Passaram-se os anos
Em que as minhas divagações
Mais latentes,
Não iam além de um tempo único
Escatológico, onipresente,
Em que meus sonhos de águia errante
Transpunham montanhas, vales, florestas,
Tentando, inutilmente,
Fazer de meus desejos
Mais ardentes ;
Bilhões de plumas livres e soltas
Pairando,
Como anjos-sombras
Sobre os teus encantos.
Houve um dia,
Como nunca mais dia algum
Acontecesse,
Em que minhas utopias
foram tão somente,
Ensaios de uma dor aguda
Lancinante,
Feito taças de sangue
Em sacrifícios,
Derramando a cântaros,
Sobre teu sorriso,
o meu eterno
e derradeiro instante.
Houve um tempo
Em que meus sonhos
Anticronologicamente
Renderam-se a concretude
Dos meus desencontros,
Em que tuas lembranças
Travaram luta corporal;
unhas e dentes,
rasgando minhas carnes
Como fantasmas errantes
Que dentro de mim mesmo
Tentavam sempre
Fazer-me esquecer
Dos sonhos de ti
Que eu nunca tive.
Houve um tempo
Em que meus olhos
Fitavam como lince
Além do horizonte
de tudo que existe
tão subliminarmente
Que o peso do mundo
espalhara sobre mim
como se fosse
teu corpo,
qual gigante hercúleo
petrificado no meu
Para o todo e sempre.
Havia um tempo
Em que a minha vida
Por completo,
Se perdeu tentando,
Num soluço triste
Esquecer por inteiro
todo o sofrimento
Assaz angustiante
se uma existência,
Em que meu pranto
Se fez dias claros
nas noites cor de chumbo
quando meu ser completo
Foi paulatinamente,
se afogando
No mar dos desejos
Inalcançáveis, estranhos
profundamente
Onde ainda hoje
meu ser de pedra
O tempo todo,
Nada, enlouquece e toma banho;
Buscando encontrar no fundo
deveras abissal do sentimento
toda a compleição
Que tem teu nome.
Houve um tempo único
Quando oceanos
imensos,
Precipitaram-se
como tsunamis humanos
Dentro de mim mesmo.
E neste instante efêmero,
Por entre abismos profundos
Existi pela primeira vez na vida
Enxergando,
Toda uma saudade
doída, mergulhada,
nos meus oceanos estranhos;
Todos se derramando
nas desilusões possíveis
do meu ser profundo.
Houve um tempo
Em que meus sonhos
Subiram as montanhas
junto comigo,
Buscando silêncio
e os ventos elíseos,
Na esperança
de nascer de novo:
Tormentas,
De quem ama.
nebulosos sentimentos
dentro mim;
feitos transatlânticos
me transportando
para à eternidade,
entre as brumas fantasmagóricas
do meu próprio esquecimento.
Este poema foi construido a partir de um instante de uma intensa abstração mental naqueles momentos em que de maneira súbita e inexplicável uma sensação de saudade nos invade alma. Por conseguinte, por meio de um estado de puro insigth comecei a escrevê-lo.
MINHA OPINIÃO
Esquecimento, a meu ver é uma entrada num sono poético em que a realidade é transmutada numa nova dimensão do fazer poético, onde a arte, cara, a transladar o pensar poético num mundo lirico inatingivel, porém com uma força inspirativa que dá um colorido especial a dimensão da poesia. É uma abstação, uma êxtase, um mágico fluir que fica sempre a rondar no mundo bucólico, filosófico artístico e poético numa planação de um estar na plenitude da serenidade e na grandeza da criação. Parabéns José Cicero por pincelar na existência o quadro de uma abstraçao coerente, rica , cara e de uma beleza encantadora.
Comentário extraido de Esquecimento. Edição Overmundo, José Cicero da Silva, Aurora (CE) Outubro,2008.
Blz de poema Cícero
gstei mto dessa parte
Houve um dia,
Como nunca mais dia algum
Acontecesse,
Em que minhas utopias
foram tão somente,
Ensaios de uma dor aguda
Lancinante,
A utopia tende a envelhecer e tornar-se real. Nostalgico seu poem, mas nem por isto deixa de ser belo.
Poderemos chamar a nova safra q aqui se apresenta de poetas do sangue.
Houve um tempo
Em que meus sonhos
Subiram as montanhas
junto comigo,
Buscando silêncio
e os ventos elíseos,
Na esperança
de nascer de novo:
Tormentas,
De quem ama.
nebulosos sentimentos
dentro mim;
feitos transatlânticos
me transportando
para à eternidade,
entre as brumas fantasmagóricas
do meu próprio esquecimento.
GENIAL!!!!!!!! MEUS APLAUSOS!
Adorei !!!
beijo
Nossa! Uma saudade tão doída, tão sentida, que transcende!
Teu texto é tão intenso, que dá a impressão que tua saudade pode ser tocada.
Lindo, menino!
Beijos!
Ansiamos pela eternidade. Há tantas perdas... Nem já sabemos quem somos. Ainda temos esperança: os anjos estendem as asas sobre nós, sofremos à sombra. A saudade não se apaga, mas, como uma estrela, brilha sobre nós. A saudade nos faz sofrer e ilumina-nos.
abs.
Cícero meu querido.
Tempo em que os pensamentos e tornam uma segunda pele,ainda lutemos para nos manter aqui,os pensamentos tomam vida e voam.
esse esquecimento que hoje deixa aqui na sua págiana encant-me.Há certos momentos em minha vida que tb sou uma águia em busca de algo que nunca saberei definir.
Maravilhoso seu poema.
Cícero.
Trabalho desse só pode de um cearense arretado que nem você.Parabéns, ao Ceará e ao Cícero também.Voltdo na votação.
Magnífico poema. A vida é virada radicalizada pelo efêmero.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 31/10/2008 08:20
Houve um tempo
Em que meus sonhos
Anticronologicamente
Renderam-se a concretude
Dos meus desencontros,
Nestes teus versos
no acompanhamento da vida
caminhamos sim para
as brumas do nosso
próprio esquecimento.
Gostei.
um abraço
meu caro a saudade e dor pungente como dizia a canção....rs
belas escritas...
ab.
Cycero, simplesmente maravilhoso o poema...como diz essa baianinha aqui...êita poema retado de bom, feito com a alma!!!
Gostei
José Cicero
Maravilhoso e bem construido poema.
É a alma do poeta saudosa de algo inesplicavel
que se transforma em versos ávidos de saudades,
desejos e magia.
adorei!
bjs
Fitar como lince além do horizonte de tudo que existe, para mim é como olhar profundamente para dentro de nos mesmos, profundamente....
Volto depois..
Abç..
A saudade descrita tão poeticamente em seus versos faz do seu poema a ponta, o ápice da dor com que ela, a saudade, nos assola.
Belíssimo.
Beijo
José Cycero · Aurora (CE)
Esquecimento
Uma sucessáo de tempos sem fim como que a nos ensinar e lembrar, que esta continuidade transcende a esta vida táo rápida e frágil.
No caprichar e cuidade lembre-se destes tantos tempos e que a familiaridade com o Eterno vai ser decisiva no desempenho nestes tempos de vida táo caótico, desumano e desigual que vivemos.
Estes nossos tempos em que buscamos os sentidos de todos os tempos e que nos responde com os seus mistérios e ao mesmo tempo com palavras claras como as de Jesus que nos pregou amor, misericórdia e perdáo
Qualquer q
José Cycero · Aurora (CE)
Esquecimento
Continuacáo...
...qualquer que seja o tempo o melhor mesmo é cuidade e seguir ao homem de Nazaré.
Sempre que nos reunirmos e cuidamos da nossa irmandade de amor ao próximo e que com amor cuidamos da tradicáo, da cultura, da poesia, das letras, da história e das Artes, fazendodo fortalecimento da Comunidade, estamos seguindo o Homem de nazaré.
Parabéns.
Abracáo Amigo
Quero aqui, reiterar meus agradecimentos pelos comentários aos amigos e amigas do Overmundo. Esta comunidade que eleva e enngrandece o Belo da Vida por meio desta ferramenta às vezes 'contraditória' em que se transformou a Internet. Mas o serviço do bem tem força... Muito obrigado a todos.
JC
Meu Mestre, que poema, hein?
Fruto de quem é profundo conhecedor da palavra.
De prima.
Abçs.
Meu caro Cycero, foi muito bom constatar que tens o dom dos bons poetas. Vou te dar um exemplo:
"Houve um tempo único
Quando oceanos
imensos,
Precipitaram-se
como tsunamis humanos
Dentro de mim mesmo.
E neste instante efêmero,
Por entre abismos profundos
Existi pela primeira vez na vida
Enxergando,
Toda uma saudade
doída, mergulhada,
nos meus oceanos estranhos;
Todos se derramando
nas desilusões possíveis
do meu ser profundo".
Este trecho eu achei phoda! Abraços do
Meu carinbho meus votos e digo-te: apaixonei-me pelo teu poema tanto que o coloquei no meu perfil no Orkut.
Parabéns pela tua grande obra prima!
beijos
Ante aprovação de vcs da minha entrada no overmundo, sinto que toda poesia é sempre uma possibilidade. Legal que vcs não esqueceram do meu ESQUECIMENTO. A apreciação e o incentivo de todos os overmanos(as) sempre nos impulsionará a escrever mais e mais... Valeu, um imenso abraço fraterno de agradecimento sincero e renovado.
Ps. Celina Vasques é uma infinda honra saber que vc colocara meu prosaico poema no seu orkut. JC
Este poema disse coisas que eu gostaria ter dito, porém as senti...Maravilha de teus feitos!
Iva Tai · Manaus, AM 5/11/2008 14:03
Adorei a tua´poética, meu amigo José Cycero. Meus sinceros aplausos abraços.
Carlos Magno.
Valeu, grande poeta. Mire-se no seu horizonte e vá em frente.
Um forte abraço.
Humberto Barbosa
haverá um tempo, tem que haver, onde só restarão os poetas e seus filhos: o verso, tudo.
valeu JC
PROFUNDO DEMAIS. ADOREI POETA!
su angelote · Jaboatão dos Guararapes, PE 12/11/2008 12:46
"(...) Como fantasmas errantes
Que dentro de mim mesmo
Tentavam sempre
Fazer-me esquecer
Dos sonhos de ti
Que eu nunca tive(...)"
Essa dor é grande. Saudade de fato ou melancolia, que se transforme sempre em palavra, feito pedra talhada, poesia.
Parabéns, poeta.
Em que minhas utopias
foram tão somente,
Ensaios de uma dor aguda
Lancinante,
profundo texto
Caro José Cícero,
Estou feliz por você - um poeta cearense - ter lido sobre minhas Saudades, mas ainda mais feliz de ter vindo ler seus escritos, especialmente este: "Esquecimento". Belo, belo, belo. Tocou-me como um todo, e especialmente na forma que vc fala do tempo.
Um grande abraço da conterrânea.
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