Não misture fome, cansaço e a vontade de mandar tudo pra porra. Em mim, sempre resulta naquela clássica dor de cabeça que vem acompanhada de um brinde, um brinde de grego, um brinde talibã, um brinde em forma de uma dor realmente chata em um dos olhos, mas é um olho só mesmo, nunca são os dois juntos, é impressionante.
Na segunda ou terça feira, não me lembro direito, às 19 h e alguma coisa, eu inventei de misturar os três elementos (fome, cansaço e a vontade de mandar tudo pra porra)
Lá estava eu, no ponto de Ônibus a ponto de ter uma overdose.
Se alguém parasse para falar comigo naquela hora pra perguntar as horas eu acho que eu partiria pra cima, não tenho dúvida.
Não, eu não partiria pra cima, porque eu não parti pra cima na hora que alguém cutucou meu ombro e falou:
- Carlos, É você!? Quanto tempo cara... Você viajou foi? Nunca mais te vi... Como você está?
Se eu fosse um homem realmente de palavra eu não só deveria partir pra cima dele, mas como também jogá-lo no meio daquela pista movimentada.
Mas existia ainda um pingo de razão em mim e ela falava alguma coisa – “Isso dá cadeia!”
E ainda por cima, eu poderia fazer um esforço de ser suportavelmente legal, para não destruir uma amizade.
- Eu estou bem... Essa correria é foda, é difícil as pessoas se encontrarem mesmo, só assim sem querer
- Mas você viajou né?
- Viajei, mas faz tempo já... Opa! O meu ônibus é aquele...
- Ah! O meu também
Isso não é um bom sinal, O Olodum e a Beija-flor estavam fazendo ensaio na minha cabeça e eu vou ter que conversar? Ou melhor, agir racionalmente para manter uma conversa?
Depois de alguns minutos de conversas rasas e monossilábica minhas (Eu não conseguia forçar mais), pairou um silêncio. Silêncio virgula, o ônibus era praticamente o lugar mais parecido com o ensaio que estava rolando na minha cabeça.
Se passaram algumas quadras, alguns engarrafamentos, alguns pontos de ônibus e ainda reinava um “silêncio”, quando de repente ele fala alguma coisa que eu não entendi e então eu falei:
- Não entendi
- Hoje eu acordei mal e vou dormir mal.
Aí eu pensei, será que é porque eu estou sendo tão “raso” na conversa que o cara ficou mal.
Ele começa a falar:
- Eu estou de saco cheio. Eu acho que é porque eu não tenho uma missão, cara... Sei lá, uma missão clara. Está tudo um dia após o outro. Você entende?
- Missão?
- É...
- Objetivo de vida?
- Isso. Você tem um? Uma missão clara?
Fiquei em silêncio, mas não porque eu não queria conversar, mas para pensar na pergunta.
A pergunta até parecia uma gangue ou alguma tropa, que invadiu o ensaio e pediu pra todo mundo sair. Eu não sabia o que dizer, mas falei algo para manter a conversa, uma clássica função fática
- Hum...
Ele me interrompe
- Poh Carlos, o meu ponto é o próximo...
Eu tinha que responder alguma coisa com mais de uma palavra, pois agora eu quero conversar, minha conversa naquele ônibus foi praticamente uma aula de função fática.
- Cara, eu tenho vários objetivos. Mas eu acho que esses objetivos servem para se alcançar uma missão. Toda empresa mesmo, possui uma missão, uma frase feita, e ela esquematiza objetivos para alcançá-la. Pra você ver, a missão da coca-cola é “refrescar o mundo”, um professor meu me disse isso recentemente, ela então vai vender de gelo coca-cola até os diversos tipos de refrigerantes que pertencem a ela, para alcançar essa missão...
- Sim... Mas qual é a sua missão?
- É...
- Eu tenho que ir, cara. Falou!
O cara já levantou, eu não podia terminar a conversa assim, com uma simples função fática – “É...”.
De repente surgiu uma missão, uma frase feita em mente, quase uma coca-cola:
- Viajar o mundo... Essa é minha missão cara
- Boa sorte então.
Na realidade, eu nem sei se é isso ou como eu vou fazer para chegar até isso se for isso, talvez esse ensaio do Olodum com a Beija-Flor, prove pra mim que eu também estou de saco cheio e que uma função fática seja a resposta mais próxima para essa pergunta.
Bem, meu rapaz.Li seu texto e fiquei meio perdida confesso.
Voltei para ver se era ficção...mas não era.
Então resolvi dar meus votos faltando 10 m,para que vc possa nos trazer outros textos.espero que as palavras escritas sejam apenas da boca pra fora rsrs.
Um beijo em seu coração.
Publicado,seja bem vindo ao over.
Carlos,
Gostei do texto
essa missão, esse objetivo de vida, todos temos.
E como você disse, a nossa missão é viajar, pois nos deligamos
de tudo quando escrevemos.
bjsssss
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