Os teus cavalos da noite
soltando brasas
dos cascos de fogo,
continuarão cavalgando
solos ásperos
do nordeste
crestado pelo sol
sempre em busca
de infinitas manhãs.
As tuas cidades masculinas
alicerçadas nas lembranças
se perpetuarão
egoísticamente
exibindo a imponência
de seus arranha- céus
a arrogância do marmore
e a petulância
de suas arquiteturas.
O tempo consequente
jamais apagará da pele
dos dias
a saga de fazendas e gado
e o rito avassalador
dos rios do Piaui
abrindo sulcos na terra
e nos desvãos
da memória.
E o poeta de olhos polidos
e míope de distância?
Este as Walquirias vieram
e o levaram em barco
de brumas
para além do arco- iris
(gleba dos ausentes)
onde medram
em campos de margaridas
as ervas do silêncio.
Fortaleza-Ce, 19.09.2008
Este poema é dedicado a memória do poeta piauense H.Dobal, um dos maiores do universo poético brasileiro falecido em maio préterito.Guimarães Rosa dizia que as pessoas não morrem se encantam.Certamente Dobal está encantado.Ele falava em sua oficina poética de cavalos, fazenda, gado, rios, das cidades e do tempo.
Belo poema em bela homenagem.
Sem dúvida, os poetas não morrem, são carregados pelos anjos e nos encantam de onde estiverem...
beijos
Com prazer dou partida aos seus votos!
Lindo Texto!
Beijo na alma!
Obrigado Branca e minha conterranêa Celina, faltou um "s" em crestado.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 22/9/2008 08:31
Que belo poema, Julio. Esta última estrofe é de uma beleza ímpar.
Você sempre emociona.
beijo!
Linda e mais que que merecida homenagem.
Votos e abraços
Deixo meu carinho por sua homenagem,por sua cidade que um dia tive o prazer de morar e trabalhar.
Um carinho em seu coração.
nos desvãos da memória, encantado nas ervas do silêncio, brilha Dobal com este poema .
Compulsão Diária · São Paulo, SP 23/9/2008 08:35Obrigado a todos que ajudaram a publicar essa homenagem a um grande poeta e que só não foi o maior porque optou em viver em sua província que tanto amava.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 23/9/2008 08:39
A miopia está arraigada
Por isso nada é plantado
E só crescem ervas do silêncio.
Gostei do poema.
Um abraço
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