Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Em defesa das Amélias

1
Terezinha Barreto · Natal, RN
24/2/2009 · 117 · 15
 

Desde o lançamento da música “Ai, que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago, pelos idos de 1942, a figura Amélia passou a representar, para a maioria dos brasileiros, mulher subserviente. O nome passou a ser verbete de dicionário, sendo citado no Houaiss e Aurélio, como sinônimo de "mulher amorosa, passiva e serviçal".

Você faz parte dessa maioria? Grande engano. Amélia existiu sim e foi descoberta pela revista "O Cruzeiro". Era uma lavadeira da família da grande intérprete da música brasileira Aracy de Almeida. Amélia era uma mulher do subúrbio do Rio de Janeiro, que sustentava sozinha nove filhos, talvez por isso não tivesse tempo para vaidades.

Bom. Agora já sabemos que Amélia existiu e foi uma mulher de luta. Passemos agora a analisar a letra. De onde foi que tiraram todo esse preconceito contra a pobre Amélia?

A música, na verdade, só faz uma reclamação a uma mulher que não sabe ser companheira, que só faz exigências a um “pobre rapaz”, só pensava em ser vaidosa, ou seja, não somava, só subtraia. Na letra, a vaidade foi um detalhe observado, inexistente em Amélia, a lavadeira. Afinal, como poderia ter vaidade aquela mulher?

Quando a música surgiu, em 1942, a mulher era uma figura voltada para as atividades do lar, vaidade, naquela época era só para as mulheres de classe mais abastada.

Os tempos passaram, as mulheres mudaram. Uma resolveu arrancar o sutiã e gritar independência. Os homens assustaram, deixaram de proteger porque muitas não queriam e ainda não querem ser protegidas. As mulheres foram à luta e se dividiram em dois times: as feministas e as Amélias pós-modernas. Não vamos entrar na questão do feminismo, acho isso muito machista.

Mas, que negócio é este de Amélia pós-moderna?

É aquela figura, que mesmo com toda a transformação social, que têm emprego, com dupla, tripla jornada ou não, não abriu mão da dedicação ao marido ou companheiro, não perdeu a ternura, o afeto.

Temos ainda aquelas que preferiram não ir para o mercado de trabalho, mas dedicar às coisas do lar, ir ao supermercado, cuidar dos filhos, receber o marido ao anoitecer, partilhar, somar e multiplicar. Dedicar não é subserviência, é afeição.

Não importa se a Amélia é aviadora, professora, frentista, diarista, taxista, se ela é do lar, ou se preferiu secretariar. O que importa é ser Amélia e, ser Amélia não é estar na frente ou atrás, mas ao lado, e não perder a feminilidade, doçura e a ternura.

Estou longe de ser perfeita, mas metade mim é Amélia, a outra também.

compartilhe



informações

Autoria
Terezinha Barreto
Downloads
103 downloads

comentários feed

+ comentar
Cláudia Campello
 

""Estou longe de ser perfeita, mas metade mim é Amélia, a outra também.""

...e a outra metade de mim não, rs

adorei o texto.

bjssssssssssss ;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 21/2/2009 15:34
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
azuirfilho
 


Terezinha Barreto · Natal (RN)
Em defesa das Amélias
Muito Bonito e tem todo merecimento de votacáo.

... Agora já sabemos que Amélia existiu e foi uma mulher de luta...


Trabalho sobre uma mulher simples mas, capaz de eternizar uma música de todo amor.

Parabéns.
Abracáo Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 22/2/2009 12:29
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Falcão S.R
 

Terezinha Barreto,

Amélia, embora que os menos desavisados entendam tratar-se de mulher que se anula e sem personalidade só diz ...sim!, é na verdade a companheira que todo homem gostaria de ter, coisa rara nesse mundo moderno, onde o consumismo compulsivo não as deixa perceber que verdadeira felicidade reside nas coisas simples da vida.

Bjs

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 23/2/2009 00:37
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Terezinha Barreto
 

Pessoal, agradeço muito os comentários e a votação. Gostaria de esclarecer que nem sempre fui Amélia. Minha fase Amélia começou depois de me casar com um gentleman. Abração para todos

Terezinha Barreto · Natal, RN 23/2/2009 07:37
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Roberto Pelegrino
 

Maravilhoso, parabéns e meu voto!

Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 23/2/2009 08:01
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Antonio Naddeo
 

O engraçado é que a Amélia é indefensável porque sendo "Amélia" ela não quer e não precisa de defesa. O outro "engraçado" é que Ataulfo e Mário contrapõem a Amelia a outra que é descrita como "vaidosa" e que só fazia "exigências a um pobre rapaz". Sabemos quem é a Amelia, mas quem é a outra? Aquela que verdadeiramente deu origem à letra. Nem Mario nem Ataufo estão ai para responder. Seu texto é muito bem escrito mas carece melhor fundamento.

Antonio Naddeo · Florestal, MG 23/2/2009 11:50
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
silviaraujomotta
 

Pesquisadora exímia!
Agradou!
Bj
Sílvia
Voto certo.

silviaraujomotta · Belo Horizonte, MG 23/2/2009 15:07
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
O NOVO POETA.(W.Marques).
 

texto muito bom.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 23/2/2009 19:38
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Terezinha Barreto
 

Caro Antonio Naddeo, muiiiiiiito bom seu comentário, porém, quando escrevi o texto na verdade estava querendo defender o meu lado Amélia. Quem originou a música, de acordo com minhas pesquisas foi realmente Amélia, a lavadeira. A outra está representada por todas as "outras" de comportamento contrário.

Terezinha Barreto · Natal, RN 23/2/2009 21:28
sua opinião: subir
Terezinha Barreto
 

Acho que fiz algo errado, como foi minha primeira publicação, na tentativa de responder ao Antonio Naddeo, cliquei na exclamação que tem do lado direito e apareceu a palavra alerta, desconsiderem isso, como faço para tirar? Obrigada

Terezinha Barreto · Natal, RN 23/2/2009 21:30
sua opinião: subir
Cláudia Campello
 

Amélias...amadas... amantes...amorosas e morosas, Amélias.


bjsssssssssssssss;) a todas

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 23/2/2009 23:42
sua opinião: subir
Rosane Mergener
 

Amélia...grande mulher...rs
Quem não tem um pouquinho dela?
Publicando....

Rosane Mergener · Mauá, SP 24/2/2009 00:11
sua opinião: subir
Cintia Thome
 

Temos estágios e somos amelias e como somos...depende do mundo
aceitar ou não...mas somos

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/2/2009 15:03
sua opinião: subir
Costa, José
 

Sou radicalmente contra o preconceito contra as mulheres. Sei o quanto elas valem. E valem por si. Infelizmente, grande maioria dos homens entende que a mulher nasceu para servi-los (aos homens.) São os pernósticos que, ao sentir a primeira dorzinha de cabeça, correm logo pra se confessar com a companheira! Porém, após curados da dorzinha, nem um "obrigado" lhe dão, em reconhecimento. Estes, por certo, são filhos de chocadeiras.

Costa, José · Recife, PE 25/2/2009 13:23
sua opinião: subir
anamineira
 

Alvinopolense querida,
A gente só consegue ser "Amelia", quando encontra um homem de verdade.
Sou Amélia com muita honra, só trinta anos.
Um abraço apertado

anamineira · Alvinópolis, MG 1/3/2009 20:50
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

baixar
pdf, 3 Kb

veja também

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Nova jornada para o Overmundo

O poema de Murilo Mendes que inspirou o batismo do Overmundo ecoa o "grito eletrônico" de um “cavaleiro do mundo”, que “anda, voa, está em... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados