Noite escura, caminhava em busca de amigos, bate papo, bebericar algo.
Ouvi seus passos as minhas costas. Tlac, tlac, fazendo eco nas paredes.
Passos femininos, inconfundíveis. Olhei para trás, era somente uma menina.
Segui meu caminho. Amigos na rua não havia. Ninguém conhecido.
Beber sozinho, nem pensar, não sou alcoólatra.
Meia volta, mudança de rumo. Cabaré da Otília.
Opção de companhia ao menos pra beber algo.
Balcão da casa. Vejo, a mesma menina atrás, servindo.
Indaguei de Otília. Era menor. Não podia estar ali.
Adotei, disse-me ela. Encontrei na rua, abandonada, maltratada.
Abusada por vagabundos.
Conversamos, ficou tarde, o local já esvaziava.
A menina me sorria, alegre, falou algo com Otilia.
Queria dançar comigo. Otília permitiu. Comigo podia.
Ainda adolescente. Meu braço sobre seu ombro. Dançamos.
Tira-me daqui. Pediu. Queria estudar. Queria ser alguém.
Não será uma prostituta. Disse Otília.
Prometi ajudar. Dei roupas. Material escolar.
O bolo para a festa de 15 anos. Não tinha família. Fora expulsa.
Passei a ajudá-la. Era alegre. Me encantava.
Fugiu com um vagabundo. Drogado.
Com ele teve um filho. Entregue a sogra. Não podia criá-lo.
O vagabundo. Preso por estupro. De uma amiga.
Tempos depois. Bate a minha porta. Não tenho pra onde ir.
Dei-lhe abrigo. Um dia sumiu. Voltou com nariz sangrando.
Amigas cocaínas. Entreguei-a ao conselho tutelar.
Fugiu. Caiu no craque. Se prostituiu. Presa por roubo
Teve mais dois filhos. Pais desconhecidos. Esposas traídas.
Filhos sem pais.
A juventude acabou. Vive rolando. Em cabarés de terceira.
Dando amor por quimeras.
Ninho de drogas. Pesadas companhias. Gigolôs vagabundos.
Tudo por uma pedra. Maldita. Merda.
Droga! Droga de vida.
Um grito de protesto, contra a impotência. Por mais que façamos, eles ganham sempre. Una história cruelmente real.
Cada um de nós deve cuidar pra não ser a próxima vítima, mano véio, que prevaleça o nosso livre arbítrio e só nos intoxiquemos de coisas boas como o verdadeiro amor, a amizade, né ?
Um beijo !
Faça Biodanza !
Infeslimente ocorre muito disso infeslismente, não querendo ser pessimista mas acredito quenão tem mais volta, essa tal droga, corrupção, falta de educação, adolescencia semi nua, veio pra ficar, procuro lutar contra isso mas ''por mais que façamos,eles ganham sempre.
parabéns pelo texto!!voltarei!!
Lembro que o Cartola escreveu uma de suas mais belas músicas reproduzindo um diálogo mantido com sua filha, quando ela lhe declarou que esta se prostituindo.
Realmente, o mundo é um moinho.
... e fica uma sensação amarga na boca, na alma... como se tivessemos fracassados, não é ?! mas não !
a vida é feita de escolhas... e o remedio (salvação) de cada um depende exclusivamente do seu querer.
...agora, só Deus para livrar nossas crianças das "OtiliaS" da vida.
Maldita pedra e maldlita Otilia, caro poeta.
texto lindo,
bjsssssssssssssssssss;)
Com certeza.
Me sinto impotente.
Felizmente meus filhos nunca me deram tal desgosto.
Talvez eu os tenha criado com carinho e olho vivo.
Um beijo
Eles NÃO ganham sempre, meu caro. Há muitas adotadas das Otílias, há muitas protegidas de boêmios piedosos, que são resgatadas, e cujas vidas não terminam em tragédias enquanto existir gente como um Lauro Wink.
Parece que o Bem está perdendo a Guerra. Não está. É que o barulho que o Mal faz é mais escandaloso que o humilde Bem: para cada pedra de crack que esta moça infeliz ingeriu há uma dezena de outras que erguem, com pedras, sólidos muros. Para cada prostituta que se vende por ninharia há muita moça calejando as mãos na labuta honesta. Que droga! Não desanime. Passe o seu braço sobre os ombros descaídos de todas as decaídas. Uma que salve terá valido a pena.
Potencia ou impotencia
Ou imponência ??
Ou experiência...
Por mais que a gente saiba desta triste realidade, ao ler um relato desta natureza, nossas entranhas se movem, e o coracao doi, doi, ate nao poder mais!!!!
Deixo meus votos e bjosssssssss
Lauro, eu já havia lido este seu conto. Foi aqui? Você me mandou? Não me lembro. Gosto muito. Votado.
Ivette G M
Foi um comentário que enviei a você quando trocamos opiniões sobre o assumto.
Beijo
Que droga! Essa tal de pedra está levando muita gente...
Kais Ismail · Porto Alegre, RS 7/3/2009 14:36
Mais um trabalho publicado Graças a vocês, minha Overmana família.
Muito obrigado a todos, pelos votos, suas preciosas opiniões e principalmente pelo incentivo que me dão.
Um beijo em seus corações.
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