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DUAS ONÇAS NA TERRA DO PEQUI

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raphaelreys · Montes Claros, MG
11/2/2011 · 1 · 4
 

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DUAS ONÇAS NA TERRA DO PEQUI


João de Paula Ferreira era mestre na narrativa, um perito em contar causos e sendo meu vizinho de loja, na Rua Coronel Joaquim Costa nos anos 70, no horário de almoço, quando não havia clientes, cabia dois dedos de prosa. Em uma ocasião relatou-me uma história de coragem.
Daniel fora comprar uns garrotes na fazenda de Durval, na Larga e já à tardinha e estando ambos no curral, enquanto se passava a vista no grosso da garrotada, já que a seleção seria feita na manhã seguinte, de repente uma onça pintada, a mesma que vinha assustando a todos e comendo as reses apareceu e pulou para dentro da curralama. Os garrotes romperam as traves da porteira e se espalharam pela manga e os dois, vendedor e comprador foi às pressas se esconder num silo alto com teto de palha, que estava próximo.
Lá dentro, no escuro, o comprador não observou quando a pintada subiu para o teto de palha, decerto aguardando que um deles saísse para dar o pulo mortal. O dono da fazenda permaneceu prudentemente encolhido onde estava no meio de uma sacaria.
No centro do silo uma enorme aroeira fazia a sustentação do teto. Durval pôde então perceber, sem, entretanto, entender, quando o visitante tirando os sapatos, passou a subir pelo escoramento central, rumo à fera que já selava as palhas do teto, que chiava com o seu peso. Daniel imaginava que o amigo é que subira para o teto, tendo deixado que ele ficasse em baixo para ser comido primeiro pela onça. Esqueceu o comprador do perigo e subia também no intuito de dar um susto no amigo que, aparvalhado na pouca claridade observava quando o corajoso homem rumava para a morte certa.
O que subia, pensava: vou dar um susto neste medroso O prudente, pensava: ele deve ser doido, o que é que vai fazer com a onça, será que vai furá-la de faca. O valente otário, foi galgando silenciosamente a aroeira, e ao chegar perto do teto afastou jeitosamente, sem fazer barulho, o trancado de palha, numa abertura compatível com o diâmetro de sua cabeça atravessou e deu um grito a todos os pulmões, presumindo assustar o amigo: tá com medo seu frouxo!
A fera pintalgada que até então não estava entendendo nada, deu um esturro, pulou para trás e para baixo, e caiu no bengo! Daniel desabou do silo desmaiado. Quando voltou a si imaginou estar morto e, sabendo a verdade, foi acometido de uma forte cólica intestinal! Borrou as calças muitas vezes, era só se lembrar dos fatos.

Localizada na Praça Doutor Carlos, no centro comercial da nossa cidade, o antigo Bar do Edson era ponto de encontro de pecuaristas, clones de fazendeiros, compradores, vendedores e corretores de gado, caçadores, “bera rancho” profissional, cachaceiros e mentirosos de plantão.
Naquela tarde, Um conhecido político, no centro das atenções de uma roda, contou uma recente caçada que fizera de onça suçuarana. Incentivado pelo relato, um pequeno criador de gado que estava presente confidenciou, então, que uma pintada estava comendo os bezerros de sua propriedade, e propôs aos presentes organizarem uma ação com o objetivo de exterminar a predadora.
Seis participantes da roda, justamente os que não sabiam nada de caçadas se apresentaram para a empreitada. No dia marcado, lá estavam eles na sede da fazenda comendo lauta feijoada e tomando uma boa cachaça, a gozarem o maior 0800, enquanto o batedor profissional contratado buscava o rasto da fera pintalgada.
Descobertas as pegadas, e a gruta onde o animal dormia o profissional veio trazer a notícia alvissareira. O anfitrião incumbiu-o, então, de jogar a estopa encharcada de óleo diesel pegando fogo na gruta, visando fazer a pintada sair, se expondo como alvo. Feito o lançamento da estopa incandescente e mal apareceu à cabeça da predadora, foi um festival de tiros de carabinas e cartucheiras. Ninguém queria ficar fora da história. Atingida, a fêmea rolou ribanceira abaixo e no solo recebeu ainda vários disparos de revolver como misericórdia. Quase vira tábua de pirulito!
Irrompeu-se então a maior algazarra dos caçadores farristas, que jogaram as armas no solo e pulavam e gritavam como numa farândola de diabos.
Neste momento, sem que ninguém percebesse, o macho saiu da gruta e já a meio caminho, em direção ao grupo deu o maior esturro no rumo dos barulhentos. Foi o maior corre-corre!
Mijo pernas abaixo e dejetos líquidos borraram as calcas dos caçadores de meia tigela. Uma cena grotesca e laxativa! Digna de um quadro cinematográfico de Felline,
O dono da casa, conhecedor do terreno, e do caminho mais curto até à sede correu em linha passando por uma cerca abandonada, no que o seu paletó de brim Triunfador amarelo, enganchou em um grampo.
Pensando se achar agarrado pela onça, ele se ajoelhou e sem olhar para trás, disse para a suposta fera: Eu tenho três filhos estudando no Colégio São José, uma esposa doente, internada na Santa Casa e sustento duas irmãs pobres, de feira e tudo, vê se come o compadre Fidelis aqui presente, que é só cachaceiro e rapariguento!
O batedor que acabara de descer do talhado ao ver a cena ridícula, disse: Compadre se desenganche do grampo e caia no bengo, que o macho está solto por aí.
Com a chegada da notícia a Montes Claros, o dito fazendeiro e os atiradores de elite que o acompanhavam passaram mais de um ano sem freqüentar o Bar de Edson Barrão.

raphaelreysmoc@yahoo.com.br

Sobre a obra

ESTANDO A ONÇA MORTA, TODO CACHORRO URINA NO COURO!

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RAPHAELREYS
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raphaelreys
 

As histórias são verdadeiras, mas, por via de dúvidas publiquei como ficção!

raphaelreys · Montes Claros, MG 11/2/2011 04:45
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Cláudia Campello
 

esses causos!!! mas é sua narrativa deliciosa que nos prende do começo ao fim. Otimo e hilariante o texto.
foi-me descerrando imagens...maravilha!!!

bjsssssss e queijos meu Rey´s

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 12/2/2011 11:56
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raphaelreys
 

Claudinha! Quando eu for aí em Niteroi vou te dar um beijão!

raphaelreys · Montes Claros, MG 15/2/2011 05:45
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CHARLES   SCHUAB
 

QUASE ME BORRO EU ,DE RIR......

CHARLES SCHUAB · Linhares, ES 25/2/2011 11:31
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