Nas sombras das mangueiras o gorjeio de sabiás, Japuíras, bem-te-vis entre tantos outros.
No seu pedacinho de terra preta, promissor pomar. Muitas frutas. Jabuticabeira, manga, caju, tamarindo, goiabeira, araticum, etc.
Uma pequena horta onde de quase tudo se encontrava. Tinha um galinheiro com muitas galinhas e um só galo metido a besta e galanteador.
Bem no meio do pomar uma fonte cristalina emanava deliciosa água que corria serenamente até ultrapassar os limites de seu paraíso encantado. Também tinha um orquidário onde Vovó renovava suas energias, sempre que seu corpo já arquejado pedia socorro.
Gostava de revirar a Terra pra ver as plantinhas crescerem. Cuidar do jardim até ver cada sementinha se abrindo para o Sol. De manhãzinha inda na frescura da aurora, lá estava Vovó Tana colocando ordem nas coisas.
Primeiro comida pro bichano todo dengoso. Depois limpa aqui, lava acolá. A galinhada cocoricando pra todo lado e vovó Tana recolhendo os ovos virgens, quentinhos, quentinhos, recém saídos da forma.
Assim tudo seguia seu rumo e Vovó feliz da vida com seu sítio que mais parecia um jardim do Édem.
Mas um dia o progresso chegou até onde morava. Abriram uma avenida dupla e de sua casa e seu pequeno sítio nada sobrou. Removeram tudo. Não ficou pedra sobre pedra!
Vovó Tana viu tudo isto acontecer e não disse uma palavra. Nem lágrima tinha pra chorar. Queria falar, mas sua voz não passava da garganta. Falar pra quem? Implorar clemência; a quem? O tão falado progresso não podia parar. Abria fronteiras e estava muito acima de seu singelo mundo. A dor maior, aquela que dilacera a Alma, e difícil de conter foi morar em seu coração.
Hoje Vó Tana vive sozinha com seu bichano distante de seu paraíso que era parte de sua vida. Não tem mais sua horta, suas galinhas, nem seu jardim do Édem. E muito menos o olho d’água, a passarada, suas frutas prediletas de dar água na boca.
Da varanda de sua nova casa espremida entre tantas outras naquele mundo de concreto, miséria humana e entulhos, Vó Tana fita o firmamento. Em sua memória as coisas que sempre amou tomam vida e com brilho nos olhos a faz seguir em frente saudosa dos velhos tempos sim, mas sem jamais desistir de viver intensamente cada minuto de sua vida.
E neste instante a Estrela Vésper como que cúmplice de sua vida, brilha com mais intensidade e entoa em seus ouvidos canções de encanto e de ninar que só ela entende e guarda com carinho em seu escolado coração.
jbconrado*
E neste instante a Estrela Vésper como que cúmplice de sua vida, brilha com mais intensidade e entoa em seus ouvidos canções de encanto e de ninar que só ela entende e guarda com carinho em seu escolado coração.
O progresso mancha a nossa estória...mas lindo viajar...
bjus
Absurdo
(Vanessa da Mata)
Unidos contra os absurdos, Sigamos firmes e luminosos.
Um dia os homens se darão conta do alto preço que pagaram por esse tal progresso.
Abraços.
O consumo exagerado serve de álibi para nossos governantes acabarem não só com as hortas, riachos... mas com rios, cachoeiras e tudo mais que guarda incongruência com as penalidades de uma simples caça de pequenos animais por camponeses, para sua sobrevivência.
Bodin · Uruaçu, GO 28/9/2011 16:48Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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