ser um fenômeno cultural. É verdade, sobre isso, e outras várias coisas, confesso não saber muito. Mas, ainda sim, até mesmo porque sempre vivi na “cidade do madeira”, conheço, no mínimo, o suficiente para mencionar a triste cena quando o assunto é cultura em Porto Velho. Como? Alguém deve perguntar. Primeiro, porque aprendi a falar de cultura no sentido de valorizar e respeitar necessidades de uma gente que, talvez por encontrar um precipício e cair no poço da falta de iniciativa, estrutura e interesse por parte do poder público, mal sabe, ou tem a oportunidade de saber a própria história da cidade que habita, os costumes e atividades artísticas que existiram, existem e que ainda faltam ser manifestadas. Isso é cultura, isso é buscar cultura. Mas, por essas bandas daqui, onde o fluxo de investimentos em carnavais (do tipo importado) é altíssimo, a cultura, pra variar, fica a ver morcegos no “Teatro dos Vampiros”.
Segundo, como já disse, quase tudo em Porto Velho para se resolver tem que atravessar uma questão pra lá de burocrática, senão vejamos a ineficiência de construir um teatro. Há beira de completar um centenário de criação, ainda é a única cidade do Brasil a não ter um teatro – talvez, por isso, a população é sempre tão grata ao Sesc, que movimenta esse cenário já tem algum tempo. Que bom. Existe, por exemplo, um movimento muito forte no cenário cultural de Porto Velho chamado Quilomboclada; som do gueto vindo das raízes da Amazônia, com batida cabocla e a energia do Quilombo. Uma idéia plausível e super alternativa, com qualidade inquestionável, mas com pouco investimento. Infelizmente! Quanto ao teatro, a boa notícia, e tomara que seja realmente verdadeira, é que a pedra do sapato da inexistência e construção do teatro - que alívio - parece estar mesmo com os dias contados, como adiantou o secretário da Secel (Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer de Rondônia), Antônio Ocampo, em visita aos alunos do curso de Jornalismo da Uniron, semana passada.
Não obstante, e tem coisas que não se deve passar em branco, seria de que a culpa é só da classe do poder. É certo fazer essa afirmação, mas não é correto, como no jornalismo, deixar de mostrar o outro lado da história. Esse lado desta história, com certeza, somos nós. Nós que temos o poder de incentivar, primeiramente, a si mesmos. É querer crer e ver, por exemplo, um projeto sair do papel e ter continuidade, e criar, com isso, um movimento cultural com força resistente, embora as condições não sejam as mais privilegiadas. É querer dar o primeiro passo. É criar e fazer parte da história. É assistir, virtuoso, a cultura da favela de ter, finalmente, a oportunidade de mostrar que lá onde moram nem todos são ladrões, assassinos.
PS: Para ler o texto completo, acesse o arquivo.
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