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ENTALHAR FERRO

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Marcela Fells · Belo Horizonte, MG
15/10/2006 · 67 · 9
 

Acordei atordoado, com a cabeça em chamas e a cada segundo, uma pontada, parecendo um tique-taque de um alarme que ameaça explodir. Começo a ganhar minha vista e a medida que vou vendo as coisas na penumbra, surgem corpos e mais corpos jogados no chão sem nenhuma preocupação de estarem confortáveis. Eram meus amigos, e mais uma vez nós nos superamos em beber demais, fumar demais e experimentar demais.
Pra mim o tempo não era muito preciso. Me parecia ser ao meio-dia, como eram nos dias em que a gente acabava acordando nos fins de semana mais inocentes da nossa breve infância. Agora éramos bêbados e drogados, um orgulho pra sociedade e pra nossas famílias.
De repente ouço um ruído que vem do fim daquele salão escuro e abafado. E esse ruído se transforma em batidas em um portão que ecoam por todo aquele espaço fechado. E cada batida, mais se intensificava os movimentos humanos naquele espaço todo. Eram braços se esticando, cabeças ainda bêbadas se misturando e risos e palavras jogadas como se a festa ainda não tivesse acabado.Éramos nós, a crianças exemplares que acabaram dormindo naquele salão escuro de tão bêbadas e loucas. Só queríamos, mais uma vez, experimentar as doses de risco na nossa adolescência.
Olhando pra o portão de madeira, acabo de ver um homem de bigode e chapéu escancarando a fechadura e entrando bruscamente naquele espaço. Provavelmente era o pai de alguém lá da turma e não me aparentava estar com uma cara alegre de rever sua cria. Enquanto isso, vão entrando mais e mais adultos ao encontro dos seus respectivos filhos. Parecia até reunião de família, de um modo noir e kitsch, poderia até ser uma cena daquele filme “Pink flamingo” do qual li à respeito.Repentinamente vejo meus pais me pegando pelo braço e sem poder falar, sou arrastado para o carro sem saber pra onde ia.
Todo mundo acabou tendo seu devido fim : o castigo. Era demais para filhos de uma sociedade saudável sermos vítimas da bebedeira e do haxixe. Logo quando nossos pais são ávidos freqüentadores de igrejas e sinagogas, não podemos nos portar como crias da “ralé”. Fomos educados e somos disciplinados a serem os dominantes, e assim se faz através da repressão, indiferença sentimental e canibalismo social.

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Autoria
Lucas Smith
Ficha técnica
Um conto do movimento glamourista.
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Marcus Moura
 

Vivi uma cena parecidissima, mas não estavamos usando drogas nem nada, estavamos jogando RPG. Acredita? O Pai do menino, pastor, por acaso, o levou pela orelha embora e o menino nunca mais pode voltar a falar comigo, o lider da atividade demoniaca, que é o RPG.

Marcus Moura · Campo Grande, MS 15/10/2006 12:55
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Marcela Fells
 

Eu também gostava de jogar RPG e meu pai detestava, sabe como é né? gente mineira acredita em tudo o que falam, meu irmão de 13 anos jogava também e ele dizia que eu era uma má-influencia para o guri

Marcela Fells · Belo Horizonte, MG 15/10/2006 13:31
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Fábio Fernandes
 

Entalhar ferro é trabalho duríssimo, Maria. Gostei muito do texto. Achei apenas que o final deixou um pouco a desejar, mas esta é a nossa arte - sempre entalhando, sempre trabalhando o texto.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 17/10/2006 10:02
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Sebastião Firmiano
 

O bom, seira se eles não nos incomodassemos , incomoda-nos
Más , acabam não nos achando, nunca.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 19/10/2006 13:37
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Marcela Fells
 

Sebastiao, saudades....

Marcela Fells · Belo Horizonte, MG 19/10/2006 18:27
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georgesaraiva
 

o tempo está saturado de coisas simples...

georgesaraiva · Guarapari, ES 24/10/2006 20:55
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dáia flórios
 

acho que esse é seu melhor texto até agora...tá melhor escrito, mas tem que melhorar mais e sempre, sabe né? irmã mais velha é assim mesmo! beijão!

dáia flórios · Rio de Janeiro, RJ 8/12/2006 14:48
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fernando apple
 

E com o mesmo canibalismo eu devoro. Nã tentativa de não ser devorado

fernando apple · Palhoça, SC 6/1/2007 13:37
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Adriano Arrigo
 

ótimo!

Adriano Arrigo · Bauru, SP 11/8/2007 20:23
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