o dia segue como seguem os idiotas
fingindo conhecer a verdade
jogando suas dores contra a cara de um servo torto
as canções não são bênçãos quando oprimem
eu finjo muito
eu vingo minhas dores debaixo da noite
debaixo das lágrimas
em cima dos palcos
por onde cantam velhas e prostitutas
jovens e deusas
um dia eu fui deus e soube que os homens são pedras
um dia eu fui pedra e soube o que é ser chutada e pisada
doe
mas as pedras não ficam para a história
as vozes dos pardais voam livres
eu precisei de muito tempo para me tornar velho e jovem
livre e estrada, rua e caos, tormenta e ira, mãos e amor
e o pardal que balançava as mãos deixou um conselho
amem
mas o dia segue como seguem os idiotas
sorrindo ódio e cuspindo hordas de gritos
silêncio
"as vozes dos pardais..."
Puro verso para Piaf.
E neste poema de desalento, ressoa mais forte o pássaro pequenino dizendo: "amem".
Belíssimo!
beijos
Ótimo trabalho , fiquei admirado com seu poema. Votado
delen · Cotia, SP 13/8/2008 01:56
Belíssimo o seu texto,
a vida de Piaf,
"as vozes dos pardais".
Parabéns.
Meus votos.
votadão.... acabei de assistir o filme...kiss
Carlos Valini · São Paulo, SP 13/8/2008 18:18Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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