ESCRAVIDÃO URBANA
Passaram-se tantos anos
Aos navios e a negritude do mar
Navios negreiros negreiros
A escravidão esperada
Em tochas e velas acesas no mar
Chibatas e homens cabisbaixos
Ladainha e gemidos
De suores lacrimejantes
Secular livramento e lamento
Mandantes... Mandantes
Assim era antes
Passaram-se tantos anos
pela gloriosa Libertação
Tantos anos... Tantos anos
Seres unidos em elos partidos
Patriarcado desmoronado
Vence o martírio do Poeta
Ah! Alves não viu desfecho!
A abertura da fechadura
Na cor e dor
Brasilidade em dignidade
Fez-se a palavra Amor
Últimos anos, últimos anos
Sobem lanças, grades
O medo e o olhar em fios
Evocam aos Céus Liberdade
No alto do muro
Nos trincos e vidas trincadas
Elos, teias e correntes
Lanças, lanceiros
Machucam a plenitude de sonhar
Ainda alguma lança escapa
Fere, sangra, mata nas frestas
No meio da noite, sempre açoite
No lar, na rua, meio fio
Escorre calada a solidão
Ah! Alves não viu nada!
Arma branca sanguinolenta
Ricocheteando, golpeando
morrendo célula mater.
Marca negra estendida na terra, no chão
Sobrevoam navios urbanos
Sirenes, velas acesas
mandantes...mandantes
Faz-se a palavra Ódio
Assim não era antes
Não era
Cíntia Thomé
*Dedico a toda Família Brasileira
.
*** ALVES - Poeta Castro Alves - Poeta dos Escravos
Este texto nasceu por ter visto a exposição Arquitetura do Medo, do Fotógrafo André Gardenberg, em local que foi testemunha do Sofrimento dos Escravos, Solar do Unhão - onde hoje é um local cultural - MAM _ BA, e logo ainda neste mes de Outubro de 2009 ter sido assassinado no Rio, Evandro João da Silva, Coordenador do Projeto AfroReggae e também por uma amiga comum Kika B. , minha e de André,que nos 'ciceroneou' gentilmente durante nossa permanencia em Salvador e foi roubada e ficou na mira de um revolver 38 por horas em sua residência em Salvador, BA, no último dia 23/10, muito abalada, mas bem... e ainda por um estudante covardemente espancado, roubado , amigo universitário (UNESP) de minha filha, quando chegava em sua República, às 18 horas, em Sorocaba, SP, passa bem...
Mas onde estará indo a nossa Dignidade, Liberdade de ir e vir?
Tempos de guerra urbana em todo País.
Foto de Andre Gardenberg - Site Oficial - "Arquitetura do Medo
.
ESCRAVIDÃO
Este texto nasceu por ter visto a exposição Arquitetura do Medo, do Fotógrafo André Gardenberg, em local que foi testemunha do Sofrimento dos Escravos, Solar do Unhão - onde hoje é um local cultural - MAM - BA, e logo ainda neste mes de Outubro de 2009 ter sido assassinado no Rio, Evandro João da Silva, Coordenador do Projeto AfroReggae e também por uma amiga comum Kika B. , minha e de André,que nos 'ciceroneou' gentilmente durante nossa permanencia em Salvador e foi roubada e ficou na mira de um revolver 38 por horas em sua residência em Salvador, BA, no último dia 23/10, muito abalada, mas bem... e ainda por um estudante covardemente espancado, roubado , amigo universitário (UNESP) de minha filha, quando chegava em sua República, às 18 horas, em Sorocaba, SP, passa bem...
Casos isolados, mas muitos em todo Brasil
Mas onde estará indo a nossa Dignidade, Liberdade de ir e vir?
Tempos de guerra urbana em todo País
Sinto Vergonha de Mim
de Cleide Canton
"Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto."
***Não é de Autoria De Rui Barbosa e sim de Cleide Canton
Sempre havera um tipo de escravidão...porque sempre havera os que dominam. Agora o que esta acontecendo e simples de se analizar...
Querem desestabilizar o nosso pais, para que o saque se faça sem obstáculos. Eles tem o nosso pais com um quintal deles e para tanto deixam que sejam eleitos individuos que se comprometem a se venderem em troca de seu proprio bem estar, incluindo suas familias...Desde a entrega do poder pelos militares aos civis e' que comprovamos isto e continuara eternamente se não houver uma intervenção que acabe com este ciclo danoso a nossa sociedade...Vivemos numa pseudodemocracia onde o mais forte manda vestindo a roupa tirada do armario que representa a contituição brasileira...
Parabens
beijos
Magnífico Poema reflexo de nosso Tempo. Tempos difíceis onde nossas referências dos valores humanos simplesmentevão se diluindo deixando em seu rastro o fantasma da dor, submissão e da fragilidade do Ser.
Mas com certeza sobreviremos pois em nossa essência trazemos a centelha do Sagrado! Acredita?
Tenha um bom Domingo... jbconrado.
Minha querida o poema magnífico e a nossa realidade tão feia.Vivemos sim a qui enjaulados e sem liberdade.Pior que nos anos da escravidão.Somos cativos do medo,da violencia e da falta de vergonha das autoridades.
De todo meu coração eu já não acredito que esse processo terá um retrocesso,queria acreditar.Aqui no Rj estamos estregues a nossa propria sorte.
Um beijo carinhoso minha amiga.
Cintia,
Belo e triste o seu poema, como é a realidade que nos cerca... Desde a escravidão do homem pelo homem a degradação, o sangue e a chibata, a dor e a humilhação. Já cantava o Poeta, denunciava a situação... Tanto tempo se passou e nada mudou muito, tudo piorou. Hoje vivemos em nome do medo, que ceifa a vida de pais e filhos. Vivemos em campos de concentração privados, amedrontados pelo grande monstro a nos ameaçar... Ninguém está a salvo, e talvez não haja mais salvação. É se esconder e rezar, ou cobrar desse Estado falido, que não sei se pode fazer muita coisa... E assim, descrentes, caminhamos para as urnas, ano que vem, como se fôssemos ao cadafalso...
Parabéns pela postagem ! Infelizmente não pude estar presente à exposição do André Gardenberg, mas da próxima irei, com certeza. Tenho acompanhado pelos telejornais o caso do coordenador do Projeto Afro-Reggae, atacado covardemente e negligenciado na agonia de sua morte, por aqueles que deveriam estar cuidando da nossa vida e proteção... Fora o que ocorre a cada dia e vira notícia banal nos meios de comunicação... Nossa Dignidade e Liberdade vem escorrendo a cada dia mais, pelos ralos desta sociedade horrorizada e impotente diante de nossa guerra diária...
Bjs e força para resistirmos a tantas ameaças...
Ameiiiiiiiiiiiiiiii...como sempre !!!
Mil beijos !!!!!
Querida Cíntia, há de se tomar cuidado com as inversões de valores, viramos os prisioneiros, 'eles' possuem a liberdade e o direito de ir e vir, a gente fica com as sobras, com as luzes e a garantia de não sermos mortos, com o medo de levar uma bala perdida, com o receio de ser assaltado e ter de perder o pouco que consegue reter, fora os problemas de documentos, chaves, estamos num mato sem cachorro, tendo de desconfiar de gente, que apenas também deve estar com medo da gente...
parece até gozado, mas não é 1
um beijo cúmplice !
A História pediu que aquele tipo de escravidão acabasse como algo formal. As sociedades mudaram mas estamos longe de possuírmos
a sociedade perfeita. Temos muitos problemas apresentados neste teu poema, que nos faz pensar e nos incomoda. Somos tão pequenos e fragmentados.
Leva tempo pra digerir a visão dos problemas... =/
Enfim, valeu o poema! =)
Somos escravos dos sentidos, da mídia subliminar, do ego que só busca vento. É a grande retificação pela dor. O homem terá que voltar ao espiritual e cumprir também a sua missão pelo lado fraternal. Estamos vivendo o grande aprendizado do Espírito através da alma e corpo que formam o CARRO DE COMBATE. Tudo que fazemos é apenas para cumprir a vontade divina. Temos as rédeas da condução, Deus-Pai é o autor da ação! Beleza o seu postado minha cara maestrina de letras!
raphaelreys · Montes Claros, MG 26/10/2009 07:50
Todos já falaram tudo e todos possuem o poder de livrar todos do sofrimento basta apenas unirem-se e caminhar numa só direção:
DEUS!.
Abraços,
kfarias.
a escravidão nunca deixou de existir de verdade...
nós achamos que somos livres e nossa própria visão limitada nos condena a acreditar nessa ilusória liberdade...
Cintia Thome · São Paulo (SP) ·
ESCRAVIDÃO URBANA
Em Boa Hora essas lembranças e homengens sentidas e necessárias.
A brutalidade cada vez adquire mais indiferença pelo humano.
O requinte da maldade agiganta e faz o mundo e a vida chorar.
Desumano o não atendimento ao Evandro João da Silva, Coordenador do Projeto AfroReggae.
Nossos sentimentos e esperança de vermos o mundo melhorar.
Parabéns pelo Trabalho.
Abração Amigo.
Cíntia, parabéns pela oportuna abordagem sobre o cárcere domiciliar. São textos dessa natureza que devem permear os debates em salas de aula; todo mundo já está cansado de saber que "Ivo viu a uva". Só que agora, as uvas que passam por ele são invisíveis, barulhentas e cheiram a pólvora.
Parabéns!
Fiquei surpreso com a revelação da autoria do texto "Sinto vergonha de mim". Por outro lado, confesso que fiquei mais satisfeito... k p/ nós: Rui Barbosa não foi esse poço de moralidade toda, né?
Um beijo!
Das navegações;
............
E com elas, outras terras:
e com elas, outras guerras.
A América acolhe a morte,
A África teve má sorte................
E ainda o mesmo Castro Alves, de quem muito bem se lembra.
"Cresce, cresce seara vermelha,
Cresce, cresce vingança feroz.
...................................."
É, impossível, na luz da História, pensarmos em solução sem antes
INDENIZAR-SE AO NEGRO, ao INDIGENA.
Nada no Brasil vai passar por outro caminho. Este é o tronco.
E o medo, o tamanho do medo é o mesmo iniciado, em 1537, na
melhor data, talvez. Até hoje. O tamanho do medo é o mesmo.
o que aconteceu foi o aumento do leque dos que sentem medo.
Por 5 séculos o medo ficou restrito ao negro. Ao ´´indio.
Mas, como sempre, voce mexe com as consciências ...
abraço
andre
Com poeta não se brinca: rasga a blindagem e denuncia tudo.
Que fiquem espertos! Assim não era antes, não será, não pode ser, agora!
abraço, parabéns.
Que beleza,Cíntia,vc transformou as imagens em palavras!!
Bela exposição de sentimentos que permeiam a moderna arquitetura
do medo estampado nas grades que aprisionam nossa liberdade!
Também não sabia que este poema não era da autoria do Rui Barbosa,
um importante informação!
Aplausos,querida,pela sensibilidade ímpar!
Um beijo azul...
Blue
Cíntia, tem música nova como minha mais recente colaboração. Não deixe de apreciar "Esse amor"... Abraços, Kadú
Kadu Dinamity · Teresina, PI 28/10/2009 06:26
Enquanto os bandidos vivem soltos,vivemos prisioneiros do medo
Magnífico e verdadeiro
Beijos
esplendoroso trabalho, adoro ler-te.
Simplesmente esplendoroso, mágico intenso, verdadeiro, corajoso que pena que os adjetivos não são suficientes para tentar dizer um grama do que sinto quando lí sua poesia, quase choro, creio nem mesmo os que poarticipam de lutas negras conseguem ter uma visão tão fant[ástica da condição histórica e social do negro no mundo, condição que nunca mudou, mudou sim, de forma, antes ela era menos agressiva do ponto de vista físico, agora a dor é maior intensa, agora ela é simbólica, iremedialvel, paralizante, muito mais forte que a anterior, somente pessoas com a cabeça além da proposta pelo poderio branco ou o poder central para conseguir perceber isso, não quero dizer que tenha que haver luta de classe ( ou etnogáfica) mas a percepção que não existe raça baseada na cor, nem muito menos no poder, mas existe sim araça human, que merece respito, que é um ser tão bom e cheio de vida, que rir, esse ser humano eu acredito, esse ser humano existe, embora escondido. Votado com mériot intenso, tocante sua poesia.
Luís, o último literário · São Luís, MA 30/10/2009 12:51
Agradeço a todos
Eu só não disse do poderio branco, dos negros e sua alforria...talvez eu possa dizer o poderio hoje que ameaça é da cor branca. Ameaça de a a z, um Brasil que era doce
nos anos 70/80, mas nesses mesmos anos que começou o pior, o visionário maior: o branco, a Apple e a cor que mancha todos os povos de sangue a cocaína, a droga, esse é o poder...e o consumismo aloprado de qualquer coisa mata inocentes, aprisiona, cria o ódio de ser para ser, o medo da invasão...
Temos que unir toda cor brasileira para acabar com o poedrio da Droga...
Obrigado amigos...
estarei ausente por dias...
.
Agradeço a todos
Eu só não disse do poderio branco, dos negros e sua alforria...talvez eu possa dizer o poderio hoje que ameaça é da cor branca. Ameaça de a a z, um Brasil que era doce
nos anos 70/80, mas nesses mesmos anos que começou o pior, o visionário maior: o branco, a Apple e a cor que mancha todos os povos de sangue a cocaína, a droga, esse é o poder...e o consumismo aloprado de qualquer coisa mata inocentes, aprisiona, cria o ódio de ser para ser, o medo da invasão...
Temos que unir toda cor brasileira para acabar com o poderio da Droga...
Obrigado amigos...
estarei ausente por dias...
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De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.
Cintia, querida irmã de luta: perdoe a minha chegança tardia. Andei com problemas no computador, mas ando atenta aos problemas do nosso cotidiaano. É muito triste todos os dias vivenciar tantos horrores. Agimo corretamente e vivemos enclasurados(as), enquaanto os malfeitores andam soltos. Triste sina. Apesar de tudo acredito que a Paz reinará. Bjos de luz, Grauninha
Lembra-me "Arquitetura da destruição"! São os nossos holocaustos particulares de todos os dias... e "Escorre calada a solidão".
Beijos.
intenso e verdadeiro
como tudo o que vc expressa!
bjsssssss;
Adoro te ler...por isso venho aqui novamente !!!
Mil beijos !!!
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