E então, emburreci.
Não entendo mais piadas, e o inglês que bem pronunciava,
sumiu.
Os textos dos editoriais, fofocas matinais,
jogos mentais, cumplicidade de casais.
A rota alternativa, a mentira precisa.
Perdi.
Agora sou eu em branco, aprendiz de mim com notas baixas.
As ofensas sem defesa, as desculpas não pedidas, a promessa não cumprida, a contabilidade deixada
em
cima
da
mesa
de quem mesmo?
Se puder escolher, depois de emburrecer,
farei uma bolha de sabão com quatro lados, uma roda de sapatos,
uma roupa de rojão.
Não terei mais agenda, rostos favoritos
e dias santos seriam esquecidos, todo dia.
Pediria meu endereço em outro bairro, compraria fiado
e pagaria no dia errado.
Trocaria seu nome, usaria meias brancas e calça azul-marinho, gravata de flores com detalhe cor-de-vinho, e elogiaria desconhecidos.
Burro, assim, não entendo mais a culpa,
não conheço falsidade nem traços de intenções
com disfarce de milagre.
Pensando bem, que bom que emburreci.
muito bom!
bem a meu gosto, tema e ritmo!
já pra fila de votação, ernesto, seu burro!
Olivatto, e que riqueza - esta coisa de juntar estreitar, conteúdo e síntese; espalhar e juntar é coisa pra poeta, encher a alma de quem lê.
Andre Pessego · São Paulo, SP 15/7/2007 14:26
Olha que "burro" mais inteligente!!!
Parabéns pelo texto, tão crítico e tão "senso de Humor".
Abraços de Betha.
Ernesto.
Outro que tem meu voto e meu sorriso :)
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