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DOMMINUS IMAGINARIUM

1
Benny Franklin · Belém, PA
24/7/2007 · 178 · 17
 

Foto: Flickr/Creative Commons

Atropelo
A morte e a morte
Do poema bruto porque doravante
Há que se derramar em lágrimas doutas,
Qual cotidiano gozar,
Ou como tutano fervido a limo e cerúmen
A asfixiar-se
Em qualquer acidez sem sal:
Feito esse célere álibi do mamãezar
Dos Icebergs erotizados
Tostando-se em sêmens arredios;
Domminus Imaginarium
Do Poema egocêntrico em pedaços...
..................

Com água e fogo,
Aniquilo a extenuação da metástase
Da palavra,
De forma que a entendo
Como flor-de-catraia rediviva,
Tal como entendo mortos
Os Vedas Ditosos e seus Sânscritos Extratérreos,
Que percebem no Amor
O Cálice (In) Perfeito.
..................

Aos vinte e cinco,
Aprendi que os Essênios Gozosos,
Dominavam a técnica de fazer-amor-completo:
Louvavam a etílica vagina mastigando aurora,
Assim como desnudavam-na
Feito Vênus despida em franjas,
Porque adoravam-na como Deusa
Redondamente penetrada;
Mas desintegravam-na, lentamente,
Ao primeiro urro
Combalido...
..................

Água e fogo
É o suficiente, o intangível,
O muito de que precisamos?
Não. Carecemos de poesia.
Os Nobels da Escrita
Pregam que não lactar-se o organismo
Das letras é como não lamber o bico da mama;
É como não fugir a longes eternidades...
É como se fotografássemos criaturas da noite
Crendo em algo
Descrendo das vis evidências
Do não existir-se.
..................

Dizem más-línguas
Que crer e descrer
(Exceto o ato falho da algema inseminada...),
É chocar-se, é resistir-se...
É ousar proteger-se de algo tangível,
O não divino.
É despoetar-se as últimas seqüelas
De o Ser Poético porque Descartável.
Enquanto cá, em solo poético e
Sob a sala de estar do vazio,
Alguns restos de espermas vadios
Jazam pervertidos, negrejados;
Coagulam-se no tapete
Rompendo instantes.
..................

Crer (na lavra) e não descrer (da palavra)
— Suponho —,
É a possessão do fantasmático.
Provém do crepúsculo do vôo
(Mal cozido e destemido
Que a tudo cala, mas a tudo contamina...).
Antes:
Cri ser a palavra
Um movimento,
E não (re) nego a derme!
Hoje:
Desumedeço-a à tênue vertigem;
Douro-a em outra forma
Desprovida das antíteses solteiras...
Decerto, porque
Nela cri, sofri, e por sorte,
Nasci de ulterior vida
Feita de gomos
De vento.
..................

De soslaio,
À frente do tempo,
Os Gnomos de gozares inumanos,
Transferem-nos
As (in) precisões de dosar à força
A falsa noção
De que não podemos equivaler
À Perfeição da Palavra...
Não fosse a lucidez do mormaço,
À imaginação caberia o logro:
Proeza e álibi do pranto
Que merece ser idealizado e (re) talhado
À luz da contextura
Orgâmica.
..................

Aí... Sofro e sofro,
Porque símile à verdade,
Nós, Poetas de membros engessados,
“Somos como obras inacabadas e complexas”...
Como desconexas
São as lágrimas e as dores imperfeitas.
Sutis artífices
Das esfinges caçoadas
Que jazem
Sob os transes vespertinos
Do olhar...
Cujo artilharia põe-se a nos arquivar
Da podridão dos soberbos idiotas,
À medida que o tal canivete enfiado ao chão
Grela vísceras e espermatozóides medianos
Que, apesar dos pesares,
Ama a silhueta e fode a poesia;
Assim como o húmus do orgasmo
Desvirgina a paixão!

Benny Franklin

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Benny Franklin
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Cintia Thome
 

Ei Menino. CHOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.
Se eu quisesse colocar aqui a alavra que mais tocou, seria teu poema inteiro. Voce é Perfeito!
b e l i s s i m o BENNY

PS: Voce colocou um link que vai dar no Nato Azevedo????Why????

Cintia Thome · São Paulo, SP 20/7/2007 10:10
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Cintia Thome
 

Aos vinte e cinco,
Aprendi que os Essênios Gozosos,
Dominavam a técnica de fazer-amor-completo:
Louvavam a etílica vagina mastigando aurora,
Assim como desnudavam-na
Feito Vênus despida em franjas,
Porque adoravam-na como Deusa
Redondamente penetrada;
Mas desintegravam-na, lentamente,
Ao primeiro urro
Combalido...
..................

Doido demais!rs

Cintia Thome · São Paulo, SP 20/7/2007 10:11
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Lucas Pereira
 

Cara, demais se poema!
Abraço.

Lucas Pereira · Sabará, MG 20/7/2007 10:48
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Nivaldo Lemos
 

Benny,
o que dizer desse seu "domínio imaginário"? Um beleza. Só corrija um erro de digitação na última estrofe. Saiu "cujo" em vez de "cuja". Volto depois pra reler e votar. Parabéns e abração.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 20/7/2007 11:48
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Andre Pessego
 

Meu poeta, estas agigantando-se nas alturas desse Pará - na junção célebre do pensamento e palavras; na sutilidade da colocação; e agora no destemor em fazê-los. abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 20/7/2007 16:13
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carlos magno
 

A sua poesia é sempre expetacular meu querido poeta Benny. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos MAgno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 20/7/2007 23:48
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Adroaldo Bauer
 

Por caminhos tortos me fizestes
andar
para enfim aqui arretado te encontrar
Então, do passado milênio ao futuro lincado,
penso que há, por acaso, sem acordo, ou compactuado,
um nós já desatado
ou terá sido nó desfeito
quer, sim, dizer ter gostado.
E não é que já disse,
ainda sem ter notado

Beijo, amigo.
Obrigado (eu não o digo)
Falo, agradecido.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 21/7/2007 22:41
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karyn luiza calliari
 

Se sensibilidade tem "beleza", com certeza, ela está em ti!
bjs,
Káryn.

karyn luiza calliari · Santa Rosa, RS 22/7/2007 12:36
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Noelio Mello
 

Benny.
Passas através de teus versos com extema facilidade e beleza do fogo para a água, da vida para a morte, do amor para o desamor, da desesperança para a esperança. Do acreditar para a incredualidade, da terra para os céus.
Excelente.
Abraços
Noélio Mello

Noelio Mello · Belém, PA 23/7/2007 16:13
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Ize
 

Demais, demais, demais!!!
Carecia de poesia até agora, dessa hora em diante não mais.

Abç admirado.

Por favor me avise qdo voltar que esse overmundo é muito grande e a gente acaba se perdendo de tanta coisa boa como essa. Vou atrás de mais poemas.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 24/7/2007 02:04
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Marcos André Carvalho Lins
 

Aos vinte e cinco,
Aprendi que os Essênios Gozosos,
Dominavam a técnica de fazer-amor-completo:
Louvavam a etílica vagina mastigando aurora,
Assim como desnudavam-na
Feito Vênus despida em franjas,
Porque adoravam-na como Deusa
Redondamente penetrada;
Mas desintegravam-na, lentamente,
Ao primeiro urro
Combalido...
simplesmente espetacular!!!!!!o teu lirismo é de uma perplexidade diante de temas tão visceralmente humanos!!
parabéns!!!
abraços,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 24/7/2007 08:19
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Dora Nascimento
 

Benny,
Começei a ler... Mas é muito forte...
excitante... Pra poder sobreviver placidamente e...
Ah... Depois eu volto pra dizer, tá?
Tô toda, toda, toda...

Dora Nascimento · Olinda, PE 24/7/2007 08:57
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crispinga
 

Benny,
De tirar o fôlego....Carecemos de poesia...

Agradecida! Como fala a gentil criatura Adroaldo Bauer!
Bjs
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 24/7/2007 09:41
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Mansur
 

Não sei nem oq dizer...tudo que não for poesia é dispensável...do caralho!!! pronto.
abs

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 24/7/2007 10:10
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BETHA
 

BELÍSSIMO, BENNY!
ARTESÃO DAS PALAVRAS.
ABRAÇOS DE BETHA.

BETHA · Carnaíba, PE 24/7/2007 10:16
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Sérgio Franck
 

Tem vezes que rasgar o verbo, é saber verbalizar um poema assim, sem pretender o Domínio Imaginário.
Acho que já disse o que acho dos seus poemas.

Paz, amigo.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 25/7/2007 14:04
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Caio Mário
 

Salve, Benny.
Estive desligado daqui. Mas vejo que há poemas seus que falta eu ler. Tratando-se deste, confesso que o licor está deilicioso. Aliás os efeitos eílicos de suas bebidas poéticas são de uma lucidez sem igual. Você, Benny, não é um poeta comum. Você é um poeta da humanidade tal a beleza e a arquitetura dos mesmos.
Abraços. Votado.

Caio Mário · Castanhal, PA 25/7/2007 21:58
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