IMEMORIAL
Abro a porta
Para uns sonhos
Buliçosos, sonambúlicos,
Das retortas e dos alambiques
Ubíquos e ocos.
Sonhos dos dias foscos,
De sóis leucócitos,
Alvura cálcica dos ossos,
Restos de algas cáusticas
Que serpenteiam
Nas águas gélidas, ribonucleicas,
Dos abismais fossos da alma.
Que importa!
( Se abissais, fantasmagóricos,
Se imemorial e atávica lembrança,
Do primeiro homem nu
Sobre a primeva Terra , toda sua)
São apenas sonhos de outrora,
Da noite antiga e calma , chegando
Nos relâmpagos que saem dos dedos.
Como os pirilampos que reluzem
E são pedaços de almas
Que se despedaçaram no espaço,
São sonhos baços, esses medos!
CORONARIANA (per Gorélia)
Toando no canobilo
o meu canto a Gorélia,
modeca dedicata
de outrora éritis,
cardonissa d´arrefico,
relicata.
Afirátimo agrisólitos
os seus cabelos loirolaços,
que cœli faziam tão bemtulo,
tão bemtulo ália grata
o adusto cerne
e a basilácea dremedoada.
Crenesciam cristais de tropofélios
em suas nodelóquias mitocôndricas.
Retiniam metais de silfiléquias
tão leves que arminhos de prata
pareciam.
Ah!!!. . . Argênteos perinóquios
triniqüescentes e tão tristulos
que muda fala qüéris
com patolíveas remacronassem.
Ah!!....Cariópices da angostura
que na aurora semper silver
transmicreviam,
cordicata !!!
Ah!!.. coração...
explode!!!...
Marco Bastos
Salvador - Bahia.
IMEMORIAL - um mergulho no atavismo das imagens, quem sabe uma fotografia em um filme de DNA ou um registro no inconsciente coletivo.
CORONARIANA (per Gorélia) - um dia pensei que a beleza poderia não se prender às convenções e poderia ter a sua linguagem própria. Trata-se de um exercício sobre sonoridade e rítmo.
MARILUA - "mundo, mundo vasto mundo" - figurativismo expressionista (?).
Eis que surge
MARILUA
Tua_Lua
Completa_mente
Despida de pre_conceitos
(Ir)reverente a mácara posta ao lado
Pro lado com brocado... Ela pega ao largo
Pega e leva pro azul desse seu belo céu
Seu_Céu
Sempre em silver
Seu coração explode em gold
(Im)porta sim!
Esses sonhos baços,
esses medos!
(Ex)porta sim!
Esse medo de sentir medos
...
Acolhido em tuas cores e devolvido com sabores e texturas
...
Tua_Mari_Lua
Beijos_Meus*
*
Lilli_Beth, um grande abraço. Obrigado pela presença.
"Faço perguntas porque não tenho respostas" - Suryalaia.
Um dia eu saí da caverna e olhei o mundo de forma diferente. O céu era uma imensidão, o mar era sem fim. As estrelas, uma infinidade de pontos luminosos, faiscavam sem parar com brilhos tão fugazes. Havia árvores, havia rios, havia rochas, havia tudo - tudo igual ao que sempre foi, e como era igual, antes eu não percebi. Eu era parte daquele mesmo lugar. Esse dia mágico durou milênios ao longo dos quais infinitas vezes fiquei maravilhado e dei gritos diferentes que eu não compreendi, mas eu sentia que eram gritos diferentes. E houve infinitas vezes que eu disse tudo diferente e ninguém me compreendeu, e eu também não compreendi. Agora estávamos separados da figueira em que nascemos e construíamos um mundo a partir de uma linguagem que inventávamos. Infinitas vezes sentimos o desconforto de não ter palavras para dizer ou não compreendermos as palavras que ouvimos.
Boa noite.
Marco.
...
Quem dera as palavras pudessem dizer tudo... Quase_tudo seria tão bom ou tão terrível... Nem tudo é pra ser dito ou compreendido a qualquer tempo ... Desculpe se estou ocupando tempo demais pra dizer que tuas respostas estão nas palavras que pintas com maestria e nas palavras que pensas que não dizes com mestria. Teu trabalho é de uma riqueza de significados maiores do que tuas palavras contadas porque estão encantadas em versos texturizados. Significantes inefáveis...
...
Tuas respostas
Eu as entenderei
Faça as perguntas que quiseres
Faça as perguntas que não souberes
As respostas chegarão no tempo certo de tua escuta
Há um tempo para olhar
Um tempo para perceber
Um tempo para enxergar
Um tempo para compreender
Mas...
Há um tempo crucial
Um tempo de deixar o tempo
Passar do tempo de chegar
...
Tuas respostas estão bem aí...
Carinho_Respeito_Admiração
Beijos_Meus*
*
Marco, meu querido poetAmigo,
Poema repleto de imagens construídas, utilizando palavras concretas e re_construídas diante do início, meio e fim da era.
Não sei bem se viajo para as cavernas ou se vôo para o espaço...(?) ;)
A arte do autor nos faz correr e pensar no seu imaginário poético,
no seu contexto (ima)gen_ético de poeta, artista plástico e professor.
Mas sobretudo daquele que faz da palavra o que quer.
Parabens Marco, meu querido amigo!
Com certeza meu vocabulário aumentou, tive que ir ao dicionário
algumas vezes... hehehheheh....
Beijos e bom domingo!
Regina
Olá, Regina, querida PoetAmiga.
É mesmo, também não sei se sigo a rota das cavernas ou o caminho para Antares. rs. De qualquer forma o engenheiro aqui me aconselhou a verificar se meu veículo tem marcha-a-ré, no caso de ir para as cavernas, e se eu optar por Antares, que não deveria ir no licóptero sem freio. risos.
Obrigado pelas suas palavras gentis, essas todas nos dicionários, com certeza.
beijos.
Marco, poeta querido,
O caminho para Antares tem mais novidades.
A caverna está ultapassada... rs...
Estou contigo!
Beijos e boa madrugada,
Regina
Então é, Regina, o caminho para Antares deve ser mais atrativo e menos pedregoso. É um caminho no céu que sai aqui de Cachaprego e chega muito rapidinho naquela estrelona vermelha de Escorpião. Vão ser só 604 anos e isso é nada diante da eternidade. O licóptero vai voar à velocidade da luz, que nem é lá toda essa pressa - enquanto o coração dá uma batida a luz dá 7 voltas na Terra - mas mesmo assim o engenheiro disse prá não ir no licóptero-sem-freio e é bom conferir se está mesmo freiando. Testar isso é muito fácil - é só ver como os boeings queimam os pneus na troposfera - como carro que freia queimando pneus no asfalto, no céu ficam aquelas duas linhas de fumaça. Prá você que mora aí em João Pessoa, calor lá não vai ser muito problema - são só 3.500 graus Kelvin mas por questão de conforto chegando perto do heliporto você pode ligar o ar-condicionado. Não fosse você ter optado por esse caminho por causa das novidades, ia lhe contar mais uns detalhes. Sendo assim, agora vou paralax, que é prá não perder a graça. rs.
Beijão e um ótimo domingo.
Encantei-me com MARILUA.
Os azuis sempre me contam "coisas"...
Desde menina brinco de CORONARIANA, que bom saber que também brincas...
Beijos
Olá, Cherry Blossom, konnichiwa. Devem ser mesmo aqueles azuis do nosso interiorzão em São Paulo, né? eles também me falaram muitas coisas.
Com a Coronariana eu deixei para brincar mais recentemente. Quando eu era menino brinquei de escrever em código e fiz um para escrita e ainda hoje sei escrever nele. No começo foi meio complicado utilizá-lo. Eu escrevia rapidamente com ele, mais que quando escrevia com as letras do português. O problema era decifrá-lo na leitura porque demorava muito. No primeiro ginasial escrevi todo o meu caderno de História nesse código e o resultado foi um exame em segunda época. Nas vésperas do exame final eu ainda estava traduzindo. risos.
beijos.
Oi, Pati. Acorda menina!... rs. Entendo que tipo de hipnose é essa. Às vezes acontece comigo diante de algo de que gosto muito. É um tal de ler e reler, ou observar um quadro feito e deixar a mente voar por um bom tempo. Marilua já não o tenho mais e agora ao postá-lo aqui já tinha algum tempo que eu não o observava. Revi todos os seus detalhes, mergulhei nesses azuis de céu e mar até me cansar de olhar aquelas luzes no horizonte. Ali é Itaparica vista com os olhos da mente, a partir de um trecho da Ribeira.
Obrigado pela visita, Pati.
beijos.
Excelentes relatos, palavras esmeradas e na dose certa.
Sempre adorei as mitocôndrias e o que representam para a Humanidade num todo !
Votadaço !
Um abraço, feliz dia do beijo !( senão cê vai ficar sentido ! )
Oi Marco poeta querido,
Você tá que tá... rs...
Retornei para re_ler.
Beijos, votos e muita poesia.
Regina
Marco poetAmigo,
Ia me esquecendo...
Antares na escolha feita torna-se uma imagem
do novo, o que vem, re_floresce, re_surge.
Abreijos e boa semana!
Regina
em forma de agradecimento
mas também contemplando a sempiternura de sua poesia
completo teus 70 votos
Marco Bastos,
Quanta beleza exposta - aos nossos olhos e sentidos privilegiados - nesta sua publicação artística. Versos e imagens e símbolos e metáforas que transcendem e buscam o essencial, alimentando o espírito.
Viva!
Votei.
Eu sabia, eu sabia que esse santista, nas horas tétricas, lúdicas e lúbricas, ex_poente ex_poeta do Bexiga, iria direto ao ponto. Uma sopinha de mitocôndrias com uma razoável porção de eukariontes (opss...eu-cariópices), núcleo do_Eu-verdadeiro, é mesmo adorável. Principalmente para repor os açúcares nas varicé(lu)las (putz!!!... passou perto, rs) debilitadas com o sapateado e a bateção-de-pé-no-chão quando o forte apache caía diante dos cara-pálidas, na matiné do di(s)manche.
É sim Alca(li)nu, não eram necessárias tantas diligências para o bem da Humanidade.
Agradeço o seu recado com os malu_kisses que a Malumader me trouxe no dia-bo-beijo. Disse a ela que o tempo é relativo - não precisaria esperar mais um ano para repetir a dose. Ela deve ter lhe dito que não fiquei sentido, mas fiquei sentindo e que nada está mudado...está mudando. rsrs.
grande abraço e obrigado. não fique triste se hoje acordei cedo e estou esperando a inspiração chegar.
Antares é uma boa pedida, Regina, embora não uma super-nova, é uma gigante vermelha, a maior que se conhece. Tem a cor de Ares (Marte) e é a mais brilhante da constelação de Escorpião. Na tradição árabe antiga, Antares é o guerreiro-poeta Antar's. Um poeta é sempre tudo-a-ver. Muitos dos antigos templos egípcios são orientados de modo que a luz de Antares participe nas cerimônias. Seu nome em árabe antigo era al Ά;ķ;rab de Ķ;alb, o ' Coração do Escorpião'. E aí mora o perigo. risos.
beijos e também uma ótima semana.
Obrigado Ney S Lima. Gostei mesmo daquelas bolinhas de gude. Você foi muito criativo na e-laboração daquele texto.
abraços.
Rubênio Marcelo. Por admirar muito as suas letras, poesia vigorosa e músicas sensíveis, suas palavras comentando esse meu trabalho, muito me alegram. De fato, aqui busquei os símbolos, as metáforas e as parábolas para tratar de assuntos que para mim encontram-se ainda no campo das intuições. Desse ponto à disciplina lingüistica, racional e científica, há uma imensidão a percorrer. E apesar disso não me furtei em tratá-lo porque acho que esse é o papel do poeta - ter a percepção e ser faísca ... para acender os vulcões que se encarregam de fazer correr a lava.
um grande abraço e uma boa semana.
obrigado.
é assim mesmo...
Fico lendo, volto, releio...fico olhando a paisagem novamente...imagino até o dia que vi o céu assim...
Beijão Mestre !
Que coisa mais bonita teus trabalhos, Marco...
Descobri tua Ciranda, junto com a Aurea Charpinel, que também adoro! Lindíssima...
Parabéns!!!
bjo!
Beijão, Pati.
esse céu ficou lindo, não foi?
boa tarde.
Olá, Nydia. Boa tarde.
A Ciranda foi a minha primeira postagem aqui no Overmundo. Também gosto muito dela. É a minha única composição musical efetivamente concluída. Algumas outras ficaram pelo meio do caminho. Gravei a melodia de Zabelê em mp3, e mandei o arquivo para a Áurea desenvolver a harmonia. Ficou ótima.
Áurea é uma artista, poetisa, musicista, compositora muito talentosa. E é linda como pessoa.
obrigado pelo comentário e presença.
beijos.
Olá,Marco
Passeando pelas suas obras, é sempre uma nova aquarela natural nos meus olhos, é a planta,o céu e você aumenta a luz das estrelas...dos poemas..
abraços beijos inspiração eterna
Claudia Almeida
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