Dom. Todo mundo tem.
Nas sombras da memória,
insiste um fio de Luz.
Luta. Prescuta. Reluta.
O caminho é irreversível... jbc*
Os mitos nos fornecem maravilhosos referenciais sobre a negligência da condição humana e da necessidade que temos em superar nossos próprios bloqueios.
A Bíblia narra o drama do profeta Jonas devido a sua insolência e rebeldia:
Veio a palavra do Senhor a Jonas dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas, para fugir da presença do Senhor embarca em um navio em Jope e vai para Társis.
Mas o Senhor provocou sobre o mar um forte vento, e fez-se uma grande tempestade e o navio estava a ponto de se despedaçar. Os marinheiros, cheios de medo, lançavam ao mar a carga para aliviarem do peso dela. Jonas, deitado no porão, dormia profundamente. A tripulação lançou sorte para descobrir o motivo daquele temporal e a sorte caiu sobre Jonas.
Assim Jonas foi jogado ao mar e o mar cessou sua fúria. O profeta foi tragado por um grande peixe e durante três dias e três noites permaneceu em seu ventre. Na angústia Jonas orou a seu Deus e o peixe o vomitou na terra...
Das profundezas viscerais do monstro marinho, em processo de parto renasce um novo Jonas.
Ainda propenso às limitações do homem, Jonas torna a ouvir a voz do Senhor e mesmo que meio constrangido, já que não tinha outra escolha, realiza a missão que a ele estava destinada.
Renascer. Voltar simbolicamente ao útero materno. Desprender-se de velhos vícios. Ressentimentos que escravizam. Autocensura que inibe. Expulsar os dragões e outros bichos perniciosos de nossa paisagem interior.
Sentir o sangue nas veias. Posicionar-se diante dos acontecimentos. Transformar o marasmo do cotidiano em atitudes positivas e iniciativas inovadoras. Para os iludidos, domar o complexo de Narciso. O encantamento com o umbigo.
Reconhecer o mundo ao nosso redor como uma autêntica escola; campo de batalha essencial para a nossa aprendizagem e crescimento interior. Cada momento da Vida é insubstituível.
No dizer de Stephen Nachmanovitch em seu livro “Ser Criativo”:
Cada momento é precioso precisamente porque é efêmero e não pode ser repetido, corrigido, capturado... O fato da improvisação se desvanecer nos faz entender que cada momento da Vida é único – como um beijo, um pôr-do-sol, uma dança, uma piada. Nada voltará a ocorrer exatamente da mesma maneira. Tudo acontece apenas uma vez na história do Universo. (Nachmanovitch, 1993, p. 32)
Começar de novo. Acionar um “querer determinado” e superar barreiras dimensionando novos horizontes, potencialidades adormecidas. Sair do plano mental para o campo das experiências palpáveis. Destronar a obsessão do racionalismo Cartesiano prepotente e dar vazão ás preciosidades latentes.
Podemos tornar viável esta iniciativa atendendo os apelos de nossa voz interior. Saber ouvir e exercitar nossos dons. Aprimorar o equilíbrio entre o conhecimento racional e o conhecimento não verbal, natural dos processos intuitivos.
Coração, mente e um querer transformador. Temos no exercício da vivência artística um caminho do Coração que pode tornar possível esta mudança tão necessária para o desenvolvimento de nossas potencialidades.
Novamente é importante atentar o que diz Stephen Nachmanovitch:
Se soubermos que nossos inevitáveis contratempos e frustrações são fases do ciclo natural do processo criativo, se soubermos que nossos obstáculos podem se transformar em beleza poderemos perseverar até a concretização de nossos desejos.
Essa perseverança é muitas vezes um verdadeiro teste, mas há meios de passar por ele, há placas de sinalização. E a batalha, que é certamente para toda a vida, vale a pena. É uma batalha que gera um incrível prazer e uma enorme alegria.
Todas as nossas tentativas são imperfeitas, mas cada uma dessas tentativas imperfeitas traz em si a oportunidade de desfrutar um prazer que não se iguala a nada neste mundo...
O processo criativo é um caminho espiritual. E essa aventura fala de nós, de nosso ser mais profundo, do criador que existe em cada um de nós, da originalidade, que não significa o que todos nós sabemos, mas que é plena e originalmente nós. (Nachmanovitch, 1993, p.23, 24).
Dom. Todo mundo tem. A Justiça Divina é imparcial. Zelar, desenvolver talentos adormecidos está na consciência de cada pessoa.
É mérito de quem já acordou!
Jbconrado.
Texto da Monografia "Olhar Multidimensional" apresentada como
resultado parcial para obtenção do Grau de Especialista em Arteterapia em Educação e Saúde.
Esse texto possui diversas coisas que podem ser lindas de dizer, mas muito difíceis de ver ou pensar.
Nada melhor para o pensamento que a verificação da vida real e vivida. Basta uma rápida olhada ao nosso redor para perceber que a maioria das pessoas não possui um dom. Dom é aquilo que costumamos chamar de inato, algo que se manifesta espontaneamente. Creio que a maioria das pessoas não possui nenhum dom. Podem ser boas nas práticas de algumas tarefas, mas em nenhuma delas se sobressairá naturalmente.
Colocar a questão do dom acima de tudo como igualmente fornecido a todos é dar uma mostra suficiente de boa vontade, mas que nem por isso deixa de ser ilusória. É a síndrome norte-americana, o cidadão tem que ser bom em alguma coisa nem que seja o melhor fritador de hamburgueres do mês. Exaltar o dom não é exaltar o bom.
Há uma incômoda ode ao pensamento positivo reducionista nesse texto. Não nem tudo são flores, nem sempre a perseverança dá cabo das dificuldades, não há criatividade que dê jeito na maioria das coisas, e quase nunca seremos felizes com cada momentinho ínfimo da vida.
Para ser feliz, que é diferente de estar alegre, basta que saibamos dessas coisas todas e não desejemos estar sempre eufóricos, aprofeitadores dos momentinhos mais ínfimos do mundo como se fossem momentos grandiosos. Pois isso ou é rebaixar os momentos gloriosos da vida ou é dizer que tudo que é momento pode ser um momento glorioso, o que termina por dizer que nenhum é abolindo assim a própria definição de glorioso.
Acho que uma falsa positividade pode causar muito mais estrago que uma posição centrada e aberta tanto aos baixos quanto aos altos. Afinal a vida é maioria de linhas médias, com muitas linhas baixas e algumas linhas altas. Essas que devem ser aproveitadas ao máximo, se e quando existirem e não em cada momentinho da vida.
Olá Ayruman, é verdade, "dom" todos temos. Somos aparelahdaos para habilidades diversas, porém, nos saimos melhor em algumas, mas isso não descapacita para as demais.
E eu acredito, que tudo pode ser aprendido.
beijão
Ayruman, muito bem escrito, profundo,
inteligente e verdadeiramente sábio
o seu texto. A imagem, por sua vez, maravilhosa.
Quantos dons você recebeu e tem multiplicado.
Parabéns, caro poeta.
Meu carinhoso abraço e votos.
tudo parece divino e maravilho....a pintura, o poema. Um dia vou participar das tuas oficinas. Votos e bjos de luz
graça grauna · Recife, PE 7/9/2008 10:35
JB...sim,dom é divino....e o divino é de todos...é preciso simplemente que estejamos abertos e conectados com a scoisas ao nosso redor...com a natureza e seus mistérios...com o esplendor da existência!
Belíssima tela...e riquíssimo texto!
Parabéns,meu querido!
um beijinho bluecarinhoso...
Blue
muito bom seu texto, gosto muito do que escreve,votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 7/9/2008 12:27
JB,
que beleza de poema
" Dom , o mérito de quem já acordou"
Concordo, a justiça divina é imparcial,
se ela nos tira um dom, dá outro em dobro"
bjssssss
Trabalho maravilhoso de concientização e religiosidade.Trabalho que mostra a complexidade humana.
Ecila Yleus · Recife, PE 7/9/2008 13:33
Dom. Todo mundo tem. Mas você tem demais. Minha frustração é não ser poeta. Mas tenho o dom-privilégio de admirar a boa poesia que é a forma mais acabada de literatura. Os versos que acabei de curtir são exemplos disso. Vá mais longe, poeta maior.
"Zelar, desenvolver talentos adormecidos está na consciência de cada pessoa.
É mérito de quem já acordou!".
..Profundo! Bjos
muita gente tem um pouco de Jonas não mesmo? Sempre achamos,ao ínves de crer.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 8/9/2008 14:18
Dom que recebemos. responsabilidade de usá-lo, sempre! Teremos de prestar contas pelo não-uso ou uso indevido. Ajudemos a melhorar o mundo! Beleza de texto.
Abraços.
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