O final de um personagem não deixa de ter um tom melancólico. A necessidade de largar uma vestimenta que nos acompanhou por tanto tempo... às vezes anos... tem um quê de morte. Mas, faz parte da natureza do ator fazer estas despedidas. Todas as noites passamos por esse ritual estranho de ser outro, sendo o mesmo. Eu mesmo já me despedi muitas vezes... já morri muitas vezes, para renascer na próxima sessão.
Mas, quando a despedida é definitiva, quando chegamos à última apresentação... como é que fazemos? Falamos o último texto e saímos de cena assim, facilmente? Encontramos as mesmas motivações para estar na cena, mesmo sabendo que será a última vez? Ou resistimos? Ou aceitamos?
Eu, por via das dúvidas, quero sempre criar uma cena final em que a luz vá caindo lentamente... Quero ter a possibilidade de deixar o espetáculo olhando nos olhos da platéia ou, pelo menos, de outros atores. Quero ter cumplicidade no momento final. Se for possível segurando a mão de alguém... para quando vier o black-out total, a mais completa ausência de luz, eu poder ter a sensação de não estar sozinho. Deve ser muito ruim morrer sozinho.
Você me acompanha nesse último momento? Eu não estou pedindo fidelidade eterna. A gente termina o espetáculo juntos... você segue para sua casa... eu sigo para a minha. Sem compromisso! Só o que eu te peço é que sejamos inteiros nesse momento: você segura a minha mão como quem segura a mão de um filho. Ou de um irmão. Ou de alguém que você conheceu há pouco tempo mas é capaz de perceber que tem um bom coração... um coração frágil... um coração...
Se por acaso eu me emocionar, não se preocupe... eu vou superar. Eu sempre supero! É que eu tenho um histórico de mortes. Muito tempo fazendo o mesmo espetáculo, sabe como é, né? Se, por acaso, você se emocionar, lembre-se... é só teatro. A morte de um personagem... praticamente um coadjuvante. Lá fora a vida continua... eu vejo que sua vida continua... É bastante comum que as pessoas larguem as mãos dos outros e esqueçam... superem. Você vai superar... eu sempre supero! Mas eu não esqueço... nunca.
Pálido setembro
como está longe
o tempo do céu sem cinzas
já era tempo de decidir-se
Segura minha mã como a de um filho e se eu me emocionar é só teatro. De vida, das histórias de encontros. Teatros e cenas sublimes.
Max,
Dos mais belos que escreveste até agora. Aliás muito bonito, o pedido de segurar a mão enquanto a cortina descortina, metáforas literais empreendidas de uma sensibilidade que traz emoção, emociona quietinho, ao segurar a mão, só para quem tem coração e que bate. Depois se supera, tudo se supera, ou quase tudo.
Meus parabéns
abração
Obrigado meu povo!!!
Esse texto , certamente, entra no meu espetáculo novo que estou preparando com muito carinho.... em 2009 a gente se encontra por aí!
Abraços e bjzzzz
Excelente conto. Poético e lúdico.
É triste, mas nascemos e morremos sós,
nós conosco mesmo.
Abraços.
Bonito, Max. As despedidas, quaisquer que sejam, são sempre tristes.
abs
Gente... acho que vou te que começar a remunerar a CD e o Cristiano!
:O:O
Aqui compareço,para apreciar seu belo texto e deixar meu imenso carinho e votos.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2008 11:26
E segue a vida ,sempre morremos e renascemos nessa e em outras vidas
Um beijo
Retificando:o que eu quis dizer é que a cada dia renascemos nesse e em outro plano...A vida segue sempre
Ailuj · Niterói, RJ 22/9/2008 12:50
Votado e publicado a convite da Ailuj
Homenino Poeta · Porto Alegre, RS 22/9/2008 13:09O que mais me agrada nos textos seus: O realismo,a maneira de contar.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 24/9/2008 15:40
Realmente, o final de um personagem é de uma melancolia profunda... Votando
Venha conhecer dona Verbena, ela ainda aguarda um pouco de atenção...http://www.overmundo.com.br/banco/verbena-preocupacao-em-pessoa
R. Rimet
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!