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DUAS HISTÓRIAS CURRALEIRAS

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raphaelreys · Montes Claros, MG
12/1/2011 · 1 · 2
 

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DUAS HISTORIAS CURRALEIRAS

Estamos em 1955, na cidade de Montes Claros (MG), de muita poeira, lama e alguns paralelepípedos. A Rua Doutor Santos, principal artéria do centro, atolava, a Praça Coronel Ribeiro, ainda sem urbanização, era um descampado ao Deus dará.
O preconceito matava os pudicos de moral rígida, não havia quase novidades no ar nem revistas e o mui digno auxiliar de serviços de vidraceiro Sansão aprendia o ofício com Rosental Vidraceiro.
Para variar, apanhava, também, trouxas de roupa e as entregava na lavanderia da mãe do patrão. Rapazote esforçado, logo foi convidado para prestar serviços gerais no Hotel São José do hoteleiro Juca de Chichico. Seu Juca comprou o rapazote pela aparência e não pela reta justiça.
O meninote era um tremendo voyeur! Fazia pequenos buracos ou fissuras nas tábuas de pinho do forro do hotel, quase sempre pasto de cupins. Na calada da noite e após escolher um casal de hóspedes que a parceira fosse atraente montava campana no forro, de onde ao vivo e em cores dava vazão ao seu instinto atávico.
A semântica libidinosa de um menino da roça!
Certa tarde chegou ao hotel uma dupla de boazudas vindas das Alterosas. Uma tremenda loura poposuda e uma morena monumental. Sansão brilhou os olhos de contentamento imaginando assistir logo mais uma dupla cena de despidas em cinemascope e tecnicolor, do após banho das duas hóspedes.
Às 22 horas deu uma de ir dormir, subiu para a campana no forro, palco de delícias eróticas de um rapaz tupiniquim. As duas gatonas se despiam mutuamente. Logo davam cheiros, se apalpavam rolando, aos abraços, beijos, gemidos de prazer. Dose cavalar para um menino naquela era de moralidade rígida e preconceituosa...
No calor do impacto psicológico Sansão esqueceu a sua posição delicada e cuidadosa no teto. Como não estava acreditando no que via e pensando ser aquilo obra do Romãozinho, chegou mais o corpo para frente para melhor observar no que não acreditava estar vendo!
O forro cedeu e Sansão caiu espalhafatosamente em cima do raro casal de lésbicas. Com a gritaria das pombinhas e a carreira dos três nus em pêlo pelos corredores do hotel, a gerência chamou o efetivo policial. Capitão Coelho, um cabo e quatro soldados. Sansão manhosamente gramou o beco e foi se esconder na cidade de Curvelo (MG).
Já o conhecido Tone Cabeludo era, na mesma época, motorista da funerária de Leonel Beirão. Logo, objetivando aumentar a renda, pois iria casar, montou nos fundos de sua casa um depósito de lenhas para fogão. Comercializava o produto em pequenas carroças, já que àquelas eras não existia o fogão a gás.
Como era controlado e metódico, trazia tudo anotado. Logo verificou que toda noite sumia umas três toras de lenha, notadamente as postas por cima da primeira pilha. Suspeitando de um seu vizinho muito matreiro montou uma campana com isca. Adquiriu para isso na fábrica de fogos de artifício do Marciano Fogueteiro uma bomba de parede de tamanho grande.
Camuflou o petardo explosivo no oco de uma tora de lenha de bom tamanho e atrativo aspecto. Na calada da noite viu o dito vizinho vindo em direção ao seu depósito, empurrando um carrinho de mão. Esperou o meliante entrar e colocou a tora com o explosivo no caminho de volta do mesmo.
Não deu outra! O larápio apanhou a boa e atraente tora e colocou em cima das outras.
Naquela manhã às dez horas em ponto, os almoços já no fogo das casas quando o fogo atingiu o petardo escondido na lenha. Com o papoco, a trempe de ferro fundido foi lançada pelos ares e só foi encontrada no pátio da Santa Casa! O fogão partiu ao meio, abrindo uma banda para cada lado e o teto da cozinha foi pulverizado, levando a panela de arroz com pequi, para os lados da Malhada Santos Reis!
A esposa do larápio saiu sapecada com queimaduras de segundo grau na escala de Moá e a alma do gato que dormia no borralho foi visto vagando nos Hades...

Sobre a obra

Certa feita procurei o conhecido corretor de imóveis Geraldo Mundial, atendendo ao pedido de amigos comuns, visando lhe aconselhar a parar de beber, já que pegava mal todo dia. Em resposta ao sugerido conselho respondeu “o mundo é composto, tem que ter de tudo”.

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Autoria
RAPHAEL REYS
Ficha técnica
Quem espia o que não é da conta, vê o que não deve!
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CHARLES   SCHUAB
 

MARAVILHA,ESTOU A ME ACABAR DE RIR ÀS DUAS DA MANHÃ....OBRIGADO!ESTA CIDADE JÁ ESTÁ INCLUIDA EM MEU ROTEIRO DE VIDA....QUANTA COISA TRAS DOS MONTES....VALEU DEMAIS...

CHARLES SCHUAB · Linhares, ES 22/1/2011 21:58
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raphaelreys
 

Charles! Nós é que agradecemos a sua sintonia com a Capital do Pequistão!

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/1/2011 01:24
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