Em Sampa
Estilhaços de mim
vagam pela cidade em névoa
Em espaços alterados
de quartos-crescentes hotéis
Sonambúlica vertigem
que me leva a caminhar pelas alamedas
Cinzas de risos febris de enamorados tatuados
em um primeiro encontro
Onde um coração desenhado
bate mais do que um orgânico sentir
Cada memória plantada
em algum objeto-lembrança
De uma dança entre copos
no teatro oficina
Tomando goles de si mesma
e vencendo a tarde em ruínas
Eu revejo a aurora prateada
de todos os momentos
E pestanejo liquidez nos trânsitos
inusitados dos traunsentes insólidos
Se deleito abençoar os tinos descompassos
que me assomam
Freio a vastidão de sentidos
que tramitam minhas frenéticas asas
Eu imagino habitar certa-mente
um mundo de um eu bem logrado
Distante vaga-lume transitando
estes grafites que falam em silêncio
Nos passos apressados e cafés efusivos
dos que aguardam o avesso do dia
Vejo nas vidraças o livro diletante
dos recitais embriagados
E me permito as sobras da garoa
que se contorcem entre a poluição
E meus ouvidos alimentam a idéia
de música nas buzinas enfurecidas
No sobretudo o frio
encontra evasivas ritmando os passos
Encantada, percebo uma busca
um retrato em sorriso de duas mãos
Transpassadas elas dialogam com o tempo
em anéis de saturno
São retalhos, estilhaços
que me negam uma face em ecos
Ventura de ânsias
e complexos labirintos que se afirmam
Que me atropelam em espasmos e sonhos
o peito cru
Iva Tai
Que delírio minha cara overmina! Uma voyeur na metrópole! Peço a sua permissão para colar o meu Vãos Andares ao comentário:
O meu pensamento insiste em acompanhar a onda humana que vaga na imensidão solitária da metrópole. Não sei se a acompanho, ou se por ela ou para ela sou atraído. Os meus sentidos preceptivos são inexoravelmente arrastados pela onda que passa, pelo burburinho, pelo entrelaçar.
O meu querer saber me leva a imaginar o que pensam essas almas que ora transitam indo e vindo na selva de concreto e asfalto. Quisera ter o anel de Giges para poder acompanhá-las sem ser visto, sem ser sentido!
O pequeno fragmento que é a minha alma pertence à alma grupal; dela faço parte, como um elemento personalizado.
A onda humana que flui forma uma aura de energias, de pensamentos. Amam e sofrem. Muitos dos que vagam na corrente da onda são passageiros da agonia! Viajantes da incerteza!
Fragmentos, todos, da grande alma universal, a comporem a manifestação da vida. Experiências! Sinto a energia dos seus pensamentos. Desses que passam e às vezes param. Alguns me olham!
Nas ruas, posso sentir os olhares frios dos meliantes, medindo as vítimas urbanas. Estão observando nos reflexos das vitrines, nos cruzamentos, através de obstáculos, nos cantos sombrios! Entretanto, sinto o cheiro ainda persistente das flores de um arbusto próximo. Damas da noite!
Ouço sons próprios das metrópoles; gritos, frenagens, buzinas, apitos, sirenes, repentes, um alarido de vozes súbitas! Reclames de cambistas e camelôs. Um arrastar de passos que passam pelo cotidiano inexorável. Rápido e curvo! Os raios do sol da manhã já queimam o meu rosto.
Busco uma solidão neste palco de manifestações febris!
O meu inconsciente reproduz um trecho de The Right Time (Night Time Is) , um soul de Ray Charles.
Isto é uma divagação ou uma crônica de um instante no cotidiano concreto?
Ou é um confronto dos sólidos edificados e aparentes com o meu olhar que insiste em encontrar uma solidão, uma quietude de formas! A solidez do concreto às vezes parece vibrar!
São evaporações dos corpos inanimados ou os meus sentidos que se turvam? Tento me sentir pequeno entre as edificações que se apresentam na cidade que a tudo engole.
A minha alma teima em estar grande! Então, acompanho a onda que flui pelos vãos dos sólidos edificados e sobre a capa asfáltica que se mostra ante os meus olhos. Interceptam a minha contemplação à amplidão dos céus.
Elas, as edificações de concreto armado são como uma sombra, um jogo de interferência na luz natural! Existência incisiva e efêmera!
Imagens artificiais, temporais, aparentes, frágeis! São falsos gigantes que se mostram ante ao meu olhar! Teimam em me fazer sentir pequeno em contraposição às suas aparências.
A minha alma, entretanto, é rebelde e inquiridora e me sobreponho à solidão do concreto aparente!
Ora, vago em espírito, volitando por cima da metrópole, a contemplar a vastidão do palco. Os sólidos, os vãos entre os sólidos edificados, o jogo de luz e sombra. O negror predominante do asfalto! Os que ora vão, ora vem. Eles também interceptam a luz e produzem sombras!
Iva Tai, querida: há pouco tempo estive em Sampa e me senti assim como revela a tua poesia, na "vastidão de sentidos
que tramitam minhas frenéticas asas". Bjos de luz, Grauninha
Garoa de Rita, de Adoniram até de Caetano...mas principalmente garoa dos versos de Iva e Sampa!
Parabéns! Depois volto...
Beijos,
Salve, Musa minha!
Como você me toca com seus beats poemas!?
Sampa tbm me inspirou alguns poemas...
A grandiosidade da cidade inspira poemar.
Valeu!
Bjs.
Cidade tão cantada, ainda permite observações e interpretações originais.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 21/12/2008 19:06
parabens, Sampa uma cidade que tantas vezes queremos dar adeus, mas que encanta, decanta e cata Vida e este poema é delírio.Prabvens. Sampa é tudo e vc aqui faz Poesia mais que tocante...
bjus
IVA,
Que delírio!
Fascinante poema,
Estilhaços de mim
vagam pela cidade
em névoa...
Amo os mistérios
de SAMPA!
Parabéns,adorei
também a imagem.
BJS.
NATAL DE LUZ!
Iva
Belo poema
São Paulo da garoa ainda inspira belissimos
poemas como este teu, que transcendem nosso imaginário
trazendo lembranças, revendo auroras em venturosas ânsias.
Quando estive lá por dois meses nasceu " EXILIO"
um dos meus melhores poemas.
bjs e bos festas
Onde um coração desenhado
bate mais do que um orgânico sentir
Cada memória plantada
Iva, ótimo poema voltando!Boas Festas
Iva Tai · Manaus (AM)
Em Sampa
A Cidade é uma imensidáo seja de dificuldades, como de razóes para ser amada e admirada pelo tanto que representa de esperanca para os naturais e od imigrantes.
Causa dores e causa alegrias, causa a indiferenca e o sonho.
...Onde um coração desenhado
bate mais do que um orgânico sentir.
Vocé conseguiu expressar S Paulo de uma forma original e graciosa como a cidade é na realidade e, como a Poeta tem inspiracáo e talento pra fazer.
Parabéns.
Abracáo Amigo.
Intensos versos compostos com competência
e esmero. Muito bom. Abraços. Feliz Natal.
Eu revejo a aurora prateada
de todos os momentos
E pestanejo liquidez nos trânsitos
inusitados dos traunsentes insólidos
Se deleito abençoar os tinos descompassos
que me assomam
Freio a vastidão de sentidos
que tramitam minhas frenéticas asas
Olhar de poeta-pássaro sobre a metrópole metalizada e fria!!!
Fantástica captura,Iva,minha linda!!
Parabéns!!
FELIZ NATAL , DE MUITA HARMONIA!
Blue beijinhos azuis
Blue
E que montagem fotográfica perfeita!!!!!!
Parabénssssssssssssss!!
bjsbjsbjss
Meus votos e meus beijos de feliz natal e boas festas! Do seu tiete raphaelreys!
raphaelreys · Montes Claros, MG 24/12/2008 11:02que trabalho maravilho, encerrando com chave de ouro, parabéns.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 24/12/2008 11:05Um texto expressivo, dinâmico, um retrato multifacetado do universo metropolitano e da busca de saciedade humana neste mundo feito de concreto e gente.
Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 24/12/2008 11:13
Caetano Veloso não pode ler isso. Ele teria um xilique.
Belo poema.
Nos passos apressados e cafés efusivos
dos que aguardam o avesso do dia
Vejo nas vidraças o livro diletante
dos recitais embriagados
E me permito as sobras da garoa
Fantastico...eita sentimento
de Sampa, a amada e nada....
Parabens mais uma vez!
bj
Quem tem boca vaia a Sampa. Quem tem arte vai ao Céu.
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 24/12/2008 11:48
Interessante seu texto,infeizmente não conheço Sampa ainda ,mas adoro o povo paulista[ou paulistano,não sei ao certo]
Beijos querida e feliz NATAL
Iva, Iva...você sabe das coisas! Eu estou em Sampa agora, passarei o Natal aqui. Lembrarei deste teu poema quando eu estiver caminhando pela cidade. Beijos e tudo de bom!
Mia Rosa · Brasília, DF 24/12/2008 12:47
Hoje minha menina, venho a uma lan para ler os amigos que amo.Não conheço sampa.Mas essa amiga te ama.Venha ao Rj te mostrarei o lado podre,pq mostrar o melhor é importante para quem governa.
Assim vai seguir o mundo,os pobres cada vez mais pobres, eo rico cada vez mais rico.Isso é Brasilllllllllllllllllllllllllll
A cidade e a pessoa...feliz cidade, onde?
Cidade feliz, como?
Fero cidade grande... pessoa pequena?
Pessoa é grande
Cidade é garnde
amálgama, espelho.
Parabéns!!!
Diria que senti como São Paulo uma Cosmópolis versada.
Bjs.
Votando felizzzzzzzzzzzzz!
Beijos e Feliz Natal!
votando e desejando um Feliz Natal
Omar Costa de Umbro · São Paulo, SP 25/12/2008 11:01
Poderia passar o dia inteiro relendo estes escritos.
Não me cansaria, jamais, por tão belo, quero lhe dizer, que só ou juntas, se tornam tuas palavras...
Não ousaria demais palavras por uma equivocada descrição.
Apenas adimiro muito teu trabalho. Saiba disso.
Muito bom...
(Forte abraço, Senhorita Iva.
...Há de se fazer cada vez mais presentes,
a sensibilidade de teus sonhos...)
Parabéns pelo poema e pela imagem.
Feliz Natal!
Uma visão bastante forte dessa nossa terrinha, com observações muito bem sacadas !
Um beijo !
Belo trabalho, como sempre!
bj Iva e feliz natal.
Iva
Voto, como retardatário ...
Mas aqui, p/ te abraçar !
Parabéns.
Cada visão de Sampa é uma visão caleidoscópica, algo sempre mais intrigante que a anterior.
Abraços
Maravilhoso! Um trabalho que fideliza nossa impressão de Sampa. Bjos
MaluFreitas · Salvador, BA 27/12/2008 01:53
expor São Paulo assim com todas as suas razões. é um olhar honesto no cotidiano da "Cidade mãe".
meus grandes e queridos amigos estão em Sampa.
meu abraço fraterno poetisa.
Iva,
Tão lindo e profundo que só me resta aplaudir.
Beijos
Esta é a São Paulo multicolorido, das diversas matizes raciais e culturais, e também de outras possibilidades, tanto boas, quanto má, próprio de uma grande metrópole.
Beijos
Iva,
Em Sampa, belíssimo poema!FELIZ ANO NOVO!!!
depois de um longa ausência...
estou de volta!
bj na alma!
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