O brusco fim da infância calhou para mim em 1972. Dezesseis anos de idade. Tempo de mudanças grandes. O curso ginasial, uma vez terminado, pôs fim também a algumas outras coisas.
Nesta época, o nome da escola querida mudou de Colégio Estadual D. Pedro I para Marechal João Batista de Matos. Descobriu-se que havia um colégio homônimo, mais antigo, em algum bairro distante. E... vá lá que algum aluno fosse dar com o costado no Dom Pedro errado... Por outro lado, D. Pedro I já havia sido homenageado o bastante. Azar ou sorte, isto não foi tudo.
Tempo de trabalhar durante o dia e estudar à noite. E de procurar ajudar minha mãe, deslocando-me do subúrbio do Rio para o distante Centro. Trabalhar, firmemente, como contínuo num banco – e daí voltar ao nosso bairro, cansado, já noite. Ir diretamente às aulas no segundo-grau, sem antes jantar.
Uma novidade, estudar à noite. Não usar uniforme. Acabaram-se as exigências: a intolerância com matérias mal estudadas e com notas não alcançadas. Enfim, seria muito fácil, dali em diante, cumprir apenas o prazo dos três anos, concluir o curso... e adeus estudos!
Difícil estudar, quando se chega cansado... A maioria desistia, naquela época. O trabalho, uma vez iniciado, seria para sempre - até o fim da vida. E poderia ser (quase sempre era) o começo de uma espécie de escravidão: dolorosa, definitiva. Curta infância...
“Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!” Éramos pobres.
Logo nas primeiras noites de aulas, ouvi ecoar uma voz forte, alta, de mulher, em pontos diferentes do colégio - de três andares e com dois pátios grandes. Às vezes pareciam verdadeiros gritos. Logo fiquei sabendo: era a nossa diretora, dona Umbelina.
Filha do falecido marechal João Batista de Matos, o único homem negro a chegar a tal posto, no Exército, tinha ela lá os seus quarenta e poucos anos e era gordinha, socada nos seus um metro e sessenta, talvez menos. Tive um pouco de medo: repreensões?
Tímido, levei algum tempo até criar coragem suficiente para aproximar-me de algumas das rodas que se formavam em torno de dona Umbelina. Com o passar do tempo, dos anos, os círculos – no pátio externo, nos corredores, numa quadra esportiva, enfim, onde calhasse - permaneciam formados e cerrados, durante horas. Discutia-se ali. De tudo.
Disse que chegávamos cansados. Quase todos trabalhavam durante o dia. Também tínhamos alguma fome – num curso noturno, não havia a obrigatoriedade da merenda escolar. Tudo ali seria fator de desestímulo. O cansaço e a fome cumprem bem o seu mister. Mas havia dona Umbelina... Vamos, então, a ela.
Esbravejava porque era uma oradora inata, inspirada, siderada no amor que tinha pelo conhecimento, pelas coisas do espírito. E era dona de uma cultura vasta, respeitável, aberta. Entrar numa roda em que dona Umbelina discorria – sobre literatura, filosofia, música, o que fosse – equivalia, com toda certeza, a várias aulas bem recebidas.
Houve, algumas vezes, eventos bem pouco comuns...
- Dona Umbelina, será que a senhora poderia falar um pouquinho mais baixo?
Isto era o professor de matemática, pondo a cabeça do lado de fora da janela do segundo andar, bem acima de onde ocorria um daqueles encontros. E ela, como uma criança flagrada num erro involuntário, se apressava em mover-nos dali para um outro ponto do pátio. Porque falar baixo não era o seu forte.
Ela não era diretora de ficar em gabinete. Hoje, passados tantos anos, eu me pergunto se dona Umbelina era assim por ser inquieta, brilhante, ou se havia também, mais que tudo, a intenção de manter acordado, incendiado, aquele bando de jovens cansados - e que estava a poucos passos do abismo do embrutecimento.
Continua nos comentários...
...Continuação
Eu acho mesmo quer era proposital. Se não fosse, como explicar sua entrada intempestiva numa sala onde se dava, por exemplo, uma aula de física, os braços cheios de sacos de papel com lanches que ela arranjava não sei onde e nem como, e, entre uma pilhéria e outra, entre uma gargalhada e um afago, declamar com um sentimento que jamais tornei a ver em nenhum outro declamador:
Má que tu foste - me negaste aquela
última dança que eu pedi, no entanto
eu lá fiquei pelo salão a um canto
debruçado sozinho na janela...
E magoado, a te olhar, vi-te tão bela
nos braços de outro - que chorei, e o pranto
secava em minhas faces por encanto
como se fossem lágrimas de vela...
De que serve chorar - pensei - de nada
vale mostrar aquela que adoramos
a dor que temos na alma sepultada...
E me pus a dançar... Brinquei... Sorri...
E os dois sorrimos... nós dois brincamos...
Mas tu sofreste!... E eu - quanto sofri!...*
Durante mais de vinte anos procurei por este poema. Dona Umbelina atingiu-me no coração, profundo. E, pela vida afora, buscando o verso “negaste-me uma dança...”, sem encontrar, custei a me dar conta do quanto eu devia a esta mulher. Do quanto seria bom se eu pudesse encontrá-la novamente para perguntar:
“Dona Umbelina, isto hoje me parece coisa de Castro Alves ou mesmo de Olavo Bilac... mas... não está lá... A senhora poderia me dizer?... E poderia declamar novamente?”
E, desta maneira, descobri que não mais conseguiria viver sem estudar e sem ler. Estudo todos os dias, até hoje, aos cinqüenta e um anos de idade. Creio não ter faltado a uma aula da vida sequer...
À professora Umbelina Santana de Matos, diretora do Colégio Estadual Marechal João Baptista de Matos – 1970/78, oferece o ex-aluno, em dívida de gratidão eterna.
*"Má" Poema de J. G . de Araujo Jorge do livro "Meu Céu Interior" - 1934)
Alguns dados da época:
Rio de Janeiro, subúrbio de Coelho Neto, bairro dormitório habitado predominantemente por operários.
O Colégio Estadual Marechal João Batista de Matos ainda existe, com o mesmo nome, oriundo que foi do Colégio Estadual D. Pedro I, construído em meados da década de 60, como um “centro de excelência” suburbano, onde somente se era admitido através de concurso disputadíssimo por candidatos de toda a Zona Oeste e parte da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Errata:
Onde se lê:
Eu acho mesmo quer era proposital.
Leia-se:
Eu acho mesmo que era proposital.
Peço que perdoem a extensão do texto - e ter continuado no espaço dos comentários.
Escrevi estas lembranças, entre a meia-noite e quatro horas da madrugada de hoje, 18 de setembro, roubando algum tempo ao sono e ao cansaço, com o intuito de colaborar com a idéia maravilhosa do nosso overmano Joca Oeiras.
Peço, aos queridos amigos, que me perdoem pela ausência prolongada. Trata-se de um acúmulo de trabalhos, ao qual não me é dado fugir.
Cordiais saudações!
Baduh
E Viva Dona Umbelina! Passei por vários colégios e lembro que em cada um deles havia uma figura humana fantástica assim, marcante. Pessoas como a educadora que você homenageia na crônica é que sustentam a escola, principalmente hoje, em dias tão mais difíceis, onde a educação por vezes parece um idealismo louco diante de tanto caos e abandono. "E, desta maneira, descobri que não mais conseguiria viver sem estudar e sem ler" Fontes de inspiração, belos espelhos, modelos mágicos.O poema de fato é lindo. Parabéns, um grande abraço.
Marcato Pereira · Rio de Janeiro, RJ 18/9/2007 05:49
Muito obrigado pelo teu comentário. Ele me emocionou, Marcato.
Emocionou-me também, e muito, escrever sobre esta mulher de grande valor, que, se estivesse viva e pudesse ver até onde chegaram alguns daqueles meninos cansados e famintos... Mas, será que, onde quer que ela esteja agora, não estará vendo?
Há dois que são professores doutores na Sorbonne. As meninas, quase todas, foram desgraçadas pelos casamentos e filharadas... Uma escapou e foi longe: trabalha no Centro Espacial de Houston. São os frutos de dona Umbelina, uma educadora negra, que merecia estátua em praça pública, mas cujo nome não se encontra em lugar algum do Google... Vive, no entanto, para sempre, em não poucos corações.
Um grande abraço!
Baduh
Querido Baduh:
Tou injuriado porque tinha escrito um longo comentário e simplesmente o perdi. Quando isto acontece me dá uma raiva grande e uma preguiça enorme de (tentar) refazer o comentário. Mas saiba que gostei muito da Dona Umbelina e que agradeci os elogios. Até comparei: a inesquecível (Dona Umbelina) com a inesquecida (Aarin Chu), cada uma delas povoasndo de forma diversa as nossas memórias. Falei também, agora me lembro, que os elogios a mim dedicados, ainda que careçam de merecimento, são muito bem vindos, pois nos fortalecem, principalmente diante dos ciumentos e invejosos que militam não por um objetivo, mas para denotar o objetivo dos outros, o que também ninguém merece, muito menos ainda.
Lembrei que a tag comum é reminiscencias-de-escola e prometi voltar mais tarde, para novos comentários.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Se a alguém interessar:
Acabo de descobrir que dona Umbelina ainda vive e está já próxima dos oitenta anos de idade. Há uma comunidade no Orkut que a homenageia (e onde são contadas muitas histórias a respeito de sua vastíssima cultura e temperamento excêntrico, genial):
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=666955
Chama-se "Discípulos de Dona Umbelina". Que coisa boa. Vale a pena conferir.
Cordiais saudações aos meus amigos todos do Over!
Baduh
Correção: Viva, sim, com bem mais de 90 anos, dando aulas gratuitas para crianças, no casarão onde reside, no bairro carioca do Grajaú.
A comunidade que homenageia dona Umbelina é formada por admiradores incondicionais, entusiásticos, como o sou eu.
Querido Baduch:
Coisa boa,não, excelente!
Estive lá na comunidade, já associei-me a ela, e creio que teremos a possibilidade de reunir um rico material iconográfico sobre ela e o Colégio que ela dirigia. Talvez, até, entrevistá-la.O que você acha?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Veja você, querido Joca, ainda não me associei porque quando o fizer vou querer postar, trocar lembranças (mesmo sendo aquele povo da comunidade de uma época muitíssimo mais recente que a minha, com dona Umbelina!).
Eu acho a idéia ótima! Uma senhora, com mais de 90 anos de idade agora, transforma o casarão em que mora em escola gratuita! Isto é vocação! Alguém lá disse: "Puxa, que inveja dessas crianças que estão tendo aulas com a dona Umbelina..."
Grande abraço, mano! O livro será um sucesso, será uma jóia, cheíssima de pedras preciosas, de todas as cores, a faiscar lindamente...
Baduh
Caro Baduh!
Acho que estudamos juntos. Não fosse a idade que nos diferencia:
diria que os nossos dias de estudante se passaram em tempo gêmeo. Rs. Excelente!
Abçs. Benny.
Valeu, querido Benny. Estou voltando ao convívio maravilhoso do Over, depois de uma ausência longa e saudosa! Prazer em receber teu comentário, muitíssimo obrigado, meu irmão!
Grande abraço!
Maravilhoso esse texto. Além de bem escrito, é também emocionante. Basta conferir as apreciações acima, para se entender que o texto fala, de certo modo, das emoções vividas por muitos de nós. Ressalte-se, ainda, as importantes críticas sociais, inseridas sabiamente ('an passant') ao longo da prosa, como é o caso da referência à dificuldade do negro de galgar a escala social (fator marcante em nossa história); bem como a necessidade, de muitos, de trabalhar desde cedo, estudar à noite,... fatores esses que também marcam a vida do brasileiro. Por fim, não posso deixar de mencionar o belo soneto, que também passei a conhecer a partir de hoje. Perfeito. Grande abraço, Poeta!
Lobodomar · Guarapari, ES 19/9/2007 07:09
Muitíssimo grato por suas tão gentis palavras, Lobodomar!
Um grande abraço e, peço-te, considere-me teu amigo.
Baduh
Baduh, ter inveja é pecado? Que seja, pois queria Dona Umbelina para mim, já que o exímio aluno Baduh já nos deixou, em seus comentários, seus conhecimentos e a eterna vontade de ler e estudar todos os dias. Estas "madrinhas" são tão importantes, tive uma, Doana Juracy Fiori que me emprestava livros de Jorge Amado, pois eram proibidos nas Bibliotecas das escola públicas e em casa. A aula da profa, Juracy era sempre sem alunos ausentes.
Teu texto é brilhante.Um abraço.
** A idéia de reunir cronicas a respeito de Dona Umbelina é muito
interessante, pois ela deveria ser tantas vezes mais homenageada do que o D. Pedro I,( rs)
bjus.
Muito obrigado pelo gentil comentário, Cintia! Dona Umbelina tem fãs de carteirinha e tudo... rsrsrs Fizeram comunidade no Orkut, com trezentos e tantos discípulos ardorosos!
Beijão, poeta maravilhosa!
Baduh
E hoje temos os comentários precisos e preciosos do grande Baduh...amante das letras, dos sons, das cores...e seu texto agradável e bem humorado.
Vivas a Dona Umbelina!
Grande abraço do admirador
Mansur
Querido Baduh:
O que eu disse abaixo, mutatis mutandis, serve para você também. Veja lá
Querida Ana: fiz algumas pequenas modificações no texto, do qual gostei muito.Falta o nome dele completo assim como faltam informações mais completas sobre o desempenho dele na Universidade de Viçosa. Quando for atrás das fotos, pesquise o nome dos universitários que tinham mais entusiamo pela figura (gostaria até de obter o depoimento de algum(ns) deles), se há cartas ou convites recebidas por ele e guardados pela família, descubra de qual turma fou paraninfo, enfim, procure juntar o maior número de documentos possível referentes à relação dele com a Universidade. Só para que você entenda, estamos pensando em criar uma seção do livro para homenagear pessoas como ele e a dona Umbelina (não sei se leu o texto do Baduh, postado no Banco), educadores natos, digamos assim.
Outra coisa: senti falta dum parágrafo em que você contasse como vocês se conheceram e, até, ficaram amigos.
beijos e abraços
do joca Oeiras, o anjo andarilho
O Mestre dos Doutores! (título que sugiro, vc decide!)
Ana Mineira
Já vem Sô Geraldo da Varginha.Um velho jovem de cabelos grisalhos, calça amarrada com um pedaço de corda e um sorriso de criança. Segue dengoso, abençoando quem por ele passa.No seu balaio traz verduras e legumes frescos, colhido na sua rocinha. Mora em Rio Piracicaba (Minas Gerais) no Distrito deVarginha, um lugarejo onde Judas perdeu as botas.
Dizem que suas "crias" foram mais de vinte. E todos bem criados naquele pequeno sítio, numa casinha branca e singela. De cá da estrada a gente vê fumaça sainda pela chaminé. Deve ser sua dona fazendo deliciosas quitandas: já (a)provei algumas!
Um dia passou na minha porta oferecendo um feijão diferente. Lembro até da sua risada falando que o feijão tinha o nome de "Rebenta Muié". Outra vez apareceu com uma cenoura baroa que era amarelinha igual ouro e dava em penca que nem banana, nunca tinha visto nada igual. Ganhava seus trocados vendendo, de porta em porta, seus achados da natureza.
Vejo-o contando, todo orgulhoso, que os "doutores" da Universidade Federal de Viçosa apareciam, de vez em quando, no seu sítio para aprender com ele por que algumas plantas, no laboratório da Faculdade, não iam à diante.
Coisa simples, dizia ele, é só observar a lua para jogar a semente na hora certa.
– Mas Sô Geraldo, e esse fungo que apareceu nos pés de feijão?
– Também pudera, retrucava, esses doutores não prestam atenção, observem os ventos, eles trazem os bichos todos no ar, tem que observar a natureza para plantar na hora certa. E assim ele dava uma aula, com sua sabedoria de matuto. Ia sempre à Universidade levar algumas sementes colhidas no seu quintal.
Todo final de ano, Sô Geraldo passava lá em casa, todo orgulhoso e bem trajado nos contando que ia pegar o ônibus para Viçosa. É que era “ convidado de honra” da Universidade e seria homenageado pela turma do Pós graduação e Doutorado. Foi paraninfo de uma turma, não me lembro o ano. Já apareceu até no Globo Rural. Fazia palestras para os alunos da Engenharia Florestal, Agronomia e Meio Ambiente.
Que beleza de engenheiro formado pela própria natureza!
Faz cinco anos que ele se foi. Lembro de uma prosa dele, só para me agradar:
– Sô Marquinhos – dirigindo-se ao meu marido – o senhor tem uma dona que nem a minha, ela conhece o manejo das coisas .Ela sabe manejar.
Quem soube manejar foi o senhor, meu saudoso e querido amigo.
Fica aí com Deus!
Baduh, eu ainda aprendo, cara. Que texto bacana.
Um abraço.
Muito obrigado amigos!
Este singela contribuição é devida à dona Umbelina, como gradidão imorredoura.
Porque eu prefiro mesmo é ler o que se escreve aqui no Over.
O Departamento de Poesias está em liquidação. Liquidando nossos corações!
Overmundo, a Arca de Noé da cultura brasileira. Nem mesmo as livrarias com ar condicionado e cafeteria batem. Lá tem muito livro ruim... haahahahah
Abraço afetuoso a todos os meus overmanos e overminas!
Baduh
Baduh...Maravilhoso é voce nos dando de bandeja este texto mostrando-nos essa mulher maravilhosa..."Vou fuçar" no Orkut, rs
Parabens..e vo, claro!
beijosflorados pela Primavera que está por aí...
Não tive uma Dona Umbelina, mas meu pai teve uma Dona Margarida. Professora das boas que levava a meninada em rédeas curtas lá na cidadezinha de Acari, distante pouco mais de 200km de Natal. O teu saudosismo é o mesmo que o meu pai tem. Me pareceu de certa forma íntimo. Ele também acabou de chegar de uma encontro de ex-alunos do Colégio Agrícola em Bananeiras-PB, lá um ex-professor dele, um senhor de uns 80 e tantos anos que hoje não fala (talvez uma versão masculina de Dona Umbelina), quando viu meu pai, apontou pra ele com lágrimas já rolando e bateu no peito como se falasse: "esse aí mora no meu peito". Fiquei emocionado com ele me contando isso...
Um abraço amigo.
Baduh... Texto muito bem escrito. Deve ter sido gostoso trabalhar a emoção dessas suas lembranças.
Felizes todos nós que temos uma D. Umbelina em nossa vida. quando estamos abatidos, só a lembrança destas pessoas maravilhosas nos movem e não nos deixa desistir. Beijo grande.
Messias, que devora o violão, Sergio Franck (que eu desejo ler e vou!),
Cintia e Oeiras (de novo e sempre mais!), Filipe Mamede (meu padrinho no Over) e Joana de Eleutério (que já li, já gosto e lerei mais!):
É uma felicidade grande, conviver com vocês, participar de um meio onde a gente pode ver que o Brasil tem jeito sim! Estamos bem servidos de artistas. Artistas (sejam eles das letras, das cordas, dos pincéis, das lentes) carregam alguma santidade, sempre, e brilham na escuridão...
Beijos carinhosos a todos vocês,
Baduh
Baduh não sei como perdi este texto. Aliás, o Joca me avisou, mas são tantos textos pra correr atrás. Fui lá no Orkut e me apaixonei pela D. Umbelina. Vc disse aí em cima que não tinha se associado, mas vi vc lá com um texto belíssimo, inclusive linkando para esse. Quantos admiradores ela tem e que maneira bacana ela tinha de ensinar. Puxa, queria estar naquela sala de aula na hora que ela puxou a língua cheia de cascas de uvas. Fiquei intrigada porque há referência ao Colégio Pedro II e não ao Pedro I . Mas como, pelo que vi, ela foi profª em vários colégios, pode ser que tenha sido mestra nos dois Pedros.
Seria mesmo legal entrevistá-la. Vc acha que ela aceitaria? Se vc quiser vou junto com vc. É só combinarmos.
Beijos Baduh e Parabéns por esse texto
SALVE A DONA UMBELINA!!!!
Puxa vida, Ize, se ela toparia? Ela ainda topa todas! Com noventa e poucos anos agora, transformou seu casarão, no Grajaú, em escola gratuita para crianças.
Eu, realmente, sem tempo, ainda não havia me associado à comunidade de minha querida mestra. Mas tive de arranjar algum tempo, é claro!
Todos, ou praticamente todos os participantes da comunidade de dona Umbelina, são de um tempo muitíssimo mais recente que aquele em que eu convivi com ela (começo dos anos 70).
Ela foi diretora, por oito anos, do Marechal João Batista de Mattos (seu pai), ex-Pedro I. Depois, infelizmente, a perdi de vista. Vejo que ela esteve no D. Pedro II, nos anos 90. Mas, realmente, chegaram a coexistir os três Pedros (dois primeiros e o centenário Pedro II). Não sei se, entre tantos depoimentos, você chegou a ver um, de um ex-aluno que contou uma das assertivas de dona Umbelina: "Aluno meu, tem que saber poesia..." Veja o meu caso... mais de vinte anos procurando por um poema que ouvi dela, em alguns instantes (porque ele percorria o colégio inteiro, incendiava tudo!)
São pessoas como esta mulher maravilhosa que salvam almas do embrutecimento. A semente germinou. E saí pela vida afora, correndo estradas... me fiz ao largo... não estiolei.
Um grande abraço, Ize, procurarei pegar o número telefônico de dona Umbelina, com algum dos ex-discípulos.
Baduh
Baduh, recebi o teu texto de uma amiga internauta. Eu sou o terceiro, de cinco filhos da Dona Umbelina. Todos nós fomos alfabetizados por ela e temos o vício da leitura. Gostei muito e estarei imprimindo para ela o seu texto. Só uma correção: ela fez 77 anos em agosto, e continua dando aulas, de segunda a sábado, na casa do Grajaú. Costumo dar carona para ela até a Praça XV, onde pega um ônibus para lá.
Abraços e obrigado.
Há pouco, muito pouco, criei coragem para reminiscências.
Cheguei aqui com tempo para ler o teu postado só agora.
Viva Dona Umbelina!
Um poeta que não recordo agora (viva a poesia!) disse: em vida, em vida, que uma amiga estampou na própria camisa quando recebeu a notícia de que seu câncer não teria mais cura e partiria em breve a outras esferas.
Fizeste isso Baduh, por gratidão a Umbelina, merecedora de tantas generosas palavras: Em vida! Em vida!
Bravo, Baduh!
Querido Jobsant
O nosso querido Baduh, ao que me consta, encontra-se impossibilitado de prosseguir no propósito de obter uma entrevista com a Dona Umbelina. Mas nós, nem por isso, desistimos da idéia pois consideramos importante para o livro "Reminiscências de Escola" não só a colaboração do Baduh como prestar uma homenagem a ela. Peço que nos ajude neste mister. Por favora, comunique-se comigo. Meu e-mail é jocaoeiras@hotmail.com e se a entrevista for possível, temos amigos no RJ que podem se encarregar dela.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Po onde andas, Baduh?
Fui "escalada" para uma entrevista com Dona Umbelina e cofesso estar nervosa com a missão. Não sou jornalista. Vou, portanto, como admiradora desta Mestra. Movida, parece-me, pela imensa vocação e amor pela arte de educar, Dona Umbelina, até hoje, presta seus serviços como voluntária numa escola do Grajaú, zona Norte do Rio.
Sua idade, suas histórias, suas fotos e seus fatos mais marcantes serão posteriormente divulgados.
Convido Baduh, onde quer que esteja, a essa última valsa com sua Professora querida!
Querida Crispinga:
Você não vai fazer uma entrevista, vai fazer uma nova amiga, sou capaz de apostar.
beijos, abraços e relax, please!
Oi Baduh,
Foi muito emocionante meu encontro com Dona Umbelina. Parecia que já nos conhecíamos a muito. Temos em comum o fato de sermos filhas de militar. Ela ainda casou-se com um oficial do Exército que, para minha surprêsa, conheceu meu pai.
O conteúdo inicial da conversa está no site do "overlivro". Pena não ter uma filmadora porque, para realizar seu desejo, ela declamou, em espanhol, dois belos poemas. Falavam das conquistas do homem, se não me engano um se chama "Muerte", de um chileno...
Confesso que estava apreensiva até encontrá-la. Depois fiquei pensando no tempo que perdí. De qualquer forma, ficamos amigas, trocamos beijos e abraços, conhecí uma das pessoas mais inteligentes da minha vida. Ela está preparando um texto que prometeu entregar-me em mãos. Mais um pretexto para visitá-la.
Agradeço ao Joca e a você esta emocionante entrevista.
Queridíssimos amigos.
Reproduzo aqui a minha tardia mensagem de resposta ao filho de dona Umbelina, o Job, que agora está conosco no Overmundo:
"Olá, Job, muito obrigado por ter escrito. Desculpe a longa demora da resposta - por motivos de escassez de tempo não freqüento há meses o Overmundo.
A mestra Umbelina merece o nosso reconhecimento, o reconhecimento de milhares de jovens (ex-jovens também, como este que te escreve!), que por suas mãos preciosas passaram. Muitos desses jovens tiveram em dona Umebelina o diferencial de mudança, a salvação pela educação e pelo estímulo.
Foi uma graça divina e um privilégio ter sido discípulo de sua mãe, esta brilhante pessoa. Merece o reconhecimento em vida, como merece também que muitos anos lhes sejam acrescentados pelo bem que espalhou...
Ela tem o dom e soube cumprir a missão do Educador. A mestra Umbelina é, na acepção da palavra, uma educadora. Professores os há, em quantidade. Educadores, assim como gênios da física, são raríssimos.
Creio que, de forma modestíssima, fiz um grama de justiça às toneladas de louros que a mestra Umbelina faz jus. Acredito que o livro que está sendo editado, com tanto esforço, seja uma oportunidade de melhor mostrar ao Brasil esta e outras pessoas de grande valor. Pessoas praticamente desconhecidas, injustamente.
As minhas mais cordiais saudações. Meus sentmentos pelo recente falecimento do General Job. O meu endereço eletrônico é: baduhh@gmail.com
Baduhh (Fernando Antonio de Almeida Soares - Rio de Janeiro)
Querida Cris!
Respondi à sua gentilíssima mensagem, diretamente no espaço de recados existente em teu perfil. Espero que tenha recebido bem!
Belo trabalho, excelente trabalho. Fiquei felicíssimo por você ter sido também sensível ao grande encanto que possui dona Umbelina. As fotos ficaram perfeitas, e mostram uma Umbelina rija, saudável, cheia de disposição (que somente um sonho, um grande sonho, propicia a uma pessoa: essa quase imortalidade de fato!)
Um abraço afetuoso, meus mais sinceros cumprimentos de admiração pela entrevista. E a minha gratidão, querida Cris.
Baduhh
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