Foto: Queenlover/Flickr/Creative Commons
As armadilhas de arpões
Desvelam as nossas coxas avariadas.
De toda sorte reabrem as pernas aos prantos escorridos
E são como lágrimas amolecidas que fervilham
E cobram a falta de vento
De um mau tempo movediço; incauto...
Mas não é o cancro de tempos de absolutismo.
As pernas adornam o agouro
E ressuscitam os mártires como os Vedas excomungados
Debruçados em suas cicatrizes – Sim! Eu enquadro o silêncio
E suas fazeções coagulando o orgasmo do arame
E de outras carnes desmentidas -,
De modo que: à palavra acendo-me em seu fogaréu
Enquanto douro o brilho fugitivo do cristal,
Das flôres metálicas do infinito.
...................
Ah! Matemática inexata elucida o segredo das trajetórias
E tudo fica armazenado como as roupas customizadas
Que vestem o sol com o varal da língua:
Como se fosse pênis e vagina poupando-se dos musculosos
“Men à trois” adúlteros.
Ah! Fazer amor é como rapto irado e pouso escapulido;
É como uma bomba-relógio a ejacular
A palavra inquieta;
É como uma languidez a satisfazer o poeta ereto
E a masturbar a mão intranqüila.
...................
A partir de uma palavra em tímido segredo,
À boca de poemas mui-espetaculosos,
As pedras afundam lamas e ácidos no íntimo
Do poeta, e arqueiam-se aos calafetes até onde o poema
Gala velozmente e se engorda,
E multiplica, e depois se verga.
Em direção às hospedarias tão fora de si
O lusco-fusco mira a esplanada livrando o crime da madrugada,
Desata um nó de marinheiro, devota-se às mulheres.
Ah! E eu amolo um canivete ovular
Para copular um bocado de água empossada de nada...
Os edifícios em túneis envenenados inclinam-se
Sobre as mãos galadas, as vulvas,
As penetrações que devoram pela boca adentro.
Ai! Eu queria saber como se escreve assim
A poesia dos domingos.
Como barro e sapato se engrandecem,
Ou se transformam com as poeiras que nem mesmo
Sabem de que se resguardam...
Oh! Luz úmida!
As dores conspiram alheias ao dia que se foi...
Daí eu escrevo-te uma vida para ser adubo das mesas,
Na língua, por frases súbitas, até
Um sentimento neutro.
...................
Ao fim,
O grito nos povoa e ficamos à mercê
Até que o silêncio nos separe: corações selvagens, capturando o sol
Com uma viatura invisível,
E deslumbra, diuturno, que lhe impuseram expiação...
Ah! Mas não me despreze sutilmente na noite rude.
Oh! Vida encardida,
Próxima da morte, com o glúteo gorduroso
Como lampiões iludidos enciumados quais oceanos de alegria,
Se revolte, se volte contra tudo que atravessa
O corre-corre contundido, lacônico,
Mais do que as ondas cósmicas.
Por mais que eu ajuste
Refaça, redescubra ainda essas
Ou outras palavras.
A falação desata
Qualquer segredo desses.
Benny Franklin
Poesia da boa mesmo !!!! Eita poeta bom !!!
Te adoro !!!
Beijos e volto p votar!!!!
É inegável a força da sua poesia. O quanto tem de palavras e sentidos fortes. Emociona sempre.
sucesso sempre
Após ler essa explosão, olhei para o teclado e minha mente não conseguiu refazer as palavras dentro de mim, esta tua obra é forte e ácida, não é do tipo de poesia que se comenta com uma palavra só ou meia dúzia delas.. e olha que me fogem aos sentidos indagações existencias como esta, imagens organicas humanóides, cheias de uma nódua sexual realista e dificil de se perceber! Parabéns ..não apenas pela complexidade digna de estudo acadêmico, mas pela visão artística, quase científica do que chamamos vida.
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 15/9/2007 01:41
Benny
Cada vez que você jorra palavras à mesa como adubo às nossas mentes e entranhas fico a indagar sobre a existência do homem e teu mundo em cataclisma, em explosão silenciosa mas retumbante e doida àqueles que ainda levam um coração, embora às vezes despedaçado, mas coração, roxo, pis ainda com certa emoção.Parabens benny...Quando coloquei os olhos nos primeiros escritos de sua autoria, eu não duvidei que estava diante de um modernista, de um homem que tem dedos de amor e uma vontade de derrubar o ódio da Terra e despertar o caminho da verdadeira Luz...a Luz de Deus, uno , amigo (mas que não tem muitos amigos, pela própria incompetência deste grão inefável que é o Homem).
bjus...
Desculpe o "b"enny....mas que seja em caixa alta ou baixa..é Benny...Benny Franklin
OS HF
Da Adélia Prado:
"Você fica mais protegido no poema. A poesia é perfeita."
Beijo grande.
oi, benny! quando chegar a hora votarei. beleza!
RonaldAugusto · Porto Alegre, RS 15/9/2007 16:47Benny, vim o mais rápido que pude comentar aqui. Surpreendi-me com a força desse poema, que é mesmo - como bem falou Cintia - um cataclisma a nos torcer o pensamento. Li mais de uma vez, e voltarei para ler mais e dar meu voto. Maravilhoso esse texto. Grande abraço, Poeta!
Lobodomar · Guarapari, ES 15/9/2007 18:02
Amigo Benny, preciso fazer uma oficina poética com vc com especialidade em Comentar suas poesias. Ás vezes tenho vontade de te escrever um bocado de coisas mas o poema me deixa assim meio "sei lá" e passo o resto do tempo pensando nele e não escrevo mais nada.
Como diria o meu amigo Lio Viola: "Isso é psicodélico"
Bjs
O que dizer?
Ler, reler, reler, reler...
Abçs.
Tu és a matemática das flores Benny.
daqui, entre as "poesias do domingo", vai um abraço!
Caro Benny,
Estive aqui para ver um pouco mais dos teus escritos. Aos poucos me familiarizo com tuas preferências, recorrências e "[ma]temática inexata". Penso que com mais algumas leituras reconhecerei tua autoria mesmo que assines os versos com pseudônimo...
Vo[l]tarei.
Abç,
Aldo
Caro Benny Franklin...
Primeira, fiquei na espreita...VOTEI!
este vai para a pasta de Benny Franklin rs
Imprimo tudinho rs...
Olha que edito o livro hein???rs
Mas a verdade é que gosto de papel...ler, tocar a folha, virar...entender a tua poesia tem que se estudar muito...é verdade!
Poeta Beat, bons sonhos e boa noite!
OS FH
A matemática jamais explicará os sentimentos, nem elucidará os segredos das palavras inquietas... Vtdo! Sempre... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 17/9/2007 00:14
Estou lendo em voz alta! Pura música! Sua pena está afinadíssima!
Grande abraço do admirador!
Amigo Benny.
A cada domingo renasço sem ódio no caminho da luz, não a luz úmida, mas a que aquece meus sentidos, meus sentimentos, minhas esperanças. Acharei, como você, parceiro, a luz na minha face. Por enquanto me contento com a luz do riscar de uma estrela cadente, um sinal dos céus, um pequeno aviso divino
Forte abraço.
Noélio
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