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Então, naquela noite...

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elisacarvalho · Barra Mansa, RJ
14/11/2009 · 6 · 4
 

...eu estava sentada aqui em frente a este monitor
dedilhando os teclados, respondendo ao mail da minha afilhada lá de Minas Gerais,
quando o breu chegou de repente.

Não estava preparada para a escuridão. Acho que ninguém está (se bem que existem aqueles que vivem nela mas não admitem tamanha é a dificuldade de enxergar) mas enfim,aí eu custei a admitir que estava com tudo apagado. Até cair a ficha, foram alguns minutos sentada com a ilusão de que ela voltaria.
Difícil foi caminhar até a cozinha para pegar a vela. Meu medo não é da escuridão mas sim de ficar nela. Ao acender, comecei a querer manter contatos. Queria cumplices, alguém que estivesse na mesma situação que eu.
Disparei a fazer ligações. Mas os únicos poucos e bons maravilhosos amigos a quem eu tenho vontade de manter contato porque são recíprocos, todos resolveram um dia,não sei em que data do mês, comprar o aparelho sem fio e portanto, fiquei incomunicável.
Queria perguntar se havia acabado a energia também onde eles estavam.

Tentei o celular, mas nenhuma das operadoras que uso estavam trabalhando.
Com a vela ainda acesa, fui pra janela observar a noite.

Desconectei-me do mundo aos poucos, era minha única saída. Fui ouvindo os sapos vizinhos que moram na chácara em frente ao meu apartamento. Veio enxame de vagalumes na minha janela, pareciam dizer que estavam ali há tempos eu é que nunca os via.
Vi que os caminhões andavam devagar, com os faróis altos na estrada pareciam perguntar o que estava acontecendo.
Observei os vizinhos chegando do trabalho, passando pela rua com o celular iluminado.
O vento trouxe o aroma da terra e suas flores exalavam um perfume diferente.
Naquela noite eu pude contar com a presença de coisas que as vezes eu tenho dificuldade em enxergar por simples descuido de minha própria natureza.

Naquela noite do apagão, luz é que não faltou aqui dentro.



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Elisa Carvalho
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um texto maravilhoso, abraçosssss

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 14/11/2009 19:33
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Cláudia Campello
 

é preciso silencio pra ouvir o barulho do mundo, poetisa.
e o escuro pra sensibilidade do outro.
gostei do texto.

bjsssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 15/11/2009 13:05
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Vasqs
 

Pronto, o que Claudia, sabe que eu ia dizer também?
Eu estava no meu apartamento, nem vela tinha. Me
iluminavam os faróis dos carros. Mas trocaria por estar
em Barra Mansa, com enxame de vagalume, ouvindo
sapos.Teria feito eu, antes, um apagão.
Muito bonito.

Vasqs · São Paulo, SP 17/11/2009 13:05
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ayruman
 

Por algum momento quando as coisas dos homens param podemos sentir que somos muito mais do números e fantoches a repetir processos mecânicos. O "apagão" também por mais irônico que seja,
teve lá seus ensinamentos. Feliz de quem pode perceber!

Maravilha de Texto amiga.
Luz e Paz na Terra. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 17/11/2009 20:31
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