Vagando por entre
Os subsolos da mente,
Percebo o quão virgem
É meu olhar sobre a cromática
De mim mesmo e do mundo:
Sim, quando se trata,
Principalmente,
Do seu viés subjacente
Qual aflora dos âmagos-pomos,
Responsáveis por fazer parir
O firmamento azul-escuro
Como se fosse tomado
Pelo arrebol do desejo
Do profundo descobrimento,
Eu descortino uma miríade
De relegadas paisagens,
Confinadas no calabouço
Dos livres pensamentos.
Então,
Ao penetrar na sua infinita e opulenta câmara,
Mergulho no mar do quase silêncio:
Uma vez dentro dele,
Contemplo a túnica da calma
Camuflar o lancinante drama
Que emana do vislumbre
Da imagem de pessoas
Á margem da alegre e jocosa aurora:
Apagadas á bala e com testemunhas mudas;
Ou agasalhadas pela frieza do relento
Cuja impiedosa fonte pulula da empedernida rua.
Uma vez dentro dele,
Fito, nitidamente,
A elisão da humanidade:
Mulheres e crianças
Sendo tratadas
Ou sobrevivendo
Como um suculento pedaço de carne.
Uma vez dentro dele,
Sinto o sabor acerbo do plasma
Que irrompe da mortífera
E cibernética prole da pólvora
E inunda toda a Inócua, Incauta, Prosaica, Pacífica Flama
Tapeçaria Meso-Asiática, Maometana!
Uma vez dentro dele,
Fixo o olhar
No mais profundo
Âmago de mim
E vejo a acre pele de desencanto
Ou sáfara exacerbada
Recobrir-me a aura.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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