Introdução para uma canção sem letra e música
Meio que perdido em lembranças me encontro onde as dores soam feito badaladas surdas do relógio na ante-sala
de todas as solidões.
Depois da coruja desnorteada adentrar num vôo cego
na sala de estudo e o silêncio fugidio
na noite erma e cálida algo que não se vê
se adensa e comprime: dor nenhuma o espírito acusa
do que a dor de se sentir só em meio à turba.
O fato irreversível denunciado pelo impacto da distância
involuntária e indesejada, porém consentida,
outorga o ato intrínseco de se desejar
o corpo amado ardentemente, ainda que quilômetros posterguem o encontro,
qualquer encontro.
Um olhar desavisado denuncia o vazio;
os olhos não ratificam o que o coração sente.
Por trás da penumbra concreta dos dias a revolver o que o tempo e a distância não conseguem obnubilar, teu sorriso é um sol,
o maior dentre todos os sóis conhecidos, a iluminar o desenrolar de minhas andanças neste lugar, ao sul de meu coração.
O sopro deste vento frio a tentar cortar incessantemente
os laços atemporais que me povoam os sonhos
é o fantasma derradeiro e insurreto transmutado em lágrimas, todas as lágrimas não derramadas dos amores desfeitos e dos desamores que se estendem para além do fato de já não serem mais que arremedos sombrios, vultos invisíveis a arrastarem
correntes e grilhões nos corredores empoeirados de suas desvivências.
É também o sopro selvagem do furacão, este sonoro e ameaçador,
a devastar paixões de alicerce fútil que se liquefazem no hoje
e que nada mais são que representações sem pantomimas do gélido e moribundo cotidiano vivenciado entre quatro paredes.
Folhas desgarradas dos álbuns de amareladas fotografias
soçobrando ao sabor dos vendavais inter-relacionais.
Destarte, trago incrustado na memória o som mavioso de tua voz a despedaçar os silêncios e a silenciar o vozerio retumbante da anarquia.
Sou, inexoravelmente, o cavaleiro de couraça impenetrável
a atravessar o inimigo que se escamoteia
ora na deslembrança vacilante,
ora no luxurioso e torto olhar,
anátemas fantasmais a fustigar-me o espírito.
Vastas distâncias tão presentes são minimizadas toda vez
que o desejo se materializa;
torrentes do que a expectativa cria são alvíssaras cada vez mais concretas à medida que o tempo escorre
de um hemisfério a outro do relógio de areia.
Uma vez concretizado o encontro o sonho se desfaz
dando corpo ao que mente e alma, noite e dia,
verdadeira e insistentemente, clamam em silêncio
posto que o amor, por ser forte e verdadeiro,
flui incólume no desvario insano destes dias onde se alternam frio e calor, memória e esquecimento, resignação e ânsia,
sedimentando o que foi segredado feito tesouro intocável a ser oferecido em instâncias que aqui não cabem pormenores.
Nossa... Sem dúvida um dos poemas mais belos que já vi.
A distância, sempre presente. As distâncias físicas eu aprendi a transpor, as outras, ainda não.
Gostei de como relata o olhar, esse traídor.
Parabéns!
Valeu, Eduardo... À guisa de explicação são alguns poemas escritos em 2005 sobre "an internet affair"... Sairá em mais duas ou três partes... Talvez quatro, vamos ver... Obrigado pelo "Nossa"... e pela continuação desse nossa, rss... É, a questão do olhar é um fato... Não é fácil controlá-lo quando a distância existe... Abraços...
Pepê Mattos · Macapá, AP 6/2/2008 20:35
Pepê,
Perdi a parte I, isso não me perdoo, embora peça a você dsculpas pela minha falha.
Desde a primeira estrofe até a pultima é faboloso seu sentir e seu expressar. PERFEITO.
Abraços e volto.
Belíssimo, Pepê!
Melancólico, porém, sem perder a esperança...
Bjo!
Pepê,
estou acompanhando esse "internet affair", e devo te dizer que, com happy end ou não, ele te rendeu versos maravilhosos, porque tua sensibilidade se percebe em cada letra de teu canto tão amoroso e ardente! Lindo poema...
abçs de betha.
Retornei pois gostei demais.
brigitte · Goiânia, GO 8/2/2008 12:32
Merecidos votos.
Bjs.
Grande! Muito Grande!
Pepê Teu Canto é de encher o estômago de palavras sinceras.
Grito de nós!
Abçs.
Benny Franklin
Merecidos votos mesmo!
dê, depois, uma olhada no meu texto:
gostaria da sua opinião:
http://www.overmundo.com.br/banco/as-maos-e-o-amor
Magnífico PePê!...abraço...meu voto
Thyago Mourão · Cuiabá, MT 9/2/2008 15:39
muito bom, Pepê.
parabéns!!!
abraços,
Vastas distâncias tão presentes são minimizadas toda vez
que o desejo se materializa;
torrentes do que a expectativa cria são alvíssaras cada vez mais concretas à medida que o tempo escorre
de um hemisfério a outro do relógio de areia.
SÓ CABE A VOCÊ. COMO SÓ CABE A ESTE POEMA DIZER: PERFEITO. ESCORRE NO REAL DE UM PEITO.
SHOW.
Uau, Pepê!
Esse eu naõ tinha visto. Mas sem dúvida não é uma lembrança perdida, mas encontrada em todos os teus versos. Nossa, ficaria por horas e horas viajando...
E que sol esse sorriso, heiN O mais belo de todos os sóis... Puxa, iluminadíssimo o sul do teu coração.
Adorei!
Abração
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