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E ONTEM EU QUIS UM POEMA QUE NÃO PUDE CONCEBER(ODE A IBERÊ CAMARGO)

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jessebarbosadeoliveira82 · Salvador, BA
20/12/2008 · 95 · 5
 


Ontem a paisagem
Do aroma da noite
Fecundou em mim
Um tênue fluxo dum poema.


Este fluxo carregava nas casamatas do ventre
A estrada para uma humilde hossana
A Iberê Camargo:
O mestre máximo do pincel
Que reinterpreta visceralmente
A visual realidade
Que, á primeira análise,
Se mostra vivente, a inconteste claridade incólume do sempre!


Ah, ontem á noite,
O meu ser de remendo
Quis enaltecê-lo,
Reverenciar-lhe o apurado e peculiar olhar
De transcendente acuidade,
Lançado sobre o aparente cenário em equilíbrio:
Para o geral ver,
Cegado pela síndrome de Narciso,
Completamente equacionado
Pela Matemática do humano tempo conciso.




Ah, como idolatro este olhar
Congênere da Ametista
Pois dirime a embriaguez:
Embriaguez que a insidiosa superfície
Do mundo externo impõe á vista
De um modo que bloqueia
Tão sutil e plenamente
O livre perceber que brota das mentes hominídeas,
Porque estas ancoram,
Embora inconscientemente,
Seu alado veleiro
No indestrutível porto da sageza
Do ecumênico solar desejo!



Então ele fita claramente
O incessante novelo de conflitos
Progredindo-se por debaixo da derme
Do onipresente embuste eloqüente, corrosivo!
E depois que se alimenta deste drama,
Um universo em contínuo colapso,
Vivenda em chamas,
Devolve-o íntegro, desprovido de sofismas:
Rebento do incorruptível imaginário antropofágico!
Sim, a AMETISTA EXPRESSIONISTA
Faz com que o rosto da verdadeira humana estética
Seja revelado:
Sem o adorno da airosa flor do eufemismo
E sem a indulgência que emana
Da mão estendida pela cênica sensatez residida
No alegre tremular da bandeira da trégua
Entusiasticamente anunciada, bramida!



Ah, entretanto,
O poder de captação de Iberê
É muito mais ancho:
É capaz de nos expor
Toda a densidade da latitude
Contida na pungência da tristeza,
Escondida na álacre corpulência
Do rosto de uma pessoa-oceano.


Não, eu não pude compor o tão sonhado poema:
Melancolicamente,
Naufraguei-me no mar da cara empresa.



Ah, tenho raiva, tenho pena
de não ter podido seguir a sua feérica estrela:
Não erigi versos brancos
Nem versos que sorvessem
Da fonte onde deitam
A rima pobre e a opulenta.


JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA






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graça grauna
 

bela homenagem ao Iberê - mestre do pincel. Parabens. Bjos.

graça grauna · Recife, PE 20/12/2008 11:12
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

gostei muito.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 20/12/2008 19:29
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Isabel Furini
 

Ontem a paisagem fecundou... um belo poema em você. Parabéns e receba meu voto.

Isabel Furini · Curitiba, PR 20/12/2008 20:42
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Juscelino Mendes
 

homenagem merecida e apropriada e competente. Abraços.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 20/12/2008 23:07
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José Silveira
 

como sempre querido amigo, leio-o. mas neste poema ainda me permites ter imagens para apreciar. Iberê... adoro.

meu abraço fraterno de Boas Festas Jessé.

Silveira

José Silveira · Niterói, RJ 21/12/2008 00:15
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