Dodô pelos Seus

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Débora Maria Macedo · São Paulo, SP
28/7/2013 · 6 · 3
 

Dodô pelo SOM e pelos SEUS
Homenagem ao Centenário de Dodô

Carnaval deste ano, você hipnotizado por todas as delícias que este momento promete. Dentro da corda, na pipoca, no camarote, de sua janela ou de qualquer lugar em que o SOM possa lhe alcançar. Há sessenta e três anos, o carnaval de Salvador deu um salto, pois apareceu a Fobica, aquelas máquinas do tempo e modificou uma festa religiosa para que hoje, os amantes do carnaval, possam fruir todas as maravilhas da carnevália.

Dois amigos, uma união forjada no improvável: da expressão e a introspecção a união pela Musa Música. Osmar e Dodô, cujas ideias se complementavam de modo perfeito, raridades que ocorrem somente em períodos específicos da história humana. Foi desse modo consolidada a parceria Dodô & Osmar, irmãos de coração e gênios indomáveis.

Falemos de Dodô, que na data de hoje completaria 100 anos de vida. Já que o próprio não era dado às palavras: tímido, arredio, introvertido e talvez por isso mesmo obcecado pela perfeição na emissão do som limpo, “sem areia”, como disse Armandinho em conversa recente.

Para tanto, dedicava-se em sua oficina ou na oficina que dividia com Osmar, a domar o som, torná-lo limpo. Para tanto, era necessário dedicar-se pessoalmente, com esmero, à feitura dos seus amplificadores valvulados que, segundo Gerônimo, “aguentavam pau, que muitos amplificadores de hoje não aguentam”.

Dodô também era homem de amores. Casou-se duas vezes e ao todo teve 11 filhos, entre os que nasceram, os morreram e os que não viveram o suficiente para ouvirem canções de ninar. Tinha lá suas seguidoras, suas fãs e com o mesmo cuidado que dedicava aos seus feitos, atendia suas tietes. Homem de pouco estudo, ao final do Fundamental II deixou a escola para trabalhar, aprimorou-se na função de radiotécnico. Mais preservou e aprimorou o olhar para o belo e para o bom.

Desvelo maior ainda, destinado ao ofício de luthier, o “pau elétrico”, modificado e renomeado de Guitarra Baiana está aí para provar que com determinação e muito trabalho, era possível livrar o SOM de um dos seus piores detratores: a microfonia. Os demais instrumentos seguiam o mesmo caminho, para cada um, cuidados especiais, uma busca incansável pela perfeição.

Mas isso também não bastava, era necessário realizar o trabalho completo, acompanhar seus parceiros ao violão em um estilo definido por Betinho, filho mais velho de Osmar, como “baixo-tuba”. E mais uma vez era o trio na rua encantando seus seguidores e tietes.

O tempo passou, o trio mudou e se multiplicou, mas como o tempo não se deixa ficar à sobra e água fresca, a lembrança de Dodô se esvanece na memória coletiva, mas permanece cada vez mais viva entre os Seus: a cada geração a História é passada aos recém-chegados à grande família Nascimento e suas derivações, os feitos do “Vô Dodô.” Os amigos de sempre e os que conviveram com ele são extremamente generosos ao compartilhar suas lembranças. Com isso, vamos preenchendo as lacunas e mantendo viva a História, de conto em conto, com carinho, desvelo e cuidado, do mesmo jeito que Dodô se dedicava ao amor e ao trabalho.

Assinam filhos, netos, amigos pelas palavras de Débora Maria Nascimento Macedo, neta e dedicam àqueles que amam o que fazem e fazem o que amam.

Sobre a obra

Dia 28 de julho de 2013, Centenário de um dos inventores do trio elétrico. As mídias tradicionais baianas não encontraram espaço m suas pautas. Registra-se aqui, pelos Seus, uma homenagem a esse gênio criador.

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Autoria
Débora Maria Macedo
Ficha técnica
Débora Maria Macedo
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Jorge Aquino
 

E lá se vai o inconsciente coletivo.

Jorge Aquino · São Paulo, SP 28/7/2013 21:14
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Manhã Meirelhes
 

Eu acho um absurdo o que ocorreu com a família desse grande gênio. De repente, resolveram pomover o filho guitarrista de um dos inventores e cada vez mais Dodô foi caindo no esquecimento.

Manhã Meirelhes · Ilhéus, BA 6/8/2013 19:40
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Clara Amoreira
 

Valeu, não sou muito chegada a carnaval, mas gosto de ver as massas atrás do trio elétrico. Legl esse resgate de memória

Clara Amoreira · Salvador, BA 6/8/2013 20:28
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