Para Oleg Duryagin.
Moendas de
especiosos respiros, egos revoltos
(mademoiselles
cinéfilas em óbito de gozo)
são percings de fendas peraltas
desbastados
pelo russo embriague
e seu ébano-retrato.
Já houve dias
em que o poema da vala
transpassava décimo pecado
de terceiros
semideuses, brochas.
Praticava
sexo com febre palustre,
mas agora, a rigor,
robotizado, desdém
do após-féretro
da efígie.
Oferenda
de sangue à beira do ataúde?
– O ângulo esnoba.
Tétano
de palavras gozadas no motel
da autovia prenhe?
– A Ursa Menor resvala.
Certos circunlóquios e demais artilharias,
lutariam contra isto:
pouso
de sempre-flamas
conflagradas
e ocultando
solúveis cadáveres
das segundas-feiras
(de somenos valia)
de um sempiterno soluço
qualquer.
No poema
duas lentes-demão escondem
o sacrifício do arqueiro:
farol de milha
que em frente ao portrait negro de Oleg
engalana o poema
pois patenteia
o vago de setas a partir.
Perdido em êxtase
um monge
medita em avalanche
e sob quatro angulares alude-me
que eu seja o rugido
que ainda resiste
em alguma Boulevard de Belém
que não se rende
ao logro dos vermes.
© Benny Franklin
Mais um trabalho expressivo do meu poeta beat preferido.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 14/1/2009 17:33Que profundidade nos versos, Benny. Amei!!!
Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE 15/1/2009 23:55
Também creio que assim seria: um poema!
Parabéns!
Benny, nobre mestre poeta.
Belo e rude, seus contrapontos são geniais.
A imagem belíssima!
Meus parabéns mais uma vez.
abraços
Voltando para o voto consciente e merecido.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 16/1/2009 21:14
Voi todas as imagens de Oleg...elas são letras de seus poemas que acusam
os que não sabem que o homem ou a mulher podem Amar demais e sempre mais...
Já estive aqui, li, belas imagens, arte pela arte maior, pelo amor e suas nuances....
bju
Benny, mais uma obra prima. arte em alto grau de sublimação.
Gostei muito
A face ímpia do poeta a penetrar infinitas vezes a carne putrefa das veleidades... Num rompante - metade pororoca arrebentando as brenhas das coivaras, metade fogo-fátuo ardendo nas ínguas intumescidas dos dias mortos - a verve do bardo-beat dos boulevares e becos malditos da cidade das mangueiras-totens anuncia a nova manhã do Milênio XXI... Ò deuses pagãos das selvas amazônidas, bendito sejam por terem profetizados nas vossas litanias o advento do poeta-mor das desconformidades e grão-mestre dos avatares da palavra quimérica... Perfeito, Benny...
Pepê Mattos · Macapá, AP 29/1/2009 23:42
meu poeta del mundo, mais um belíssimo trabalho.Coisas que só o talento e inspiração são capazes.
Parabéns
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