Eram dois na rua, logo três, cinco, dez, uma pequena mas iracunda multidão se havia formado quando menos se esperou.
Um deles no centro. Um no centro recebia pontapés, socos e safanões. Apanhava no rosto, nas costas, nas canelas. Tentou levantar-se, caiu. Não se sustentava nas pernas. Finas, finíssimas.
Havia mulheres, senhoras, crianças, idosos, homossexuais, negros, brancos, mulatos, pardos, ricos e pobres. Todos contribuíram de alguma forma.
Menos ele, o que estava no centro da roda, apanhando. Ele simplesmente apanhava, recebia chutes no estômago, tapas na cabeça, cusparadas. Seu papel definido.
Consumiram-se duas horas, ele no centro da roda, já bastante ensangüentado, os outros em redor, extenuados mas ainda batendo. Bater não tinha fim, tinha fim.
Súbito ergueu-se nas pernas, mirou além. Na outra esquina um homem cruzava a rua montado num cavalo. Eles trocaram acenos de cabeça, o homem se foi; ele então, duas vezes mais alto e forte e belo e disposto e cego que qualquer um deles jamais fora um dia, fustigou a todos.
O caminho de volta pra casa foi solitário, mas livre de dor.
Texto mágico, Sátiro!
Muito bom!
Abraço
http://interludios.blogspot.com
Sátiro Rozzado · Fortaleza Amigo
Bom Trabalho de inspiração.
Tem muito valoe e é uma grande contribuição.
Parabéns e receba meu voto de reconhecimento
Abração
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