Encontros e Despedidas

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Sorteador de Números · , RN
28/5/2014 · 1 · 0
 

Todos os dias é um vai-e-vem, a vida se repete na estação. Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais. Tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar, tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar. E assim, chegar e partir! São só dois lados da mesma viagem..." (Milton Nascimento)

Talvez eu acredite que eu tenha algum talento, aí perco tempo fazendo alguma coisa com a vã tentativa de ser boa nisso. Eu já tentei muita coisa, talvez não tenha tido o melhor resultado, mas pelo menos cada fase daquela foi mágica. Lembro como se fosse hoje, aquele velho hand da quarta série ou o pessoal da natação, a turma das segundas, quartas e sextas era a pioneira ali, bagunceiros ou não, éramos uma equipe. Nossa, pensar nas coisas que fizemos traz-nos a tona as pessoas que estiveram conosco na época dessas tentativas e como eram elas que faziam, mesmo se tivéssemos desempenho lastimável, aquilo tudo ser tão bom. Continuar essa corrente de pensamento lhe leva ao ponto de meditação de quantas pessoas ficaram pra trás e, nossa!, são muitas, hein?
Pessoas ficam pra trás em todas as fases, junto com todas as atividades que ficaram pra trás e vamos seguindo e repetindo isso. Quando vamos crescendo, nos mudamos, trocamos de escola, de esporte, vamos tentando algo novo, lugares novos, pessoas novas... torna-se natural deixar coisas, pessoas e lugares pra trás, tão natural que chega-se ao ponto de nem notar-se, ao menos na época. Isso passou, em um longo período de tempo, mas, hoje, tenho a impressão que isso acontece de forma mais rápida e mais sem motivo que antes. Não sei se é impressão, se só vim notar a velocidade disso agora, se realmente há a sensação que o tempo passa mais rápido depois dos 15, ou, até mesmo, se é o número de pessoas que cada vez faz mais efeito e diferença pela ‘perda’ ao serem somadas. Independa dos ‘ses’, o que conta é a sensação e, se é assim, quantas pessoas passaram na sua vida nos últimos tempos? Na minha, ao menos, parece que pessoas saem tão antes do tempo (se é que dá dizer que há um tempo) que a partida torna-se nítida e sim, isso é chocante. Claro, não se pode obrigar as pessoas a estarem com você, ou continuarem da forma que lhe agrada, afinal, como me disse certa vez um emigrante de minha vida, as pessoas têm que seguir com a vida delas, né? Agirem da forma que lhe melhor convém para continuarem vivos e felizes, ou tentarem. ‘Sobrevivência’, pra mim, é esta a denominação disso e não, não é egoísmo! Egoísmo é querer manter as pessoas pra seu bem próprio ou modificá-las para corresponderem às suas mudanças. Considerá-las boas ou ruins de suas novas maneiras é opinião sua, assim como delas ao aceitarem (ou não) suas mudanças e/ou imutabilidade. Pessoas ficam para trás por interesses diferentes, locais diferentes, amadurecimentos mais rápidos ou mais lentos, ficam pra trás mesmo por mágoas e discussões, essas todas são coisas que normalmente afetam só um ou o outro, mas que não se faz muita diferença com o tempo, apenas se recorda um pouco, ou nem isso.
É e segue-se... os anos viram, as velas aumentam, os lugares, os sorrisos, as caras, as pessoas e sua importância mudam, mas não por completo e nem sempre a mudança é para valores negativos, afinal, existem aqueles que ficam pra sempre, que estão pra sempre, ou espera-se que seja. Dessas os valores não caem, normalmente aumentam. Há sempre aquelas pessoas que fazem mais falta ao saírem, há sempre algumas que fazem a diferença ao entrarem e tudo, tudo isso é a imensidão de viver e não é má, na verdade, consegue ser bem satisfatória, não sempre, mas o suficiente.
Hoje eu tento tocar violão, e aqui, entre o Mi, o Si, o Sol, o Dó e o Lá, é que eu penso em pessoas, como que cada uma delas fosse um acorde diferente a ser formado nessas cordas e, unidos, se transformarem nas músicas a serem tocadas. Se não der certo, sempre há um novo instrumento a se tentar, ué!, apenas os dedos sempre vão ser os mesmos então, resta-lhe sabedoria para saber tocar a vida com as pessoas que da sua não vão simplesmente sair, farão falta pelo fato de dedos não nascerem de novo.
Aos amigos, colegas, companheiros, brothers, entes... todos aqueles que um dia foram, que vieram, que ficaram, aos que ficarão, irão e virão, e, principalmente, aos que sempre estiveram, desde o momento que apareceram, estas pessoas constituíram, constituem e constituirão minha vida, tomando-a em condição de alegria, nostalgia nos momentos de tristeza, partida e ausência, mas causadoras de vários estados de felicidades na contínua fortuna que é viver.

Sobre a obra

Filosofias que o tempo trás sobre quem está com você, quem esteve e, finalmente, quem estará.

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